Capitulo 1.

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Me chamo Owen Benett, tenho 24 anos, e estou em busca de respostas sobre mim e minha família. Sempre me fiz perguntas, e quase todas elas eram sem respostas. De onde eu vim, quem são meus pais, porque eu estava aqui, qual o sentido da vida, porque nada nunca deu certo, porque eu sou diferente de todos, entre várias e várias outras perguntas. Passei minha infância e minha adolescência inteira me perguntando, chegou a hora de descobrir.

Fui deixado na porta de um orfanato com alguns meses de vida, e fui adotado por uma família poucos meses depois que cheguei. Não tenho do que reclamar, mesmo com poucas condições, meus pais adotivos sempre me deram tudo, nunca me faltou nada. Tenho uma irmã sete anos mais nova, ela se chama Lauren, sempre foi minha melhor amiga, e me apoiava em tudo. Já não posso dizer o mesmo do Pitter; ele é dois anos mais velho que eu, e sempre deixou bem claro que não gosta de mim, ele sempre arruma um jeito de me deixar mal e triste. Minha mãe se chama Danita, e meu pai se chama Antony, eles são maravilhosos, sempre fazem de tudo para que eu sorria. Acho que todo mundo sabe que fui adotado, até porque sou bem diferente deles. Eles são loiros, olhos azuis, franzinos e iguais uns aos outros. Já eu, sou bem diferente, tenho cabelos escuros, olhos verdes, tenho um porte atlético, e sou muito alto, e não tenho nada que me faça ser parecido com eles.

Aconteceram coisas estranhas comigo, por toda minha infância. Eu sempre conseguia ser mais rápido e forte que os outros amiguinhos da escola, mais inteligente, memorizava tudo, e aos meus 24 anos, meu corpo já havia mudado completamente, e uma coisa bizarra aconteceu. No dia anterior ao meu aniversário, eu não tinha nada em meu corpo, não tinha tatuagens, não tinha piercings e brincos, nem nada diferente ou esquisito.

No dia do meu aniversário, quando acordei, me assustei ao tirar a camisa e me olhar no espelho. Havia uma tatuagem em meu corpo, uma enorme tatuagem, vale ressaltar. Era uma cerejeira, seu tronco saia do meu oblíquo externo, tomava o lado direito das minhas costas, e alguns galhos subiam pelas minhas costelas, e suas flores eram brancas, era de uma beleza imensurável. Me assustei e comecei a me questionar como aquilo apareceu ali, porquê, e se eu tinha saído a noite, bebido e feito essa tatuagem na loucura.

Fui correndo ao banheiro, lavei meu rosto achando que de fato, estaria vendo coisas, voltei para o quarto e me olhei no espelho novamente, estava mais pálido que o normal, meus olhos estavam arregalados, com uma cara de assustado. E a tatuagem ainda estava lá. Vesti o moletom, desci para o café da manhã, dei bom dia a todos e sentei-me a mesa. Minha mãe me olhou e logo falou:

— Está tudo bem, meu filho?

A respondi logo em seguida:

— Claro, mãe. Por que não estaria?

Abri um sorriso forçado, ainda assustado e cheio de perguntas. Ela respondeu me olhando:

— Por nada, filho.

A olhei por um tempo, e perguntei:

— Mãe, eu sai ontem?

Ela sorriu, e falou:

— Com 24 anos e já anda esquecendo o que faz? Ela riu, e prosseguiu: Não, você não saiu. Ficou até tarde vendo televisão conosco, tomou um pouco de vinho e subiu pra dormir.

Fiquei ainda mais pensativo, tomei o suco, e quando já ia me levantando da mesa, todos falaram juntos "Feliz aniversário!!!". Sorri vermelho, agradeci, pedi a bênção aos meus pais, peguei minha mochila e fui para a rua.

Meu pé de cerejeira branca. Livro I. Leia esta história GRATUITAMENTE!