26- O TRATAMENTO

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Brasil, Curitiba, Hospital Pequeno Príncipe, ano de 2018   

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Brasil, Curitiba, Hospital Pequeno Príncipe, ano de 2018   

Nem chega a ser útil saber o que acontecerá: é muito triste angustiar-se por aquilo que não se pode remediar.

Marcus Cícero

Olhando para o deserto opressor, sem forças para levantar, minha memória me levou ao ano de 2018.

Entramos preocupados no hospital. Não compreendíamos como a menina poderia estar em Curitiba e em um hospital. O que deu errado? As consequências de nossos atos poderiam ser muito pesadas. A vida de uma criança não pode ser um joguete.

— Espere por aqui, eu vou falar com a recepcionista — disse Mariana com a voz trêmula.

Sentei no sofá da recepção com o estresse subindo pela garganta, agravado pelo clima agonizante do hospital. De longe podia ouvir a conversa de Mariana com a recepcionista.

— Viemos ver uma paciente. Uma menina chamada Jacira. Você sabe em que quarto ela está? E o nome do médico? Disseram-me que era urgente.

— Sim, o pai da menina estava angustiado. Acho que foi ele que pediu para te chamar.

— Como assim? O que aconteceu?

— Pergunte para ele. Ele acabou de entrar.

Meu sangue gelou quando vi o homem. Estava com uma camisa branca surrada, calça jeans e chinelos, quase irreconhecível sem aquele short vermelho que ele vestia na Amazônia. O pai de Jacira atravessou a porta e sua expressão foi de espanto quando reconheceu Mariana indo em sua direção. Vi então quando ele baixou a cabeça, parecia paralisado, com os braços soltos sem movimento. Mariana encostou a mão no ombro do pai, que iniciou um choro incontrolável. Levantei-me preocupado e fui indo até eles. Mariana abraçou o homem.

— O que aconteceu? O senhor está bem?

Lentamente, ele levantou a cabeça, mas quando seu rosto resplandeceu na luz fria do hospital havia um misto de choro e sorriso. Ele demorou a se recompor.

— Ela não tem mais nada. Os médicos não sabem como. Ela tá curada.

Uma cachoeira de alívio passou pelo meu corpo inteiro.Estávamos no trilho certo, o trem não havia descarrilhado. Cada vez sentia que nosso caminho seria de muitas vitórias. Continuava sem saber onde nos perdemos. 

Tanto eu como Mariana e Scarface, em que momento ficamos frios, cínicos a ponto de justificar tantas mortes?

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