28- EXTREMISMO

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  Brasil, Brasília, ano de 2020   

Ame seus inimigos, faça o bem para aqueles que te odeiam, abençoe aqueles que te amaldiçoam, reze por aqueles que te maltratam. Se alguém te bater no rosto, ofereça a outra face.

Jesus Cristo – Coríntios 1:2-3

Brasília, capital da terra dos tupiniquins. Onde as tramoias aconteciam. Nossa organização já era poderosa e tínhamos influência nos bastidores políticos. Eu estava com trinta e sete anos, era considerado uma grande raposa nos negócios e na política. Um personagem que criamos para adentrarmos no mundo político e executarmos o planejado para a mudança do mundo.

Nosso plano começava no Brasil. Era algo complexo. Havíamos estruturado a aprovação de várias leis em prol do meio ambiente e da educação. Reorganizamos o sistema de educação do país formando novos métodos de ensino, adequando à infraestrutura, valorizando e treinando professores. Muita filosofia, argumentação científica e atividades físicas foram introduzidas em peso nas escolas. Tudo isso através da manipulação de vário crápulas da política. Chantagem leve e pressão psicológica em certos partidos chaves e surtia efeito. Porém, nem tudo ia bem, pois o povo brasileiro e seus políticos são incoerentes. Malandros. O Brasil nunca tinha sonhado unido, nunca teve foco. Que Brasil o povo brasileiro queria? O Brasil da economia forte e sem escrúpulos como os EUA? O Brasil equilibrado pensando mais na felicidade do que no PIB como o Butão? Essas respostas não existiam, pois o povo brasileiro nunca soube exatamente que tipo de país queria ser. Tudo era bom e ruim ao mesmo tempo. Existia uma acomodação absurda. Para nós o maior passo para transformar o Brasil seria conseguir mais cooperação sobre algum objetivo unificador. Qual ideal poderia unir os brasileiros? Não podia ser o futebol. Onde poderíamos ter força para fazer as pessoas trabalharem de forma conjunta, toda a população (ou quase toda)? Verificamos que a intolerância com qualquer ato de corrupção era o tema ideal, perfeito para conduzir uma luta focada para construir um novo Brasil. O brasileiro havia perdido a piedade por corruptos. O desejo pelo extermínio da corrupção parecia unânime, mas faltava atitude, fundamentação. A educação de extrema qualidade que estávamos criando seria a chave para alcançarmos o objetivo, mas o tempo para colher o resultado seria longo. Tínhamos certa pressa. O povo continuava votando mal, expondo de forma atrapalhada suas ideias, agindo de forma hipócrita e presos em conceitos religiosos estapafúrdios. Religiões infundadas, sem ideal lógico, estavam espalhadas como pragas por todo o Brasil. Eram fanáticos por dinheiro, sanguinários e manipuladores da opinião pública, verdadeiros empecilhos para o nosso sucesso. Tinham por líder o senador Ronan Palácio, um sociopata, que não media esforços para corromper e transformar a ignorância do povo em sua grande arma e assim se enriquecer. Desvio de verbas de merendas escolares e projetos sociais, superfaturamento de obras, manipulação de licitações e empresas, o uso da mídia para disseminar seus conceitos retrógrados entre outras ações de causar asco faziam desse homem um de nossos inimigos mais ordinários. Dinheiro e leis importantes eram bloqueadas pela ação desse maldito. Resolvemos então que era hora de agir de forma extrema.

Nossa ação seria altamente sigilosa. Resolvemos que nós, eu e Scarface, faríamos o que deveria ser feito. Já fazia horas que esperávamos o senador aparecer. Encobertos pela noite, em um carro sem placa e bastante deteriorado, vigiávamos o prédio onde o escroto residia. Scarface parecia tranquilo e eu tentava aparentar o mesmo, mas o palpitar do meu coração parecia me denunciar. Até aquele momento nossas ações não continham violência, apenas estratégia política, porém, nossos objetivos eram nobres demais para esperar por milagres. Scarface sentia meu receio. Tentava me tranquilizar com sua energia assertiva.

Um carro luxuoso surgiu na rua deserta e parou em frente à entrada do edifício. Lentamente vimos o portão da garagem começar a se abrir. Scarface colocou a máscara de esqui e correu em direção ao carro. Também coloquei a máscara e aflito liguei o carro. Furioso Scarface quebrou o vidro do passageiro e arremessou uma granada de gás do sono no interior do veículo do senador. A fumaça tomou o carro completamente. Scarface aguardou a fumaça se dissipar, abriu a porta de trás do veículo e retirou o corpo desmaiado de Ronan. Confirmou, após, a inconsciência dos outros passageiros. Aproximei-me com o nosso carro e Scarface arremessou a "bagagem fétida" para dentro do porta malas. Naquele horário não havia viva alma na rua. Certamente, o porteiro do prédio estranhou e ligou para a polícia. Rumamos para nosso esconderijo que era próximo. Lá trocamos de carro e seguimos com nossa carga para um cativeiro apropriado.

Uma Encomenda para um Novo MundoLeia esta história GRATUITAMENTE!