Os seguidores das trevas 2 de 2

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Vim o caminho inteiro praticamente só falando com Franz que me contava suas últimas safadezas em meio às noites de Berlin. Apesar de estar com Eleonor e dizer publicamente que a adorava, Franz sempre foi do tipo boêmio. Como ele sempre me dizia "Eu me canso fácil e preciso dar minhas saidinhas para acalmar os ânimos". Enfim, se não fosse a situação no qual estávamos, certamente esse papo renderia boas risadas, mas por causa da tal ameaça minha cabeça divagava longe em vários momentos.

O cocheiro nos avisou da chegada depois de pouco mais 25 min de viagem. Ao descer lembro-me de ficar impressionado com o palácio, que aparentava ter mais de cinco pavimentos além de um possível terraço. Tudo era muito bem limpo, os jardins eram finamente ornamentados e já na grande porta de madeira que guardava a entrada, fomos recebidos por três mordomos. Eles trajavam roupas com cortes precisos e em tons de preto. Suas vestes eram muito bem costuradas e todo aquele visual ainda era complementado com sapatos muito lustrosos e luvas brancas, que os tornava impecáveis.

Ainda na entrada um dos homens nos indicou um capacho e depois uma espécie de escova giratória movida à manivela que removeu quase toda sujeira de nossos calçados. Eu realmente estava como dizem "de cara" com todo aquele luxo e limpeza, que nem mesmo Eleonor em seus dias de maior empolgação conseguiria compor.

Depois de alguns instantes e já dentro do lugar fomos acompanhados por um dos homens da recepção, que também não nos disse uma palavra e apenas nos conduziu até o subsolo. Ao longo do caminho percebi várias paredes decoradas com pinturas iluministas e conforme percorríamos o local, cada vez mais eu ficava impressionado com a extrema organização e higiene de tudo.

O subsolo também era muito decorado com tapetes, porcelanas e pedestais que continham fortes lâmpadas de óleo. Na verdade, parecia um andar como os outros, talvez com o teto um pouco mais baixo e obviamente não possuía janelas. O mordomo que nos acompanhava, parou próximo a uma porta e depois de abri-la apenas nos indicou a entrada. Georg foi o primeiro a entrar e eu fui logo atrás, ficando mais ainda impressionado com o que havia dentro do lugar.

O pé direito era altíssimo e devia ocupar o espaço de pelo menos três andares. Nele havia um pomposo jardim de inverno, com plantas raras para a região e até mesmo alguns animais pequenos os quais eu só havia visto pela américa. O teto em forma de abóbada também possuía desenhos e algumas fissuras, que provavelmente eram aberturas, talvez para chuva ou luz do dia.

Fomos recebidos pelo próprio dono do lugar, que estava sentado em uma bela poltrona, praticamente um trono. A sua frente uma longa mesa com várias cadeiras e ao seu lado estavam duas morenas humanas maravilhosas. Os trajes delas eram minúsculos e pareciam odaliscas, tanto pelas roupas como pela aparência exótica com traços orientais.

O homem tinha aparência de uns 40 anos, seus cabelos longos possuíam poucos fios grisalhos e apesar de seus quilos a mais ele não era feio ou velho. Estava sem camisa, usava apenas uma calça larga em tom claro, digna de algum sultão e sua energia não era humana, apesar do coração ativo. Lembro que ele estava se levantando para provavelmente nos cumprimentar, quando Georg nitidamente usou de sua velocidade e parou na frente do homem dizendo:

– Lord Gualbert é sempre um prazer revê-lo!

Diante da aproximação rápida ele apenas sorriu e continuou o cumprimento:

– Sempre com pressa meu amigo, sois o primeiro a chegar, sente-se deseja algo para degustar enquanto esperamos os outros?

Quando ele falou em degustação uma das mulheres colocou as mãos no ombro de Georg, que de imediato escorregou os ombros, segurou uma das mãos da mulher e disse sorrindo um pouco:

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