For every story tagged #WattPride this month, Wattpad will donate $1 to the ILGA
Pen Your Pride

Capítulo 18.

17 3 0


Com você ao meu lado eu não tenho nada a temer

Antes

(Você diz) você não pode deixar o mundo ver você assim

E você não pode ficar mais do que uma noite

E eu juro que eu ouço seus passos

Na porta da frente

E eu posso ouvir seu coração repousar

Sobre sua pobre alma

A mesma música toca há mais de uma hora, mas eu mal presto a atenção. Estou ocupado olhando para o teto do quarto, ignorando as batidas incessantes na porta e tentando não pensar. Tentando. Mas acaba não dando muito certo, pois eu me vejo lembrando cenas de minha infância, momentos felizes e etc. Como não canso de me torturar, pego velhos álbuns de fotografias e o folheio, sorrindo com as imagens congeladas de todos nós. Em uma delas, estou deitado na grama ao lado de um garotinho, ambos sorrindo para a câmera, mostrando as janelinhas em nossas bocas, de onde havíamos perdido nossos dentes dias antes. Sinto meu peito se apertar e logo estou chorando, mas não choro por papai ou pelo meu irmão, que nunca mais voltarão para casa. Não sei bem se acredito em céu ou coisa parecida, mas torço para que o paraíso realmente exista, e para que todas as pessoas boas estejam num lugar melhor agora. Pensando assim, imagino que eles estão bem, então realmente não é por eles que choro. É por outra pessoa, é para o garotinho sorrindo ao lado do meu eu-criança, meu melhor amigo para sempre. É por Marco que choro, pela amizade que nunca mais existirá.

- Ahn... O que eu devo fazer com isso? – pergunto, balançando a folha de papel em frente ao rosto de Alexandre, que caminha ao meu lado.

- É a lista das crianças que precisamos buscar hoje. – ele responde, sorrindo enquanto atravessa a rua.

- Ah. – deixo escapar. – Não pensei que começaria com isso.

- Por que? Não gosta de crianças? – ele pergunta com um olhar crítico, as mãos enfiadas nos bolsos do moletom.

- Não, não é isso. É que... – começo, mas não sei bem o que dizer a seguir. - Não é que eu não goste de crianças, na verdade, são elas que não gostam de mim. E seus pais também.

- Ah, que isso, Leo. – Alexandre dá um pulinho ao subir na calçada, e eu sorrio. – Isso é paranoia ou o que?

- Não sou paranoico. – resmungo, percebendo um menininho vindo em minha direção ao lado da mãe, em quem se agarra com ambas as mãos e implora por algo. Ele para de falar quando me vê e, quando me ultrapassa, vira o pescoço para trás e continua me encarando. – Viu? – praticamente grito, olhando para Alexandre.

- Talvez sejam os seus olhos. – ele dá de ombros e aperta o passo quando vê o ônibus chegando. – Venha logo!

- Como isso funciona? – quebro o silêncio, assustando Alexandre, que está sentado ao meu lado no fundo do ônibus.

- Bom, nós descemos daqui a três pontos e buscamos as crianças em suas casas.

- Na mesma rua, ou temos que pegar mais ônibus? – pergunto, preocupado, não trouxe tanto dinheiro.

- Na mesma rua, nas proximidades... Nada que uma boa caminhada não resolva. – ele mexe nos cabelos. – E na volta nós fazemos a mesma coisa: entregamos todas a seus pais e voltamos para casa.

Quando você me encontrouRead this story for FREE!