Prólogo

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"Como fantasmas vociferantes, eles reaparecem em montanhas que estão amontoadas com medo. Mas você é um rei e eu sou um coração de leão. Sua coroa abre o caminho enquanto nós nos movemos lentamente. Passe os olhos curiosos daqueles que foram deixados para trás. Embora muito longe, nós ainda somos os mesmos".

King and Lionheart, Of Monsters and Men

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PRÓLOGO


Palácio de Gelo, Reino do Ar, Província Elemental

(Dez anos antes)

A Rainha do Ar estava, ironicamente, sem ar. Seus pulmões pareciam arder enquanto ela tentava, sem sucesso, respirar. A mulher, alta e imponente, precisou de apoio para manter-se de pé. Ela encostou suas costas contra a parede fria e fitou a taça vazia em suas mãos com os olhos azuis arregalados com o espanto.

- O que... você... fez? – foram palavras difíceis de dizer.

O homem sorriu. Um sorriso mordaz, perigoso. O olhar dele faiscou e a gargalhada finalmente saltou da sua garganta. A rainha sentiu um ódio profundo saltar em seu peito.

- Aprecie o vinho, Majestade – ele disse, fazendo uma reverência fingida. Sua voz rouca e baixa não podia ser ouvida do lado de fora do quarto da rainha. Mesmo se pudesse, quem ousaria guardar a porta dos aposentos reais quando a rainha tinha expressamente ordenado que isso não acontecesse? Ninguém viria salvá-la. Tola, ela pensou mais uma vez. Tão tola! – Note que é da melhor safra do Reino da Terra.

- Você me envenenou! – a rainha acusou, tentando manter-se firme. Sua visão começava a nublar perigosamente.

Jan Aresto era uma mulher respeitada e temida em seu reino. Não era amada, mas o temor já lhe era suficiente. Alta e esguia, seus cabelos eram longos e da cor da neve. Brancos como os cabelos dos verdadeiros herdeiros do Trono do Ar eram. Jan era a mulher mais exuberante daquelas montanhas, uma mulher forte acima de tudo. Porém, até mesmo ela, com toda a sua força e frieza, era passível de erro. Até mesmo ela, a Rainha do Ar, soberana daquele reino, podia ser morta.

Assassinada.

- Audaz da sua parte me acusar sem ter alguma prova disso – o homem disse. – Sabia, minha rainha, que muitas mortes repentinas são devidas ao coração? Ataques súbitos são muito comuns.

A rainha não podia acreditar em seus ouvidos. Não podia e não queria. Jan não queria acreditar que havia sido enganada. Tolamente enganada. Como uma jovem imprudente e ingênua.

- Isso é um ultraje! – a rainha tentou gritar, sem sucesso. – Você irá pagar por isso!

- Não se esforce, Jan – o homem sorriu, aproximando-se da rainha, segurando seus ombros com suas mãos grandes. Jan Aresto tentou se esgueirar do homem, mas não tinha forças para tanto. Não havia ar em seus pulmões. Seu peito ardia e ela sabia que estava morrendo. Não havia mais como ser salva. – Apesar de tudo, não quero vê-la sofrendo ainda mais.

- Hipócrita – Jan sibilou por entre os dentes e nem assim, no auge da sua dor e da sua raiva, ela permitiu que as lágrimas caíssem. – Não há maneira de você...

As palavras da soberana foram interrompidas pela súbita pontada em seu coração. Ela definitivamente não conseguia mais respirar. Ao mesmo tempo em que seu coração pareceu acelerado demais, ela pensou em tudo o que a havia levado até aquele momento. Como ela havia sido tola. Tão absurdamente tola.

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