31- XEQUE-MATE

Começar do início

Jefferson desconfiado, deixava flagrante sua frustração. Era como se Scarface tivesse dito "xeque".

— Nada mudou até agora, ele não voltou no tempo, era tudo bobagem. O mundo continua igual, a vida segue. É isso — falou Jefferson parecendo se conformar.

Scarface sabia que aquilo só podia ser falso, conhecia Jefferson por séculos e a arrogância, dissimulação e o desejo de poder eram as raízes dele. Tinha sido um aliado, alguém em quem nós confiamos, mas que há tempos tudo que fazia era tentar destruir-nos, dominar as tecnologias obscuras, aquelas que só nós e ELES tínhamos conhecimento. As duas instituições REAL LIFE e Susfacilite competiam por séculos, uma escondendo sempre algo da outra. Quando Jefferson soube de tudo que Hugh Everett havia me passado, veio com chantagens e oferecendo apoio. Não tivemos saída. Ele possuía tecnologias de espionagem muito além do que imaginávamos, descobriu tudo vendo arquivos de memórias dos clones, algo que só depois conseguimos bloquear. A REAL LIFE tinha associação com setores da NASA e do pentágono americano, eram fortes e sua estratégia sempre foi estar um passo a frente em tecnologia.

Jefferson se aproximou da cama e pegou na mão esmorecida de Julia.

— Essa então é a obra prima de Thomas? Por ela ele desistiria de tudo, para manter ela viva ele deixaria o mundo do nosso jeito? — olhou firme nos olhos de Scarface — Ela viva nos da esperança de que, se ele tiver oportunidade, não irá querer mudar o mundo. Talvez seja isso que tenha acontecido. Ele escolheu manter tudo como está. Você não acha?

Scarface não respondeu, apenas ficou observando Jefferson acariciar a mão de Julia.

— Scar, esse clone de Thomas está danificado. Ele não se lembra de tudo. Como vocês puderam permitir que ele fosse ao encontro?

Scarface continuou mudo.

— Scar, vocês são tolos. Faz tempo que as informações que Thomas tinha não valem nada. O que vale é o que conseguimos fazer, as tecnologias que temos, o mundo que criamos. Sem isso o que somos? Olhe o mundo que temos, veja o paraíso que criamos. Por que vocês traíram isso?

Scarface se lembrou dos drones criados pela REAL LIFE que foram enviados com as vacinas. Eles automaticamente se dirigiam onde seus alvos estavam e aplicavam o líquido milagroso. Entravam pelas janelas dos apartamentos, encontravam as pessoas caminhando nas ruas, nos restaurantes, identificavam-se e delicadamente enfiavam a agulha com a vacina. O mundo todo vacinado. A cura da doença dos ventos. Meses depois a sequencia de mortes se iniciou e por anos continuou. Adultos, crianças, velhos, não importava a idade, de repente, sem motivo aparente caiam mortos. Corpos e mais corpos. Uma grande infelicidade.

— Jefferson, você sabe que o que fizemos foi grotesco. Isso não foi traição. Esse encontro está marcado há séculos. Mas tudo indica que não temos como mudar. O mundo seguirá da mesma forma, com nossos erros.

Os olhos de Jefferson ficaram vermelhos. Os óculos holográfico mudavam a cor deles seguindo o humor da pessoa.

— Scar, isso é uma discussão desnecessária. Nada mudou. Ele não viajou no tempo. Já teríamos notado algo. Talvez Hugh nem exista. Thomas sabia tudo aquilo por algo holístico. Nunca saberemos agora. Provavelmente ele morreu no deserto e já que o velho clone explodiu. Lembra? Agora acredito que você seguirá a vontade dele, não haverá mais clones. Certo? Vocês deixarão a REAL LIFE seguir monitorando, garantindo que esse mundo não saia dos trilhos. Certo?

— Jefferson, você está sem controle. Vocês criaram essas aberrações genéticas, esses monstros de músculos, vieram com as armas. Vocês assassinaram em prol de manter poder. Não poderemos deixar a REAL LIFE continuar. Vocês são a verdadeira ameaça para o mundo que criamos — disse Scarface pausadamente e com o olhar firme.

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