Capítulo 14

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Chegou ao novo quiosque de Joaquim em minutos. Era bem perto de onde estava, mas como não queria ser vista por enquanto, resolveu usar o táxi como disfarce.

– Você pode esperar um pouco? – perguntou ao taxista que respondeu mal-humorado:

– O taxímetro está rodando.

Lúcia o ignorou e ficou observando Joaquim ao longe.

Depois que terminaram, ele largou o emprego na Starbucks e usou o dinheiro que tinha guardado para investir num Food Truck com um colega. O seu novo empreendimento estava bombando e Lúcia ficou muito feliz por ele. Sentiu-se orgulhosa também. Pediria desculpas a ele mesmo que não voltassem mais.

– Me espera aqui – disse ao taxista.

– Já sabe – apontou para o taxímetro.

Lúcia revirou os olhos, com uma vontade insana de mandá-lo embora, para o quinto dos infernos. Mas não tinha ideia de como seria recepcionada, por isso não arriscaria voltar para casa aos prantos, como uma menininha.

Usando óculos escuros e um lenço verde que não escondia nem um pouco da cabeleira vermelha, Lúcia pegou a fila como todo mundo e esperou sua vez. Quando chegou ao balcão, pediu batatas fritas com bacon e um minutinho de Joaquim, que estava de costas montando um hambúrguer de outro pedido.

– Estou trabalhando – rosnou, sem nem se virar de frente para ela.

– Por favor, Joaquim – implorou baixinho.

Ele respirou fundo, tentando resistir à tentação de dar à Lúcia o que ela queria, mas não foi tão forte assim.

– Um minuto – reclamou.

– É o suficiente – respondeu, sorridente.

Joaquim não queria dar o braço a torcer, mas ficou contente por vê-la tão a fim de falar com ele. A julgar pela expressão dela, era assunto bom. Então relaxou um pouco.

Foram para trás do Food Truck, onde havia um logo pintado a mão na lataria. Lúcia reconheceu o desenho dos rabiscos de Joaquim.

– Ficou muito bom – ela começou pelo mais fácil. – E pelo visto está sendo um sucesso. Parabéns!

Joaquim sorriu a contragosto.

– Você veio para elogiar meu trabalho ou para esfregar na minha cara que partiu pra outra?

– Nem uma coisa, nem outra. Vim pedir desculpas – assumiu sem delongas. Os olhos grandes de Lúcia, ainda maiores agora. – Sei que errei quando te chamei de vagabundo. Nunca deveria ter dito isso. Você tem um sonho e eu devia ter te apoiado. Me desculpa por isso.

Ele assentiu em silêncio. Lúcia continuou:

– E não. Não estou com outro cara e, se tivesse, a última coisa que faria seria vir aqui te dar satisfações. Terminamos – ela limpou a garganta –, estou aqui exatamente porque quero resolver isso: a gente.

Joaquim olhava para ela sem dizer uma palavra. Ela prosseguiu:

– Quero voltar com você. Quero me sentir feliz como me sentia quando estava com você. Quero que você entenda meus sonhos e me apoie. Quero apoiar os seus sonhos também.

Como Joaquim continuava sem dizer nada, Lúcia foi falando mais:

– Quero consertar as coisas que deram errado entre nós. Merecemos isso. E, sinceramente, acho que nós dois somos ótimos juntos e... – Foi interrompida com um dedo de Joaquim sobre seus lábios.

Ele que não era de muitas palavras e, sim, um homem de ação, tomou-a nos braços e a beijou. Foi correspondido na mesma ânsia, os dois corações transbordando do peito.

– Pequena, estou tão feliz que tenha voltado para mim – disse com a testa colada na dela.

– Percebi que amor verdadeiro não se encontra em qualquer esquina.

– Mas pode se perder em qualquer café para um metido a viking.

Lúcia riu. Se fosse o contrário, também teria interpretado errado.

– Ele é amigo de Elena. Estava dando o telefone dela a ele, bobinho.

Ele passou a mão na testa, encenando alívio. Os dois riram. Em seguida, Joaquim declarou:

– Prometo que, a partir de hoje, vou te apoiar, respeitar e amar sem questionamentos.

– Mesmo? – Arregalou os olhos, completamente emocionada. Joaquim havia dito que a amava.

– Mesmo, pequena.

Ela o abraçou apertado e depositou um beijo em seu peito. Olhou para cima, para o rosto de Joaquim, que era bem mais alto que ela, e magrelo. Cheio de tatuagens, se parecia muito com o Adam Levine.

– Sabe se tem muitos cisnes aqui?

Confuso com a pergunta fora de contexto, ele respondeu que sim.

– Ótimo. É para um trabalho de faculdade – se justificou enquanto observava o lago do parque. – Quero me especializar em animais silvestres.

– Uhm! Ótima escolha. – Ele fez que entendia o motivo dela, o que Lúcia achou fofinho e engraçado. Ele estava se esforçando. Beijou-o mais uma vez.

– Joaquim! Ô, Joaquim! Deixa de namorar e vem ajudar, porra! – gritou o sócio dele.

– Já estou indo! – gritou de volta – Linda, preciso ir.

– Vai lá. Depois a gente se fala.

– Passo na sua casa mais tarde.

– Combinado! – Confirmou o encontro e lançou um beijo no ar.

Estava toda suspirante, quando se deu conta do horário. Estava para anoitecer. Precisava voltar para casa e para Elena.

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