15 - Além do Espaço-Tempo

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Sabrina se viu em um lugar muito bonito. Havia árvores baixas e outras gigantescas, com folhas douradas por toda parte. Observou uma cidade com ruas brilhantes, que estavam perfeitamente decoradas com árvores e calçadas douradas. Parecia um lugar feito especialmente para ela.

A menina avistou o Jardim Botânico, que estava diferente: as cúpulas grandes e ornamentadas tinham um tom brilhante. O labirinto de plantas em frente à estufa continha enormes flores que Sabrina jamais conhecera.

Em frente à estufa, sentado em um banquinho, observando o espelho d'água, Sabrina avistou um senhor bem idoso, com os cabelos brancos e uma roupa simples. Ela então andou vagarosamente em direção a ele, que se virou e sorriu. Pareceu um momento mágico, como se ele tivesse enxergado o tesouro mais bem guardado dele.

— Sabrina? — perguntou o ancião.

A menina, confusa, conhecia aquela voz. Era como se a tivesse seguido durante toda a jornada até aquele instante. Quem era aquele homem? Por que seguira aquele sentimento até ali? Não sabia explicar o porquê de tantas emoções explodirem no peito. Sabrina tinha lágrimas que escorriam e brilhavam como pedrinhas de diamante. Ao piscar os olhos e gotas brilhantes desaparecerem ao deixar sua face, o senhor não estava mais lá.

No lugar dele, um menino sorridente, o cabelo arrumado, olhos grandes e claros. A pele lisa como a de um recém-nascido. Acenou com a mão direita, desajeitado.

— Felipe? — chorou.

— Sabrina! — o amigo correu para abraçá-la. Sorria. Os dois então se entregaram a um abraço tão apertado que cada um pôde sentir o coração do outro bater. — Sabia que a encontraria aqui! — disse o menino com os olhos ligados aos da menina, que sorria e ao mesmo tempo tinha marcas molhadas no rosto.

— Não podia deixar de vir — disse a menina, abraçava ainda mais forte o amigo, como se nada mais importasse naquele momento.

Com todo o poder do sentimento ali envolvido, os dois partiram daquele local para a imensidão de todas as realidades e dimensões existentes, foram absorvidos pelo próprio espaço-tempo, pois faziam parte intrinsecamente um do outro e do todo ao mesmo tempo.

Deixaram de existir em um ponto para sobreviverem em todos os lugares em um único momento. Eram feitos daquela emoção, algo tão grande que não lhes cabia dentro de qualquer vida. Uma ligação que durava além das memórias. Pois uma lembrança sempre irá persistir entre todas as outras perdidas. Um laço que ultrapassava os limites da razão. Sentimento que perdurava muito mais que o tempo.

Era amor.

O Conto das Lembranças PerdidasLeia esta história GRATUITAMENTE!