É engraçado pensar nisso agora, mas a minha primeira foda foi com uma garota de programa. Eu estava no Rio de Janeiro — tinha ido até lá só para visitar uma mulher que, you guessed it, não quis nada comigo. Fiquei tão chateado por não ter conseguido sequer dar um beijo na boca dela que resolvi perder a virgindade de qualquer jeito. O principal eu já tinha: uma acomodação discreta e na qual ninguém me perturbaria durante a diversão. Sim, eu tinha me hospedado em um motel, um daqueles que faz de tudo para disfarçar sua natureza e passar despercebido como um hotel convencional. Só faltava a puta.
Abri meu notebook e dei uma geral em sites de acompanhantes cariocas. Todas pareciam muito caras, ou muito frescas, ou muito caras e muito frescas. Jesus sabe porquê, mas optei por ligar para uma transsexual. E foi assim que perdi a virgindade fodendo o rabo de uma mulher com um pênis que, graças aos céus, não era maior do que o meu. Me cobrou cem reais por uma hora, mas acabou muito antes, e só porque eu bati uma punheta para gozar na bunda dela. Metia, metia, mas estava prestes a broxar vendo aquele pau balançando pra lá e pra cá. Deu pra entender porque todo mundo diz que a primeira vez é sempre uma droga.
Mas foi só meses depois que eu realmente comecei a caçar borboletas. De volta à Metrópoles de Pedra — também conhecida como São Paulo —, me encontrei viciado em navegar por sites e fóruns em busca de novas mulheres para experimentar. Elas poderiam ser a minha mãe ou minhas irmãs, mas estavam lá, vendendo seu corpo por cinquenta, cem, duzentos ou trezentos reais. Dispostas a engolir porra de um homem desconhecido, a serem maltratadas, humilhadas, usadas como um copo descartável. Eu achava isso fascinante demais.
Minha agenda telefônica tinha milhares de contatos de prostitutas de todo o estado. Gente da zona leste, norte, sul e oeste. Negras, morenas, loiras, ruivas, magras, gordas, ninfetas, coroas, transsexuais, travestis, cross dressers, de luxo, econômicas, agenciadas, independentes — tinha de tudo. Eu era um guia de acompanhantes ambulante e seria capaz de lhe sugerir a garota perfeita de acordo com o seu gosto pessoal, se assim me pedisse. É difícil calcular quanto dinheiro eu gastei desde 2013 com putas, camisinhas, períodos em motéis e tubos de lubrificante íntimo.
Quando eu percebi, já era tarde demais: estava viciado em fazer sexo com desconhecidas. Elas tinham diferentes características, particularidades, personalidades e muitas histórias para contar. Certa vez, fiquei quase quarenta minutos conversando com uma delas — Vanessa, era assim que se apresentava — e fiquei sabendo sobre muita coisa a respeito de sua vida. "Puta é foda", dizia ela, imitando o homem com quem morava. Um homem três vezes mais velho e que a ameaçava frequentemente durante crises de ciúmes. Bom, ela tinha razão. "Puta é foda". São enigmáticas, valentes, e muito, mas muito corajosas. Eu estava fascinado por essa coragem e vigor. Esse talento para encenar o prazer da forma mais convincente possível.
Quando eu comecei a escrever este livro, eu queria contar ao mundo as histórias delas — histórias incompreendidas, afundadas em um mar de hipocrisia, tradicionalismo e preconceito infundado. Queria mostrar que elas são tão humanas quanto eu e você, que elas também choram, também amam, também sonham e também suam. É um trabalho suado, quente, fervoroso, que poucas conseguem aguentar. Como dizia Vanessa, "uma vez que você se queima, é difícil conseguir se curar".
Mas o mercado do prazer vai além da simples e tradicional prostituição — também temos o entretenimento adulto em suas variadas formas (como os filmes pornográficos ou os shows de strip tease) e a exploração dos fetiches e parafilias (como as casas de swing ou as dominatrixes). O fato é simples: sexo é lucrativo, e tem muita gente por aí disposto a fazer uma grana extra com ele.
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Ramon de Souza tem 22 anos, já participou de seis antologias literárias, publicou um livro solo ("Rato Urbano", Ed.Multifoco, 2014), publicará mais um em 2016 ("Meus preciosos contos tristes", Ed. Multifoco) e venceu um prêmio de jornalismo latino-americano.
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A grande caça às borboletas
Non-FictionO que leva uma mulher a se tornar uma prostituta? Como é a rotina de um administrador de um prostíbulo? Como é adentrar em um cinema pornô e se esquecer de todos os tabus das sociedade? "A grande caça às borboletas" é um livro-reportagem gonzo que a...
