Prólogo

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Notas: O assunto tratado na fanfic é "BDSM" (bondage, dominância, sadomasoquismo, masoquismo, disciplina, submissão e sadismo), Tudo aqui é fictício.
NENHUMA prática relativa à dor e ao prazer é apoiada por mim. Caso você não consiga diferenciar a realidade do proposto por BDSM (que também é real, mas é praticado por "poucas" pessoas, por ser extremamente pesado), NÃO leia. Os riscos são seus, a "deturpância" com a realidade também é sua.
BDSM não é um assunto leve, então não esperem uma história leve. 


Se há uma coisa no mundo que todos têm certeza, é que vão morrer. A diferença entre morrer na miséria e morrer misericordioso é a seguinte: o que você fez.

Claro que pessoas têm seus ideais, e muitas morrem misericordiosas quando deveriam morrer na miséria, mas, quem sou eu para julgá-las, não é mesmo?

Ri fracamente, caminhando pelo salão, ouvindo meus saltos baterem contra o mármore.

As outras pessoas no mundo eram o menor dos meus problemas naquele instante.

Cliquei no botão do elevador, vendo que o mesmo já descia. Dois homens de negócios saíram de dentro dele, caminhando lado a lado. Segui meu olhar grudado no segundo, enquanto ele virava levemente a cabeça, abrindo um sorriso para mim antes de se virar e continuar seu caminho para as portas principais.

Entrei no elevador, clicando no botão do último piso e então vendo as portas se fecharem.

As portas se abriram segundos depois, enquanto eu via Richard Smith me encarar, parando entre as portas de seu escritório.

Parei em sua frente, abrindo um sorriso tranquilo.

— Por que tamanha urgência, pai? — Ele me deixou passar em sua frente, então fechou as portas do escritório e foi até sua mesa, fazendo um gesto para que eu me sentasse nas cadeiras à sua frente.

— Preciso que você assine um contrato de confidencialidade. — Levantei as sobrancelhas. Sempre direto, afinal.

— E sobre o que vamos tratar?

Ele abriu um sorriso contido, abrindo a gaveta superior de sua mesa, então colocou um contrato sobre a mesa, virando-o para mim. Me estiquei, conferindo o conteúdo do contrato.

Pisquei algumas vezes enquanto lia as palavras por cima, vendo se estava lendo corretamente.

— Estaremos tratando sobre o futuro de minha empresa, Delilah. — Passei os dedos pelas linhas, então passando para as páginas seguintes antes de levantar o olhar e encarar meu pai.

— Então porque os quatro homens mais importantes do país estão citados nesse contrato?

— Porque eles são, simplesmente, o futuro da empresa.

Bati com uma unha na mesa, então concordei. Estava curiosa, e gostando eu ou não, ele era meu pai, e eu vivia sob seu teto. Peguei a caneta à minha direita, então assinando meu nome completo. Assim que bati o ponto em minha assinatura, meu pai colocou uma de suas mãos na mesa, se encostando na cadeira e me encarando.

— Esses homens queriam um acordo comigo. Eu poderei administrar suas quatro empresas em conjunto, garantindo que todos sejam informados diariamente do que anda acontecendo com as finanças, contanto que eu lhes desse algo em troca. Como você sabe, eu venho tentando isso há anos, e finalmente consegui contato e informações. — Concordei, me afastando da mesa e encostando-me na poltrona. Eu sentia que meu próprio pai tinha feito um acordo com o diabo, e também sentia que eu fazia parte do acordo, o que não me surpreenderia. Se havia algo que eu aprendera durante os anos, é que administrar uma empresa era pura política (além de interesses). — Eles pediram uma simples coisa em troca. Uma mulher, minha querida. — Não demonstrei uma reação sequer, me mantendo impassível. — Como você sabe, eu conheço muitas que fariam qualquer trabalho sujo, mas eles estavam interessados na pessoalidade da situação. Eu estaria com suas empresas em mãos, e em troca, eles teriam algo meu em mãos. Eles pediram por uma de minhas filhas, a escolha. — Aí estava o acordo com o diabo que eu estava metida, é claro. Tudo pela empresa, como sempre. — Você ganhou o bilhete premiado.

Ele parou completamente, esperando pela minha reação.

— E por que você achou que tinha esse direito? — Perguntei, encarando-o no olho. Ele manteve-se impassível, mas eu sabia que internamente ele estava prestes a se levantar e me dar um tapa.

Eu podia ter a melhor criação do mundo, mas isso era apenas pelo lado de minha mãe.

— Tenho total direito de fazê-lo.

— Eu sequer sou a herdeira dessa maldita empresa, por que não ela? — Apontei com a cabeça para a imagem que meu pai tinha no canto da sala, dele com minha irmã ao seu lado. A queridinha.

Meu pai abriu um sorriso falso.

— Porque não sou eu que escolho, Srta. Smith.

Neguei com a cabeça, incrédula.

— Como você ousa?

— Da mesma maneira que eu ousaria fazer com sua irmã: fazendo. — Balancei a cabeça, incrédula. Não sabia como eu ainda me surpreendia. — Não me importo com as consequências se meu objetivo final for concluído.

Como já devia ser óbvio, meu pai era um canalha de primeira.

— E é claro que você vai aceitar o que eu te propor, você vai sorrir para eles, vai aceitar tudo de bom grado, vai fazer tudo e ainda continuará sorrindo.

Senti meu sangue subir, mas mantive a mesma expressão.

— Por que eu faria isso?

— Pelo bem de nossa família. — Ele fez uma pausa tranquila, mas eu sabia que a ameaça estava entrelinhas. — E do meu dinheiro. — Claro que sim.

— E se eu não quiser, papai? — Retruquei.

— Você vai querer, Delilah. — O tom de ameaça surgiu, enquanto eu ignorava.

Meu pai havia acabado de me propor que eu deveria me vender para quatro homens. Por quê? Porque ele queria poder e dinheiro.

Eu sabia o quanto os quatro homens eram importantes. Seus nomes estavam em todo o mundo, eles estavam em capas de revistas, eles eram notícia. Assim como sabia que todos eles eram adultos, assim como eu e meu pai, e não imaginava que alguém nesse ramo era capaz disso. Principalmente meu pai.

Eu estava enganada.

— Não está curiosa para saber o que eles pediram além de você? Eles propuseram algo bem interessante. — Meu pai jogou a isca, enquanto eu trincava o maxilar.

O pior é que eu realmente estava curiosa. Irritada, mas ainda assim curiosa.

— Ok, o que eles propuseram? — Cedi, fechando ambas as mãos em punhos, impedindo-as de tremerem.

— Você já ouviu falar de sadomasoquismo? — Todo o meu autocontrole caiu no chão como se tivesse sido neutralizado.

— Já.

Puta merda.

Ele abriu um sorriso vencedor.

— Você tem cinco dias para me dar um sim verdadeiro como resposta.

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