Rown Parte 2

58 6 6

                    — Eu? Ahn... Des.... desculpe, não tive a intenção de rouba-las. — Respondeu Lucy, assustada com aquela fúria repentina.

                    — Então os meus queridinhos dentes não foram arrancados, não, não, não.... Eles voaram alegres até as suas mãos, não é? — Ironizou a voz, ecoada por uma rajada de ar, que fez com que a fada, as folhas e o próprio Rown estremecessem.

                    — Não foi ela, fui eu — Interrompeu urso, farejando o ar na esperança de descobrir para onde deveria olhar.

                    — Ó a garotinha com o buque é inocente? Então... — Indagou a voz. — Será que eu deveria cuidar só de você? — Continuou ela, rosnando como um felino e fazendo com que as raízes dos arbustos, de alguma forma, movessem-se como serpentes em suas direções.

                   Encurralado contra o lago, Rown colocou a fada de volta em sua nuca, encarou os arbustos e rugiu tão alto que a própria Lucy se sentiu ensurdecida por ele.

                   — Eu não roubei suas flores, elas estavam caídas quando as peguei, apareça e então poderemos conversar frente-a-frente. — Exigiu o urso, irritado com aquela ameaça.

                   — Agora o ladrão faz exigências... iaul.... Que assim seja ladrãozinho. — Assoviou a voz junto com o vento, que sobrava com tanta força, que as folhas caídas rodopiavam em direção as ondas recém-formadas no pequeno lago.

                   Lucy segurava os pelos de Rown para evitar que o vento a levasse, quando ainda desnorteada pelos acontecimentos, sentira um par de garras agarrando-a pelos ombros e atirando-a no ar. O vento, assim como havia feito com as folhas, arrastava-a bruscamente para o lago, fazendo com que o pequeno buque escapasse de suas mãos.

                   — Lucy! — Gritou Rown da margem, sem conseguir entender o que havia acontecido.

                  E ao ouvi-lo gritar seu nome, a instintiva sensação de que deveria reagir preencheu o seu corpo, assumiu o controle sobre suas hábeis asas e tirou-a daquela forte corrente de ar.

                  Agora, parada como um beija-flor, Lucy procurava aflita pelo que a tinha atacado. Avistou, não muito distante, uma fera cujo corpo em forma de leão esculpido em madeira, ostentava um rosto feminino e o olhar das fadas. De suas costas brotavam as asas de uma vespa-caçadora e da juba estática de carvalho, sementes de dente de leão se misturavam, dançando ao sabor do vento. Ela era linda e assustadora, mas graças aos deuses, não tinha mais do que um palmo de tamanho, o que para Lucy, que não chegava a ter a metade disso, era bem preocupante.

                   A fera zigue-zagueava pelos céus e sorria para ela, um sorriso malicioso que a paralisava de medo, por isso quando a criatura mergulhara em sua direção, apenas os instintos eram capazes de move-la, voando sobre o espelho d'agua rumo a qualquer lugar em que pudesse se esconder, mas a fera domava os ventos e encurtava a distância entre elas com tanta habilidade que Lucy, apesar de ser mais rápida, era incapaz de se afastar.

                — Te peguei! — Glorificou-se a fera, cravando suas garras nas coxas da pequena fada e derrubando-a contra a muda que crescia sobre o lago.

                — Lucy! — Gritara Rown pela segunda vez, desvencilhando-se das raízes que o haviam envolvido e correndo para dentro do lago, quando um puma quase tão grande quanto ele, saltou silencioso sobre os arbustos e se colocou em seu caminho.

                O urso então se ergueu sobre as duas patas traseiras, revelando-se tão alto quanto os cavaleiros de Rulliver e rugindo furiosamente para o felino, que mantinha-se imóvel.

Lucy, a FadaLeia esta história GRATUITAMENTE!