21- ADOÇÃO

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 Alemanha, Karlsruhe, período de 1996 - 1998   

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 Alemanha, Karlsruhe, período de 1996 - 1998   

Não é preciso que a bondade se mostre, mas sim que se deixe ver.

Platão

A sorte voltou a me sorrir quando a família Waldmann me adotou. Recebi uma estrutura familiar e até mesmo intelectual que não teria vivendo no orfanato. O casal tinha preceitos éticos fortes e era abastado. Adorei-os desde o início. Gostava do fato de serem alemães e da forma como me tratavam. Quando a adoção concretizou-se morei com eles por uns dois anos no Brasil, mas depois tivemos que mudar para a Alemanha.

Morávamos na cidade de Karlsruhe, no sudoeste do país germânico, próximo a divisa com a França, as margens do Rio Reno. Uma das mais quentes de toda a Alemanha, com uma média de 10 graus célsius no ano, um frio de lascar para um maranhense como eu. Era toda planejada, seguindo o padrão de cidade jardim, mas com ruas radiais. Olhando do alto a cidade lembrava o formato de um leque. Tinha ruas e calçadas largas; uma limpeza impecável; transporte público de qualidade com bondes e ônibus charmosos; lojas, bares e restaurantes aconchegantes; universidades, castelos; museus; mais de oitocentos hectares de parques públicos; e um alto padrão de riqueza. Muitos funcionários públicos viviam por lá, pois era o lar dos tribunais federais mais poderosos da Alemanha. Uma cidade verde, a porta de entrada para a chamada Schwarzwald (Floresta Negra).

O meu pai adotivo, Christopher Waldmann, era por muitos considerado um homem sábio e justo. Não tinha o porte típico do alemão. Possuía cabelos negros, olhos escuros e não era muito alto. Porém, no intelecto era bastante germânico, muito persistente, focado e com princípios morais rígidos. A fortuna da família foi conquistada de forma digna e de geração em geração só aumentou, com exceção da época da guerra e pós-guerra, onde tiveram de se reinventar. As diversas empresas do grupo Waldmann sempre utilizaram tecnologia como base de seu negócio, investindo em ideias inovadoras no ramo de energia, computação, automobilístico e internet. Poucos sabem, mas muito da programação de softwares de empresas como Microsoft e Apple foram desenvolvidos por empresas do grupo Waldmann. Placas fotovoltaicas de alta capacidade de absorção, design de laptops, muitos aplicativos para celulares, até mesmo motos, eram exemplos de produtos desenvolvidos pelo Grupo Waldmann.

O empreendedorismo de Christopher sempre foi vibrante. Ele valorizava seus profissionais e conseguia constantemente resultados científicos e financeiros extraordinários. Era um empresário que sabia inspirar sua equipe e trazer à tona resultados incríveis.

Eu não tinha os mesmos talentos de meu pai adotivo, mas a família sempre depositou esperanças em mim. Desejavam que eu substituísse meu pai à altura. Minha mãe sabia que eu era diferente, mas também sabia que dentro da minha introspecção havia genialidade.

Por um bom tempo fui uma pessoa de poucas palavras, observador, focado e de muitas maneiras sensível. Admirava o meu pai extrovertido, inteligente e audacioso. A admiração era recíproca, pois Christopher me idolatrava também. Ele gostava das diferenças entre nós, me via como um complemento. Queria me passar toda sua energia e sabedoria.

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