Capítulo 16

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Oi, pessoal! Desculpe não ter aparecido por aqui na quinta-feira, mas cá está o capítulo da semana. Se quiser ler tudo de uma vez, compre ebook ou livro na Amazon.com.br. A autora aqui agradece muuuuito! Boa leitura com o capítulo de hoje. Comentem. :)

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No dia seguinte foi a mesma agonia. Dormiu com a expectativa de acordar e tudo não ter passado de um pesadelo. Mas, para sua tristeza, acordou cisne novamente.

Foi assim durante toda a semana. E numa quarta-feira, quando já estava à beira do desespero, esperou o tardar do dia para pegar Ronald desprevenido. Lúcia a alertara, praticamente implorara, para que não o fizesse. O produtor já tinha dado provas suficientes de que era louco e poderoso. Muito mais poderoso do que podiam imaginar. Mas Elena não se importou com os avisos. O que de pior poderia lhe acontecer?

Escondida no estacionamento do teatro, esperou até o alarme do carro de Ronald ser desativado. Ele caminhava em direção ao carro, mas ainda conversava com um dos produtores, então não percebeu quando Elena entrou pela porta de trás.

Ronald terminou a conversa, entrou no carro, arrumou o retrovisor, ligou o som e, quando ia dar partida, olhou mais uma vez para o retrovisor.

Holy shit! – gritou ao encontrar uma Elena furiosa no banco carona. Mas tão logo o susto veio, ele passou – What the fuck are you doing? – Agora ele era pura ira.

– Você sabe muito bem por que estou aqui. – O tom de Elena foi seco, cortante.

Pelo espelho retrovisor, percebeu-o dar um sorriso perverso.

– Não imaginava que era dessas. Apesar de que – pausou para avaliar a figura dela – as que têm cara de santa são as que dão mais gostoso. Quer que eu vá até aí ou prefere no banco da frente?

Elena abriu a boca em choque, repulsa e ódio. Foi para cima dele com uma lixa de unha coberta pela manga do moletom que usava, dando a impressão de estar empunhando uma faca.

– Escuta aqui, seu nojento – ela segredou bem perto do ouvido de Ronald enquanto pressionava a ponta da lixa quebrada no pescoço dele. – Você vai fazer o seguinte: pedir desculpas por ter me confundido com uma vagabunda e, depois, vai retirar o feitiço.

Ronald parou de rir no momento em que sentiu o objeto pontiagudo espetando seu pescoço. Engoliu em seco e não ousou virar para trás e correr o risco de cortar a si próprio. Fitou-a pelo espelho retrovisor, mas se ela achava que ele entregaria os pontos tão facilmente, estava enganada.

Well, well... lobo vestido em pele de cordeiro. Vai fazer o quê, se me matar?

– Eu não quero. Mas se precisar, eu vou. Quem sabe assim o feitiço se quebra?

– Mas do que é que está falando?

– Não se faça de idiota! – ela gritou. – Aquele dia em que tentou me ajudar no ensaio era só uma desculpinha para pôr a maldição em mim, sem correr risco de ser descoberto. Mas se você não fizer nada para retirar, eu vou te denunciar. Vou contar para todo mundo quem você realmente é.

– Ninguém vai acreditar em você.

– Será? E se eu mostrar para eles o que acontece comigo quando amanhece? Eu vou falar que foi você quem fez isso.

– Você não tem como provar.

– Você que pensa.

Ronald se esqueceu da suposta faca que ameaçava sua vida e se virou para trás, depressa, para encará-la.

– Está mentindo – concluiu, feroz.

– Quer arriscar? – Elena o desafiou, empinando o queixo e pressionando mais uma vez a lixa contra o pescoço dele. – Volta para o seu cantinho agora e começa. Reza, medita, faz poção, recita, ou seja lá que caralho precisar, para reverter minha situação.

– E se eu não fizer?

– Você morre.

– E você estará perdida – ameaçou.

– Não me tente. Eu não tenho mais nada a perder.

– Não mesmo? – Ele arqueou a sobrancelha em triunfo. – Uma carreira, uma amiga, uma mãe, um pai. De repente pode acontecer alguma coisa com um deles.

– Você não ousaria! – Ela perdeu as estribeiras só em pensar na ideia de vê-los feridos ou mortos.

Seu lapso de distração foi sua ruína. Ronald a pegou pelos braços e torceu-os de modo que a lixa escondida sobre o moletom foi revelada. Lutaram um pouco desajeitadamente, porque, além de estarem no carro, nenhum dos dois era lutador nem nada. Elena tinha a vantagem de ser mais jovem, portanto, mais rápida e flexível. Espetou a lixa quebrada no antebraço dele e abriu a porta do carro para correr. Ele foi atrás.

– Você tem muito mais para perder do que eu, Elena – ele rosnava, gutural e cansado. – Sou mais famoso, mais rico e poderoso. Não quero você no meu caminho. E se insistir nessa merda de feitiço, te tiro do espetáculo e ainda te faço passar por louca. Nunca mais vai conseguir trabalho em lugar nenhum. Eu te garanto.

Elena ouviu as ameaças em silêncio revoltoso. Ela nada podia contra ele. De fato, ele poderia acabar com sua carreira. Mas, pior do que isso, era o risco de ele fazer mal às pessoas que amava.

***

Relatou o ocorrido à Lúcia, que quase teve um ataque do coração ao ouvir a narrativa.

– Você... não... acredito... está bem? – As palavras saíam sem sentido porque Lúcia estava temendo por ela.

Lúcia a abraçou forte em sinal de proteção e, também, para ter certeza de que estava tudo bem – ao menos fisicamente – com a amiga.

– Vamos dar um jeito – assegurou para Elena que, ao ouvir as palavras, finalmente se permitiu chorar.

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O Canto do Cisne: Um conto de fadas modernoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora