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Brasil, Rio de Janeiro, Hospital Tavares de Souza, ano de 2333

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Brasil, Rio de Janeiro, Hospital Tavares de Souza, ano de 2333

O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.

Friedrich Nietzsche

Agora que já não possuo a vida como vocês a conhecem, que posso ver além, sei o que ocorreu com Julia.

Não havia mais o brilho de vida e esperança em sua pele. Os profundos olhos dela estavam fechados. Não era possível saber em que mundo ela viajava, perdida em si mesma. Ela dormia os sonos dos torturados em uma cama, ligada a aparelhos hospitalares. Uma pessoa vestindo terno, com o físico de um fisiculturista e um olhar frio tinha a missão de monitorar o estado da moça. No blazer do brutamonte reluzia o símbolo da instituição REAL LIFE.

Scarface entrou no quarto e o "segurança" assustado sacou de uma arma, apontando-a ao intruso. De sangue gélido, Scarface não se surpreendeu com a atitude do vigia.

— Estou aqui apenas para conferir se ela está bem. Não sou um problema. Eles estão me aguardando lá fora. — abriu a jaqueta que estava vestindo e deu um giro lento para o homem ver que estava desarmado — Vou dar as respostas que todos querem assim que tiver certeza que ela ficará bem.

O grandalhão abaixou a arma e abriu caminho para Scarface se aproximar da cama, movia-se roboticamente. Achou que o velhote não representava perigo. Diante de Julia, Scarface temeu a morte. Ele gostava da menina, ela era a felicidade que ele não teve. Olhar para o rosto de Julia, vê-la desfalecida era como perder a alma.

— Ela está em coma, mas estável. Os médicos acreditam que ficará bem — disse o gigante.

Um senhor, alto, longilíneo, pouco mais velho que Scarface, de terno alaranjado e óculos holográficos, entrou no quarto. Fez sinal para o segurança se retirar. Scarface não deu atenção para o novo visitante. O grandalhão abaixou a cabeça e seguiu para fora do quarto.

— Dante, cumprimos nossa parte. Não deixaremos ela morrer. Agora nos diga. Onde Thomas foi parar? Vou ser sincero, mesmo com as imagens de alta precisão de nossos satélites não conseguimos descobrir como ele saiu da comunidade. Vocês venceram, acabou. O encontro vai ocorrer, talvez já tenha ocorrido. Onde Thomas está? — falou autoritário e com o sotaque norte americano que ele fazia questão de manter.

— Jefferson, não faço ideia, não seríamos idiotas de saber. O que sei é como ele saiu, nada além disso. Deixamos tudo nas mãos dele.

— Conte sua história, vamos — falou Jefferson, ríspido.

— Existe um metrô, na verdade uma grande rede de metrôs por toda a América Latina. Nós o construímos, sigilosamente, por décadas, antes do vínculo entre a REAL LIFE e a Susfacilite, antes de você descobrir nossos segredos. Muito antes de você começar as clonagens. Um dos pontos de entrada e saída desse metrô está na comunidade Waldmann. Foi assim que ele saiu de lá. Mas, agora com três dias de vantagem, vocês nunca vão pará-lo.

Uma Encomenda para um Novo MundoLeia esta história GRATUITAMENTE!