Duas cidades, duas medidas

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Em algum lugar no mundo paralelo a nossa realidade, existiam duas cidades bem próximas uma da outra, Captonia e Soccianea, que apesar da distância mínima entre elas, eram duas cidades bem diferentes. Captonia era a cidade da competitividade e do egoísmo, lá todos só queriam ganhar dinheiro a qualquer preço e não havia ninguém que pudesse impedir isso, pois o comendador regente da cidade, nada podia interferir nas decisões e consequências de seus cidadãos. Por isso lá, haviam muitas pessoas ricas e muitas pessoas pobres também, além daquelas que trabalhavam dia e noite, pois sonhavam em um dia serem ricas.

Mesmo existindo um comendador regente na cidade, o poder estava na mão dos que tinham mais dinheiro, desta forma, todos faziam de tudo para ganhar cada vez mais dinheiro. Se alguém queria ter direito a saúde, educação, moradia ou qualquer outra coisa, deveria trabalhar e ganhar dinheiro para poder usufruir desses direitos.

Já na cidade ao lado, a situação era bem diferente. Soccianea, não tinha egoísmo, era a cidade da igualdade, onde todos tinham os mesmos direitos e as decisões da população, centralizavam-se no comendador regente. Era ele quem decidia assuntos sobre saúde, educação, emprego, moradia e profissão que cada um deveria seguir. Tudo passava por ele, além disso, não existia nem o mais rico, nem o mais pobre nessa cidade, todos eram iguais. Exceto o comendador, que retinha boa parte do dinheiro da cidade. Afinal era ele quem tinha o poder.

Em um dia qualquer, na gloriosa cidade de Soccianea, um jovem chamado Gabriel foi escolhido para ser médico, emprego no qual ele recusou, mesmo sabendo que era uma das regras da cidade, ele não se conformou. Por que não poderia ser o que ele queria? Afinal, seu sonho era ser jornalista, sempre fora sua vocação, por que ele tinha que seguir essas regras e ser infeliz por toda sua vida? Não havia sentido algum nisso, decidiu então questionar o comendador e convencê-lo a mudar de ideia.

Porém, ao fazer isso, o comendador não se conformou com a petulância do rapaz e o mandou para a prisão. Gabriel com toda a revolta que o apossava, fugiu daquele lugar em menos de vinte minutos. Correu o máximo que pode, não viveria mais naquela cidade, pensava, enquanto continuava correndo. E ele correu mais ainda, enquanto sua raiva só aumentava, correu tanto, que distraído, nem percebera o muro a sua frente e deu de cara com ele.

Era um muro muito alto, olhou a sua volta e não havia para onde ir. Como não havia saída, teria que escalar, e ele, não desistiria tão fácil assim de sua jornada que acabava de começar. Gabriel escalou o muro com muito sacrifício, mas por fim, conseguiu chegar ao outro lado.

Entretanto, quando terminou de descer, quase caiu em cima de um homem que dormia no chão, estava todo tudo sujo e em farrapos. Gabriel se perguntou o que aquele homem fazia deitado ali, no chão. Quem era ele? Por que estava vestido daquela forma? Bem, não importava, resolveu prosseguir, porém, distraído como estava ao se afastar do homem, esbarrou em um outro homem totalmente arrogante, vestido em um terno muito chique, estava falando no celular e segurando uma pasta na mão, andava muito apressado.

Pediu desculpas e seguiu adiante, logo em seguida viu um homem vestido de forma comum correndo atrás de um ônibus, preocupado, pois não poderia se atrasar. Tentou atravessar a rua e quase foi atropelado por um carro luxuoso, depois por um fusca, seguido por uma bicicleta.

Mas que bagunça, que lugar era aquele? Estava na cara que não estava mais em Soccianea, o jovem Gabriel havia ultrapassado as barreiras e chegado em Captonia, a cidade do dinheiro e do egoísmo.

Passou alguns dias por lá, observando e vivenciando as loucuras daquela cidade tão desigual. Viu uns com muito, outros com muito mais e outros com nada. Via pessoas diferentes, pessoas morrendo, pessoas esnobes, pessoas com fome e pessoas vazias. Aquilo não era aceitável, como poderiam viver assim? Sem se importarem uns com os outros? Gabriel decidiu tomar uma decisão, ia falar com o Comendador Regente de Captonia.

Captonia e Soccianea - Duas cidades, duas medidasOnde as histórias ganham vida. Descobre agora