24- CONSULTA GRÁTIS

334 51 10

Brasil, Amazônia, Comunidade Ribeirinha, ano de 2017   

Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.

Brasil, Amazônia, Comunidade Ribeirinha, ano de 2017   

Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.

Friedrich Nietzsche

As casas de palafitas das comunidades ribeirinhas da Amazônia formavam uma paisagem bastante peculiar. Eram construções adaptadas para as cheias e secas dos rios. Sustentadas por aparentes frágeis pés de madeira, ficavam acima do nível mais alto das águas. Simples e funcionais, tinham muito em comum com seus habitantes. Eu e Mariana procurávamos lá uma cobaia para testá-la em um medicamento poderoso. Nossa instituição chamada Sociedade Susfacilite estava constituída. Colocamos um nome pouco chamativo, pois não queríamos destaque. Tínhamos vários projetos em andamento. Apoiávamos mais de um milhão de iniciativas socioambientais promissoras, duzentas cooperativas voltadas a agroecologia e várias pesquisas inovadoras. O medicamento que tínhamos havia sido preparado seguindo informações bem precisas de minha mente. Para a produção dele fizemos uma parceria com a REAL LIFE e com a empresa de meu pai (Waldmann), que eu também gerenciava. Precisávamos testá-lo, mesmo que não oficialmente, para garantir o sucesso do produto. Todos os testes em animais indicavam que funcionaria perfeitamente em humanos. Além disso, minhas informações eram bem claras sobre o poder do remédio.

A substância era produzida a partir das secreções de uma nova espécie de rã identificada nas pesquisas da REAL LIFE na Amazônia. A promessa era de curar por completo os níveis mais altos de diabetes.

Caminhamos sobre estreitas pontes de palafitas numa área inundada do rio Guaperê e chegarmos a uma casa bastante deteriorada. Era o endereço que nos informaram. Um senhor de meia idade, moreno, atarracado e vestido apenas de shorts veio nos atender.

— Olá! Vocês são os dotô? Entra gente.

Entramos na casa guiados pelo ribeirinho. Havia redes em todos os cômodos e muitas crianças. Cheguei a pensar que, talvez, estivéssemos numa creche, mas não, as crianças eram todas filhos dele. Uma das crianças, com cerca de cinco anos estava descascando mandiocas na varanda com uma habilidade impressionante. Utilizava-se de um facão maior que ela. Fiquei aflito. A mãe das crianças estava na sala amamentando dois pequenos bebês.

— Venham, ela tá deitada na rede, anda muito cansada.

Fomos até a rede do quarto em que a menina estava deitada. As características indígenas se destacavam no rosto da criança, era muito bonita e tinha apenas oito anos. Mariana ajoelhou-se no assoalho, apoiando-se na rede começou a entrevista.

— Olá! Você deve ser a Jacira, certo? Eu sou a doutora Mariana, vim aqui para te examinar e tentar ajudar na sua recuperação. Como você está se sentindo?

— Oi. Tô sempre numa leseira muito grande. Quero dormir e às vezes vômito muito.

— Vamos medir sua temperatura e te examinar.

Mariana tinha jeito com crianças. Durante os exames fez várias brincadeiras arrancando sorrisos largos da garotinha. Eu gostava de ver a humanidade e perseverança de Mariana em ação. Depois de todos os exames fomos até a pequena sala da casa falar com o pai. Sentamos nas cadeiras de madeira da mesa de jantar juntamente com o homem aflito.

— Olhamos os exames e indicações dos médicos das missões evangélicas. Realmente sua filha tem diabetes e está com teores preocupantes de açúcar no sangue. Isso pode levá-la a problemas graves a qualquer momento — relatou Mariana.

— Os médicos da igreja nos avisô, mas para ela receber o tratamento tem de viajar pra Manaus e num temô dinheiro para o tratamento e nem para viajem. O SUS atenderia, mas a fila é enorme e o processo é bem penoso. Estamos organizando pra viajar. Disseram que vocês tinha como ajuda.

A mãe se aproximou para ouvir a conversa, ainda amamentando um dos bebês. Entrei na conversa:

— Nós podemos ajudar, mas de forma sigilosa. Temos como tratar sua filha e deixá-la melhor, porém, será uma experiência diferente, secreta. Garanto que com boas possibilidades de melhora.

Senti o olhar preocupado de Mariana. Parecia que estávamos fazendo algo ruim, mas eu não tinha dúvidas sobre minhas informações.

— O que de mal pode acontecer nessa tar experiência?

— A melhora pode não ser tão significativa e ficarmos na mesma condição que agora — foi à resposta técnica de Mariana.

— Pode começa agora memo. Ocês é de confiança eu sei.

Uma Encomenda para um Novo MundoLeia esta história GRATUITAMENTE!