Capítulo 50 - Aurora PARTE II

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Finn me larga na porta do colégio porque eu também não lhe disse que não tenho como subir aquela maldita rampa. Encaro o caminho de paralelepípedos e o meio fio depois olho para o céu que anuncia uma tempestade e em vez de sonhar acordada com um raio atingindo a minha cabeça penso em Amber House. Eu era feliz naquele pulgueiro e não sabia e hoje daria qualquer coisa por um pouco de gelatina sem gosto e uma enfermeira para chamar de minha. Isso sim era felicidade!

— Oi, tudo bem? — Escuto uma voz doce se dirigir a mim e ergo meus olhos do chão para entrar Lauren parada a minha frente, sorrindo. — Quer ajuda para entrar? — Olho ao redor e assinto porque o céu está encoberto por nuvens cada vez mais escuras e sinceramente o fato de passar um dia inteiro no jardim já é humilhante demais por si só, eu não preciso ficar debaixo de chuva também.

— Eu sou a Lauren. — Eu sei coisinha fofa, só me empurra para dentro antes que essa tempestade desague ralho em pensamento sendo ingrata e amarga. Nada fora do comum. — Posso te levar na sua sala de aula também se quiser. — Oferece quando passamos pelas portas de entradas e chegamos ao corredor apinhado de gente e eu nego porque dever um favor já era ruim, dois seria inaceitável. — Tudo bem então, te vejo por aí. — Se eu não der um jeito de conseguir me enforcar no ventilador de teto antes...

Na hora do almoço não encontro ninguém esperando por mim na porta e mais que eu fale para mim mesma que não preciso de ninguém continuo sentindo falta daqueles idiotas. Decido que a partir de hoje tenho que começar a me virar sozinha e me empurro para o refeitório cheia de determinação que se esvai quando olho tantas pessoas juntas e falando alto ao meu redor. E agora? Pergunto para minha coragem. Agora nós vamos procurar por um banheiro! Responde zombando de mim. Quer saber? Não é uma ideia ruim. Já me aconteceram coisas piores do que passar fome e algumas horas escondida em um banheiro. Não é o fim do mundo, não é! Mas talvez ficar sem ele seja, diz uma voz irritante que se esconde dentro da minha cabeça.

Seguro na roda de impulsão para sair do refeitório olhando para meu colo sem querer chamar a atenção de nenhum alma caridosa que me oferecerá ajuda por pena e no primeiro giro bato contra alguma coisa. Merda, atropelei alguém! Levanto meus olhos e me deparo com Madison em cima de mim me olhado como se fosse me devorar. Merda, porque não atropelei com mais força?

— Estou vendo que a aleijada está por conta própria hoje. — Comenta com alguém parado a minhas costas que imagino ser Jessi. Mas não me viro para conferir. Li uma reportagem em algum lugar que dizia que se não desviássemos o olhar dos olhos de animal selvagem em situações de emergência conseguiríamos evitar um ataque. Não sei se também funciona com cobras, mas não custa nada tentar. — É uma pena que tenha sido abandonada tão rápido, mas Tristan e Rafael são assim mesmo, se cansam dos brinquedos com facilidade. — É não funciona, cobram ainda dão o bote independente de para onde se olhe.

— Vamos Madison. — Pede Lauren parecendo desconfortável e fazendo com que eu constate meu erro em julgar quem permanece atrás de mim. Menos mal, Jessi tinha mais trejeitos de apunhalar as pessoas pelas costas do que a fofinha. Por hora eu teria que lidar apenas com uma serpente.

— Claro, vamos. — Madison sorri ao concordar e me dá as costas. Mas antes que eu possa respirar de alivio seu corpo gira em minha direção e o conteúdo de sua bandeja para em meu colo. Olho para a comida e o refrigerante pensando que essa menina só pode ser meu carma. Conheço muitas enfermeiras que adorariam lhe dar um beijo na boca nesse momento por se sentirem finalmente vingadas. — Ops, desculpa!

Ela gargalha e Lauren a arrasta para fora parecendo descontente. Elas passam por mim e se afastam enquanto planejo sair rapidamente do refeitório para fugir dos olhares que imagino estarem recaídos sobre mim e acabo me atrapalhando com a porta ao ficar emperrada. Maldita gerigonça! Grito em meus pensamentos quando me canso de lutar contra o destino. Calma criatura, se desesperar não é uma opção! Respiro fundo e coloco minhas mãos sobre meu rosto para tentar me acalmar e estou tão distraindo tentando não ter um dos meus famosos ataques que noto que a cadeira desemperrou apenas quando quem a empurra fala comigo.

Enquanto seus pés não tocarem o chão - Aurora & RafaelLeia esta história GRATUITAMENTE!