18 - CONVITE INUSITADO

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Brasil, Curitiba, Universidade Federal do Paraná, ano de 2006

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Brasil, Curitiba, Universidade Federal do Paraná, ano de 2006

Um homem não é outra coisa senão o que faz de si mesmo.

Jean Paul Sartre

Me vi no dia de minha última aula, da última disciplina que precisava cursar para finalizar os créditos de meu mestrado.

O céu de Curitiba, como usual estava nublado. Da janela da sala de aula sentia um vento frio entrar. Gostava da cidade. Charmosa, autêntica, cheia de vida e pessoas diferentes. Geralmente, organizada, com ônibus biarticulados, praças, parques, arborização urbana e um povo, predominantemente, bem instruído. O professor Blum de Dendrologia II explicava como identificar algumas espécies de árvores utilizando das características macromorfológicas. O meu mestrado havia sido, até aquele momento, muito estressante, pois senti o peso da política e da competição de egos existente na universidade. Fazia pouco mais de dois meses que o conselho acadêmico decidira me tirar à bolsa de estudos. Minha situação financeira era boa por causa dos meus pais, mas gostava de ter mais independência financeira. De início não entendi o motivo. Inventaram regras e disseram que eu não cumpri metas de publicação, porém, mais tarde, descobri que transferiram minha bolsa ao filho de um grande empresário que patrocinava várias pesquisas de professores influentes. Escolheram a minha, porque meu professor orientador era pouco entrosado com o grupinho especial. Fiquei puto com isso. Realmente, eu não tinha muitas publicações, mas elas eram de qualidade. As revistas que as aceitaram eram de altíssimo nível. Pena que muitas vezes se dá mais importância à quantidade e não a qualidade.

Minha última aula foi interrompida. Alguém vestindo um terno clássico, após bater na porta, se apresentou dizendo:

— Com licença professor! Estão chamando por Bruno Lopes Waldmann na sala da reitoria.

O professor me olhou curioso e fez um gesto para que eu acompanhasse o intruso. Cruzamos boa parte da universidade. Passamos por gramados extensos e várias edificações antigas, corredores frios e chegamos à uma sala onde o reitor nos esperava. Não era propriamente a sala dele, pois ele não ficava naquele centro. De toda forma era uma sala que impunha respeito. Móveis em madeira, pela cor, imitavam o mogno. Um belo tapete com o símbolo da Universidade Federal do Paraná e uma mesa de reuniões me chamaram a atenção. O reitor, um senhor simpático, baixinho, de barba cerrada e negra, estava acompanhado de outra pessoa. Esse outro usava óculos, era prognata e tinha o rosto alongado. Vestia um terno esquisito de cor arroxeada, algo bastante excêntrico. Tinha aparência de estrangeiro. Ambos estavam sentados à mesa e aguardavam a secretária acabar de servir-lhes o café. Pediram que me sentasse e me ofereceram do café.

— Bruno Lopes Waldmann, meu precioso aluno. Fique ciente que sabemos de seus feitos aqui na universidade e de sua genialidade. Este senhor veio propor uma boa negociação para você e esta universidade — disse o reitor com um sorriso encantador.

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