1 - Perdida

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— Que lugar é esse? Eu estava indo visitar o meu melhor amigo quando de repente... Onde estou? Como vim parar aqui? Estou confusa! Quero ver o meu amigo, mas não faço a mínima ideia de onde ele pode estar, sendo que não sei nem onde eu estou... — disse a menina magrela e baixinha desesperada, encarando um homem que tinha a bela cor do céu à noite.

A menina era muito meiga e tinha uma voz doce. Os cabelos eram encaracolados e tinham uma cor castanha clara, quase loura. A pele era quase dourada e tinha um tom rosado nas bochechas. Usava um vestido xadrez: preto, vermelho e branco, que ia até a altura do joelho, até ele também ia uma meia branca e os pés calçavam sandálias pretas, que deixavam parte de seus pés parecerem gordinhos.

— Acalme-se, Sabrina — disse outro homem, que estava ao lado do homem negro. Este era muito branco, tinha olhos azuis e um cabelo bem louro. Um tom rosado, igual ao de Sabrina, também coloriam suas bochechas.

— Eu estou tentando, mas nenhum de nós sabe onde estamos, Scott — Sabrina virou-se para o homem louro. — Nem Erevu sabe onde estamos. E ele está aqui há muito mais tempo...

Scott virou-se para Erevu, o homem negro, que observava o desespero da menina em silêncio.

— Mas já sabemos para onde temos que ir — disse Scott. — O Homem das Asas Negras disse que devemos ir por aquele caminho.

Scott apontou para uma direção às costas de Sabrina. Os três estavam em uma floresta com árvores estranhamente tortas. Algumas tinham forma de rostos em seus troncos e outras de animais. As folhas pareciam grudadas umas nas outras e a maioria não tinha frutos, as que os possuíam Sabrina ainda não tivera coragem de comer.

O céu tinha uma cor avermelhada, parecia que o Sol brilhava por detrás de nuvens. Às vezes, ficava um pouco escuro, mas a maior parte do tempo a paisagem estava a mesma: uma brilho forte vindo do céu iluminando tudo.

— Ah! — Sabrina virou-se de costas para Scott, que vestia uma roupa suja de poeira. — Eu não o vi e não sei se dá para confiar. Tem certeza disso?

Scott fez cara de irritado.

— É — disse Erevu, enfim. — Eu não vi ninguém, mas creio que não temos muitas opções. Já estou aqui há muito tempo e ninguém nunca tinha aparecido dizendo como voltar pra casa... Talvez seja a nossa chance.

Sabrina ficou pensativa. Tudo o que ela queria era encontrar o melhor amigo, que devia estar esperando-a no lugar marcado. Porém, ela então estava perdida e não tinha ideia de como encontrar o trajeto de volta.

— Tudo bem — disse a menina. — Podemos ir por este caminho. Não temos o que fazer mesmo...

O céu ficou azulado e logo a floresta ficou ainda mais sombria, como se estivesse prestes a chover. Sabrina roçou um braço no outro e observou os olhos escuros de Erevu.

— Não vai chover — disse ele.

— Como você sabe? — perguntou Scott, que se pôs a andar na frente deles, como se devesse guiá-los.

— Desde quando cheguei aqui, nunca choveu. — Erevu fez uma expressão de tédio.

Sabrina andava entre os dois homens. Apesar de sombria, ela queria acreditar que talvez os três estivessem seguros na floresta, mas Erevu a alertou de que havia perigos escondidos por todos os cantos daquela terra esquisita. A menina de dez anos tinha passos curtos, andava devagar, mas Erevu e Scott não a apressavam.

A garota não se lembrava de como fora parar naquele lugar. Por mais que tentasse não conseguia tirar nada da sua engenhosa mente que explicasse estar perdida entre aquelas árvores de formas tão diferentes que mal pareciam reais.

***

Felipe era um menino muito amigável e doce. Ele tinha uma melhor amiga chamada Sabrina, muito meiga. E ele também a achava bonita.

Felipe a esperava no mesmo lugar que sempre brincavam juntos: o Jardim Botânico. Era lá, sobre aqueles gramados, entre plantas e árvores, que Sabrina e ele se sentiam felizes. Como se fossem mais até que irmãos.

Mas naquele dia ela não tinha chegado ainda. Felipe já estava preocupado. Perguntava-se o que poderia ter acontecido com ela. Será que a mãe de Sabrina não tinha a deixado brincar? E se ela estivesse de castigo? Porém, se fosse isso, ela teria ligado em seu celular.

O que teria acontecido? E se ela estivesse perdida?


***

Apesar de ainda estarmos no comecinho, já quero lhe agradecer a leitura! É muito importante para mim e para a minha história. E se gostou não esqueça de deixar o seu voto!

O Conto das Lembranças PerdidasLeia esta história GRATUITAMENTE!