Após a Tempestade

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Capítulo 10

Após a Tempestade

          Eu dormi por uns bons três dias depois de minha... "luta" contra o Duque das Correntes. Aparentemente eu realmente havia quebrado algumas costelas, bem como perdido dois dentes e tido parte do meu estômago esmagado. Se a Tigresa não tivesse me dado tratamento intensivo com o equipamento do antigo médico da cidade, eu provavelmente não teria sobrevivido. Mas, no fim das contas, eu estava vivo e bem, mesmo que os dentes falsos que foram feitos para substituir os antigos me fizessem salivar bastante. Não é a melhor das cicatrizes de batalhas para se receber.

          Dragão, felizmente, havia decidido pegar leve em meu treinamento até que eu tivesse me recuperado totalmente. Minhas costelas não estavam totalmente boas e a marca da corrente que havia me acertado no rosto ainda estava um tanto visível. Em vez de ter que ficar movendo coisas pesadas de um lado para o outro, eu tinha que carregar as coisas deles para seus novos cômodos. E alguém pensaria que, depois de ter ganho a nova base para nós, eu seria tratado com um pouco mais de respeito.

          Mas o mais bizarro da situação toda era a Boneca. Pelo o que eu havia escutado, ela tinha ficado do meu lado o tempo todo enquanto eu recebia o tratamento e, mesmo depois de eu acordar, ela ficava me seguindo de um lado para o outro enquanto eu colocava as coisas no lugar. Eu estava começando a me acostumar com ela, mas ver uma pessoa tão assustadora agir daquela forma era... estranho. Mas a comida dela era boa.

          — Trabalhando duro, hein, Brayan?

          A voz de Cavala soou de cima do beliche que ela havia conseguido para colocar no quarto dela, não que ela fosse dividir com Coque, aparentemente a cama de baixo era onde ela largava as roupas dela. De qualquer forma, ela havia adquirido o hobby de ficar me observando enquanto eu carregava as coisas dela e de Coque.

          — Seria melhor se você me ajudasse com a sua bagagem, não acha?

          — O Dragão não ia gostar de eu interferir no seu treino.

          Era uma desculpa válida, mas duvido que esse fosse o verdadeiro motivo dela. Aposto que ela estava gostando de me ver carregando as coisas dela de um lado para o outro enquanto ela fica de papo para o ar. Não tinha explicação de porque ela me falaria para mudar a bendita caixa de sapatos de lugar três vezes. E ela nem havia tirado os sapatos dela ainda!

          — E suas costelas? Já estão boas?

          — Ainda doem seu respirar fundo.

          — Então não respire fundo.

          Eu não sei dizer se ela está sendo gentil ou apenas se divertindo as minhas custas. De qualquer forma, àquela altura, a Coque havia chegado no quarto.

          — Ah, senhor Brayan. A senhora Tigresa pediu que eu o chamasse, ela disse que precisa falar com você.

          — Certo, então acho melhor eu ir agora.

          — Não se esqueça que você ainda tem caixas para trazer — disse Cavala enquanto eu saia do quarto.

          —Eu cuido disso depois.

          Francamente, aquela garota realmente consegue me dar nos nervos algumas vezes.

          Mas de qualquer forma, como é que ainda havia tantas caixas para trazer? Eu estivesse inconsciente por três dias e os outros já pareciam morar na cidade há anos, era de se esperar que eles pelo menos tivessem arrumado seus próprios quartos. Mas isso me lembrava de uma coisa.

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