Capítulo 3

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Oi gente. Tudo bem?

Vamos de capítulo. 

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CAPÍTULO III

— Era garçonete. — respondi, olhando para a moça que servia as mesas. — Parti porque fui expulsa de casa.

Seus olhos azuis estreitaram sobre os meus.

— Por que expulsa?

— Andei saindo com alguns clientes do restaurante e meus pais descobriram.

Eu não estava mentindo por completo, aquilo realmente aconteceu, fui garçonete por alguns meses, quando tinha dezessete anos, antes de começar a sair com os fregueses do restaurante e descobrir que isto era muito mais rentável, o que causou a minha expulsão de casa. Eu só estava omitindo a parte que eles me pagavam e pulando os quase quatro anos de horror nas calçadas de Copacabana.

Fiquei observando seu rosto lindo em silêncio, esperando por uma reação de discriminação, repúdio, ou mesmo a liberdade de dar uma cantada ousada, mas nada disso aconteceu, Miguel permaneceu impassível, seu olhar neutro.

— Seus pais devem ser muito conservadores. — observou.

— Você não imagina o quanto. Mas vou mostrar a eles que posso mudar, que posso ser alguém na vida, preciso apenas arranjar um emprego.

— Que tipo de emprego você procura?

— O que aparecer eu faço.

A comida chegou e ataquei o prato sem me preocupar com a etiqueta, estava faminta demais para isto. Eu comia com muito apetite, sob o olhar espantando de Miguel, sem mais trocarmos uma palavra até que eu estivesse totalmente satisfeita, mais que isso, eu estava a quase explodindo de tão cheia.

Após a refeição deliciosa, continuamos sentados a mesa, conversando como velhos conhecidos, sobre tudo e ao mesmo tempo sobre nada. A cada instante perto daquele homem eu me sentia mais atraída pelo seu charme, seu jeito gentil e desinteressado de ser, sua beleza rara e máscula, irresistivelmente, embora soubesse que precisava evitar esse tipo de atração, manter-me longe de tais sentimentos, pois foi assim que as coisas começaram entre mim e Fábio e veja como terminaram. Entretanto, com Miguel eu não tinha opção, pois era a única pessoa que eu tinha agora.

Era bem tarde quando ele se ofereceu para ir me levar de volta na pensão. Ao estacionarmos e saltarmos diante da casa azul, toda escura e fechada, enfiou a mão no bolso do seu jeans, de onde tirou um maço de dinheiro, oferecendo-me.

— Isso é pra você. Não é muito, mas é suficiente para pagar o quarto e algumas refeições até você conseguir um emprego. Vou ver se te ajudo a achar alguma coisa.

Em qualquer outra circunstância eu teria desconfiado das suas intenções por trás daquele gesto, porém, pelo pouco que o conhecia sabia que não havia maldade nenhuma naquele homem, ele não estava me ajudando com o intuito de me levar para a cama em retribuição, como outros já fizeram, fazia simplesmente porque era gentil e bom, talvez a melhor pessoa que já cruzou o meu caminho. Ainda assim, não consegui evitar o constrangimento, senti-me verdadeiramente uma fracassada ao voltar a depender do favor de um homem, quando na verdade deveria estar construindo uma boa reputação, mostrando-me uma mulher independente e forte, capaz de conquistar um marido adequado, como planejei.

Desejo Proibido (AMOSTRA)Read this story for FREE!