Capítulo 20.

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Sem você, eu não tenho nenhuma mão para segurar

Sentadas em fileira no gramado, as crianças conversavam, brincavam e comiam, tudo ao mesmo tempo. Alexandre me guiou até a mesa onde estavam as panelas, contendo todos os tipos de comida possíveis, e me entregou um prato de plástico.

- É mais seguro. – ele explicou, mas não precisava, pois eu já tinha imaginado. Minha mãe fez a mesma coisa em casa quando eu tive meu primeiro ataque: escondeu todos os pratos e copos de vidro, além de objetos cortantes. Mas de uns tempos para cá, ela parece confiar mais em mim, então tudo voltou ao normal. Bem, quase tudo.

Entramos na fila e Alexandre começa a escolher o que vai comer, pegando um pouco de cada coisa. Ele me olha de esguelha para ver se estou fazendo o mesmo, mas, indeciso sobre o que quero comer, ainda não me movi.

- A lasanha é muito boa. – ele comenta, apontando para a travessa que está no centro da mesa. – E é bom você correr, antes que fique sem.

Sigo seu conselho e me sirvo de lasanha, com água na boca só de sentir o cheirinho da comida. Aparenta estar deliciosa. Alexandre enfia um pedaço de peito de frango na boca.

- Hm... – ele chama minha atenção com a mão livre e aponta para a tigela onde os frangos estão, faz um gesto digno de um chef de cozinha, juntando as pontas dos dedos, as beijando e levantando o braço em seguida.

Mais uma vez, decido confiar em Alexandre e sigo sua indicação, pegando, por último, um punhado de arroz em uma das travessas e caminhando em direção a um espaço vazio no gramado, sendo seguido por Alexandre, que, de vez em quando, fala algo com uma criança ou duas, fazendo-as rir.

Sento-me num pedaço de sombra e apoio o prato nos joelhos, tomando o cuidado para não derrubar nada enquanto me ajeito, com medo de que o garfo caia no chão.

- Nada de suco? – a voz de Alexandre me tira de meu torpor, e, quando levanto a cabeça para encará-lo, tomo um susto. – Olá! – o rapaz exclama, mas não é Alexandre.

- Ahn... Oi. – consigo dizer, ainda me recuperando do susto. – Você... Hm... Faz isso de propósito?

- Faço o que? - ele parece não entender, mas logo gargalha. – Assustar as pessoas? Sim. – nem mesmo espera uma resposta, e me estende sua mão.

- Victor Gabriel. – se apresenta, balançando minha mão para cima e para baixo diversas vezes.

- Leo. – respondo.

- Leo? Só Leo?

- Só Leo. – ele sorri mais uma vez, mostrando os ilustres dentes brancos em contraste com sua pele negra. – E então, o que está achando de tudo? Gostou do lugar?

- É incrível. – respondo, esperando uma brecha para começar a comer, já que estou morrendo de fome, e parece que tem um terremoto acontecendo dentro da minha barriga.

- É mesmo, né? Eu ainda me lembro da primeira vez em que pisei neste lugar. – ele se arruma, esticando as pernas e cruzando as mãos sobre as mesmas enquanto olha ao redor. – A casa ainda não tinha sido pintada, e a gente só usava a garagem mesmo. O quintal era um matagal danado, muito sujo. Lea batalhou muito pra arrumar isso tudo pra gente, pro bairro. Primeiro só pra esse bairro, depois pros outros. – ele para por um instante, e olha para mim. Aceno com a cabeça para dizer que estou ouvindo, e Victor volta a falar, olhando para a frente. – Tem gente de todos os cantos da cidade aqui, tem criança com todos os tipos de família também. Mas a gente faz o que pode, né? – ele dá um tapinha no meu joelho, e então olha para cima. – Olha só quem surgiu! – exclama.

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