Capítulo 51 - Rafael PARTE II

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  Me afastei abruptamente de Aurora arfando e parei apenas quando minhas costas bateram na parede. Coloquei minhas mãos em meus lábios e olhei com os olhos marejando.

Você não é a Lexie. — Sussurro mortificado. Me sentindo emocionado, confuso e muito, muito apaixonado. Eu não queria dizer aquilo, não da forma como Aurora entendeu e principalmente não em voz alta. Mas é tarde demais porque ela passa por mim entrando na casa e batendo a porta em meu rosto antes que eu possa falar mais alguma coisa. Sou deixado na soleira com os restos de um coração nas mãos que diferentemente das outras vezes explodiu de felicidade.

Eu não desistiria dela agora que sabia que Aurora também era capaz de me achar porque assim como minha garotinha perdida eu permaneci fodidamente desaparecido por todos esses anos que não a beijei. Dou a volta na casa e paro a alguns passos da janela de seu quarto criando coragem para lhe falar abertamente sobre o que eu sinto descobrindo o quão difícil pode ser ter sentimentos. Respiro fundo e me inclino sobre o parapeito pronto para despejar um milhão de desculpas e dou de cara com um caderno apontado para que eu o leia. Ela sabia que eu vinha.

Eu sempre serei a sombra de Lexie, não é?

— Não. — Nego surpreso e desconcertado e minha resposta pouco convincente faz com que Aurora desmorone diante dos meus olhos. Ela não acredita porque sorri fracamente como se quisesse chorar e me dá as costas afundando o rosto nas mãos para que eu não possa mais ver o quanto a desestabilizei.

— Eu a amei. — Sussurro sentindo minha garganta se fechar. — Eu sempre vou amar a Lexie e infelizmente eu não posso evitar por mais que eu queira. Eu tentei. Mas esse tipo de amor não morre Aurora, não morre nunca. — Vejo-a assentir ainda escondendo seus olhos de mim.

— O amor sincero nunca morre. — Repito com medo de que seus ombros tremam antes que eu chegue a parte em que Aurora realmente precisa escutar. — Eu era apenas um garotinho, era ingênuo e novo demais e me apaixonei por Lexie mesmo assim e esse amor ficou marcado em mim em forma de culpa por dez anos nos quais eu fui incapaz de sentir qualquer tipo de sentimento por qualquer tipo de pessoa e mesmo aquelas que eu já amava antes dela ou amei depois não me tiveram por completo. Eu fiquei vazio. — Nesse momento Aurora se vira e me olha parecendo aflita e penalizada e eu sorrio.

— Então você chegou e pela primeira vez eu senti alguma coisa. Eu senti TUDO. Eu não sei porque ou como e não me interessa descobrir. A única coisa que eu sei é que com você eu me sinto como aquele garotinho. Eu me sinto feliz. — Ela parece ainda mais emocionada e vejo a batalha em seu olhar. Ela quer acreditar. Mas sua pergunta me diz que não pode.

Como alguém como eu pode fazer alguém feliz?

— Como alguém como você não faria alguém feliz? — Rebato pulando a janela e me sentando em sua cama arrastando-a junto comigo para que fique à minha frente. — Esquece quem você foi um dia porque não foi por aquela pessoa que eu me apaixonei, foi por essa. — Aponto para sua cadeira de rodas. — Eu te amo assim.

Ela sorri um sorriso de verdade dessa vez.

Talvez eu esteja apaixonada por você também. T-A-L-V-E-Z!

— Depois de tudo o que eu falei o mínimo que você podia fazer é admitir que sente o mesmo, sua cretina teimosa! — Eu rio e a puxo da cadeira fazendo com que venha parar no meu colo e o caderno por sua acerta em cheio a minha cara. — Eu quero que você encontre suas memórias porque Finn precisa de uma resposta. Mas quero que pare de procurar por elas se isso te machucar, entendeu? — Pergunto quando Aurora se ajeita. Ela assente e rabisca mais uma pergunta.

Me beija de novo?

Eu lhe respondo com um beijo. Não mais um subterfugio ou uma saída. Um beijo de verdade recheado de amor e mais promessas que eu pretendo cumprir. Um beijo do qual eu nunca vou me cansar porque não existe nada melhor do que deixa-la explodir meu coração. Eu nunca me esqueceria de ter soltado a mão de Lexie, nunca. Mas de alguma forma aquele beijo fez a dor desaparecer.

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Enquanto seus pés não tocarem o chão - Aurora & RafaelLeia esta história GRATUITAMENTE!