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Capítulo Quatro: Veza

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"Dzanela era como um irmão para mim. Um irmão mais velho, alguém com quem eu sempre podia contar. Foi ele que escondeu de Dooda a minha traição. Não por muito tempo, porque eu mesmo confessei-lhe o meu fracasso, mas Dzanela esteve do meu lado e nunca, durante esses anos, o questionei. Nunca, por vez alguma, lhe fiz perguntas sobre o seu passado. É que raramente questionamos os outros em matérias que não queremos ser abordados. Éramos uma irmandade dentro de uma irmandade. Um dia, ele disse-me que o seu verdadeiro nome era Regan. Gostava de saber porque me revelou esse pequeno e insignificante pormenor."

Língua de Ferro sabia que, quando o sol se punha nos céus ocidentais, os diabos uivavam. O ar fedia a fumo e a suor, e os sons de vozes misturavam-se uns com os outros. Lamúrias, insultos, regateios e brincadeiras infantis de homens adultos. Homens e mulheres espremiam-se uns contra os outros, sob peles longas e robustas. Alguns preparavam-se para dormir, outros para fornicar. Língua de Ferro lançou um último olhar à fogueira moribunda antes de se erguer e recolher à tenda. Afastou a aba e entrou. Os dedos deslizaram por instinto ao punho de Apalasi quando viu uma silhueta esguia deitada no seu leito, a que se resumia uma manta comprida e desfiada nas pontas. Um braseiro de latão estava aceso, enchendo de sombras o pavilhão e a mulher que ali estava deitada, nua como veio ao mundo.

Numa primeira instância, Língua de Ferro pensou em Lucilla. Ravella, percebeu. Fez relaxar os músculos e afastou os dedos da espada.

― O que estás aqui a fazer?

― Sessenta peças de prata, foi quanto vali ― disse ela, com uma voz frágil. ― Ofereça mais dez a Rivia, e serei sua...

Língua de Ferro arqueou a testa. Ele sabia que ela trazia uma mensagem de Rivia; há muito que aprendera as artimanhas das mulheres... e dos homens.

― O que é que Rivia quer de mim?

A mulher ergueu-se como uma serpente e envolveu-o com os seus braços, acariciando-lhe os músculos dos ombros e do ventre. Língua de Ferro deslizou o olhar para a mão da mulher, que se reteve junto à zona pélvica.

― Landon X está aquartelado em Veza, a não mais de um dia daqui. Seria uma boa oportunidade... Rivia pretende uma joia. Um diamante de jaspe que um mercador lhe roubou. Esse mercador também se dirigia para Veza, da última vez que soubemos do seu paradeiro. Rivia aceita oferecer-lhe Selaba, se lhe trouxer essa joia.

Língua de Ferro sorriu.

― E porque razão não foi Rivia a falar comigo pessoalmente?

― Eu ofereci-me. Disse que teria argumentos para o convencer. O meu esposo não sabe que Landon X está em Veza, foi Regan quem me contou, pouco tempo antes de morrer.

Língua de Ferro ergueu uma sobrancelha.

― O que ganhas a contar-me isto?

― Convença Rivia a levar-me consigo.

― Não tenho setenta pratas.

Ravella cuspiu para o lado.

― Balelas. Eu conheço o mercador. Eu trato da joia, você trata do Imperador, fica com os louros e leva-me como recompensa... Que me diz?

Língua de Ferro olhou-a de alto a baixo. Tinha seios pequenos com mamilos eretos, curvas sinuosas e apetecíveis, ancas polidas como marfim.

― Muito bem, eu convenço-o.

Não foi a nudez de Ravella a convencê-lo, embora tenha deixado que ela se sentisse vitoriosa por isso. Aparentemente, era mais astuta do que julgara inicialmente. Conversou com Rivia até convencê-lo a levar Ravella para capturar o mercador, e ficar com ela caso fosse bem-sucedido. Rivia cofiou o queixo e pareceu transpirar. Temia seriamente que o salteador fugisse com a sua mulher e com a joia, mas Língua de Ferro encheu-o de confiança ao deixar em Selaba todos os seus pertences, e até os Doze Vermelhos.

Língua de Ferro - Um Sacana QualquerRead this story for FREE!