Capítulo 14 - Ricardo

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Meu dia estava ótimo. Sítio. Festa. Bebida. E Clara.

A noite ficou mais interessante porque ela me deu abertura pra beijar sua boca. E que abertura foi aquela. Senti que estávamos com o mesmo desejo, arrancar a roupa naquele campo e transar ali mesmo, mas alguma coisa passou na cabeça dela que fez com que desistisse do sexo a céu aberto. Então fomos jogar bola juntos e fiquei vendo aquele corpo se movendo enquanto chutava a bola para o gol. O primeiro gol que a Clara fez foi porque não conseguia tirar os olhos dos seios dela, que balançavam enquanto ela dava um trote e chutava de lado a bola. Ela é maravilhosa. O seu quadril largo, o busto médio e as coxas gordinhas, eu queria lamber e morder todo o seu corpo. Também não posso deixar de citar o bom humor e a inteligência dessa garota (fora a coragem no dia em que nos conhecemos). Ela é independente, não tem receio em ser verdadeira comigo e as vezes não pensa duas vezes quando fala, mas era o seu charme. Eu não poderia perder tempo algum ao lado dela, então se não fôssemos quebrar minha cama do sítio então iríamos aproveitar de outro jeito a companhia um do outro.

Já estava muito tarde quando ela finalmente conseguiu os cinco gols e fomos dormir. Só que não consegui pegar no sono tão facilmente porque ela não saía da minha cabeça. Queria ir até o quarto dela e dizer "Clara me desculpe, mas não tô conseguindo pensar com a cabeça de cima, eu quero muito tirar sua roupa e ouvir você gemer dizendo meu nome.", mas eu não faria isso se ela não quisesse... E o pior de tudo é que ela quer, eu sinto isso, o mesmo tesão que sinto por ela emana dos seus olhos, não posso estar tão iludido assim!

Quando finalmente peguei no sono a Sheila chegou ao sítio. Eu não sabia que ela teria tempo de vir pra cá. Sheila foi minha primeira namorada quando comecei a jogar no Corinthians de forma profissional. Éramos... Somos diferentes, ela nasceu em berço de ouro na classe alta, enquanto eu nasci no berço de palha na classe baixa, só estávamos iguais porque consegui sair da merda e tive uma ascensão.

No tempo em que ela não sabia do meu passado estava ótimo, depois só deu mais merda e conheci a real Sheila, a mesquinha, a mimada e dependente dos papais. Ela se tornou insuportável.

- Amor, que saudades de você. - ela entrou no meu quarto sem bater e com sua mala verde limão.

- Fala Sheila. - só balancei a cabeça como se fosse um "e aí mano?".

- Não estava com saudades? - Sheila agarrou minha nuca e me beijou ou tentou, estava mais pra mordidas na minha boca nada sensuais do que um beijo. Nada se comparava ao beijo da Clara. Sheila, tá na hora de você fazer um Pronatec do beijo, pensei.

Não fiz nada além de deixar que ela pensasse que estava me excitando com essa sensualidade exagerada. Eu estava de olhos abertos enquanto ela me "beijava" e fazia caras e gemidos, como se eu estivesse metendo nela e nem se quer estava tocando-a.

- Ai que saudades seu gostoso. - ela gemia.

- Sheila, eu preciso dormir ok? Procure pelo Henrique pra ele te mostrar o seu quarto. - Ela e o Henrique são primos de segundo grau pelo que me lembro, então foi graças a ele que a conheci.

- Quero dormir com você, quero transar com você, faz mais de três meses que não transamos!

- Porque terminamos Sheila! Não transamos porque terminamos! - Ela não entendia que eu tinha terminado com ela. Tentei ignorar sua presença do meu quarto, pra ver se ela se tocava e me deixasse em paz, tirei minha roupa e fiquei só de cueca samba-canção, como eu sempre durmo, e deitei na cama. Quando vi ela estava tirando suas roupas lentamente.

- Não pareceu que terminamos naquele dia da boate. - se arrependimento matasse eu já estaria morto porque tive uma recaída recentemente com a Sheila quando sem querer me encontrei com ela numa das boates, eu estava me divertindo e ela também. Só nós nos beijamos por meros dez segundos. Mas foi o suficiente pra iludir, pelo jeito.

E agora ela estava só de calcinha e sutiã de frente pra mim e foi ai que a merda aconteceu.

A Clara apareceu na porta. Com meu boné na mão. Com uma cara de "que merda é essa?".

Tive vontade de expulsar aos berros a Sheila do meu quarto.

A Clara falou alguma coisa que nem prestei atenção, minha mente estava trabalhando na seguinte frase "deu merda". Agora ela iria achar que sou um cafajeste que só queria transar com ela e nada mais, enquanto na verdade eu queria mais, muito mais...

Tentei sair do quarto, mas Sheila me atrapalhou perguntando quem era a Clara, me recusei a responder e só disse uma coisa que fez com que ela finalmente entendesse que não existia mais o "nós":

- Você acaba de estragar meu futuro com aquela garota, saia daqui. - ok, ela não tinha estragado nada, eu acabei estragando mesmo e minha missão agora era arrumar esse mal entendido com a Clara.

***

Já no dia seguinte o problema piorou.

Raul e Clara.

Raul é aquele cara que tem porte e jeito de bom moço, mas é um desgraçado invejoso. Ele e a Sheila já tiveram um caso. Tudo que já tive o Raul tenta ter também, e era isso que ele estava fazendo com a Clara. Não que eu já tive a Clara realmente, mas eu estava tentando.

Passei a manhã com a Sheila, conversando sobre a nossa situação atual, de como podemos continuar amigos normalmente, fazendo com que ela entendesse que não estávamos namorando mais. Só que meu lado racional de conversar e explicar a situação não estava funcionando na questão Clara, eu estava com uma bruta insegurança, principalmente um receio de soar como um babaca tentando explicar o que aconteceu ontem. Então enquanto eu estava resolvendo as coisas com a Sheila, a Clara estava passando o tempo com o Raul. Tive o desprazer de observar os dois rindo, ela rindo dele, sendo que eu queria ser o motivo da risada dela, a troca de olhares que eles tiveram, e sim eu queria ter sido o Raul por um dia. Até que criei coragem pra ir jogar um pouco de vôlei com o pessoal na piscina. Assisti o Henrique dando uma demonstração de afeto em público pela Ana, e nisso eu automaticamente olhei pra Clara que segundos depois me olhou também.

Mas foi tudo por água abaixo quando a noite caiu e estávamos preparando nossas malas para irmos embora. Eu estava decidido que chegaria ao quarto da Clara e explicaria o mal entendido da noite passada, tim tim por tim tim. Só que eu tinha chegado tarde demais.

Virei as costas para a porta e saí me amaldiçoando.

E no dia seguinte eu descobri que isso era só a primeira parte das más notícias para mim.


"DE BANDIDO A BOM MOÇO: conheça a trajetória do jogador Ricardo Ferreira no Corinthians."

Com a bola toda - em revisãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora