Pietro Lancaster Narrando

Maldição de mulher!

Já se passaram quase três meses desde aquele maldito ocorrido, nada de saber quem realmente ela é e quem foi ela naquela noite. Literalmente, estou quase surtando com essa história, os móveis da minha casa já foram trocados umas mil vezes pois sempre quebro tudo apenas de pura raiva.

Mas tudo bem, agora preciso manter o foco no presente e o presente não me é bom nesse momento.

Aqui estou eu na empresa pensando um jeito de matar algumas pessoas. O que aconteceu? Simples, um dos fornecedores me contatou dizendo que não irá poder trazer as peças pedidas pois não haviam pagado o valor correto. Eu simplesmente respondi que eles tinham menos de quatro horas ou iriam perder o contrato com a minha empresa, avisei também que quando as peças chegasse aqui eu iria pagar o dobro do valor não pago.

Pego meu telefone para checar meus e-mails pessoais - um conta separada da empresa -, vejo alguns pedidos de caridades, pedidos de amizades na minha conta do facebook, algo sobre sequestros de algum parente meu - fala sério, eu não caio nessa - e por fim um convite para ir a uma balada hoje a noite. Será que devo aceitar? Acho que irei aceitar, preciso me divertir um pouco.

Disco o número que havia no e-mail com um número privado. Alguns toques depois alguém atende o telefone

- Alô? - Uma voz irritantemente fina diz do outro lado. - Quem é?

- Pietro. Pietro Lancaster. - Digo tentando não soar irritado com aquela voz.

- Oh! Se você me ligou é porque viu meu e-mail. Então, vamos?

- Primeiro de tudo quem é você, como sabe o meu e-mail privado e porque de estar me convidando para uma festa.

- Sou Nina Colt, eu sei tudo sobre você e estou te convidando por quê... Foi um convite qualquer, mandei para diversas pessoas e o único que me ligou de volta foi você.

- Então Nina, o que você faz na vida real? - Pergunto enquanto puxo meu notebook para mais perto.

- Eu trabalho em uma das lojas do seu pai... Não foi muito difícil conseguir o seu endereço eletrônico privado. - Ergo uma das sobrancelhas quando ela diz aquilo, fico sem entender muito bem e suspiro.

- Certo, então eu vou aceitar o seu convite apenas por precisar me divertir também. Te pego às 19.

- Não... Não... Não... Eu trabalho até às 21 hoje senhor Lancaster, a gerente não irá me deixar sair cedo.

- Apenas diga que eu ordenei sua saída mais cedo e caso ela não acredite, peça para me ligar. Mandarei meu número para você pois estou ligando com numero privado.

- Ok. Então... Até mais.

Acabo por sorrir depois de desligar a ligação. Por que estou sorrindo? Porque vou ter um encontro com uma funcionária minha... Uou! Isso poderia ficar mais doido ainda?

[...]

Depois de uma reunião estressante segui meu caminho para casa, quando cheguei tratei de tomar um belo banho quente e procurei algo para vestir.

Estava frio essa noite e por isso optei por usar uma blusa polo da cor preta - que combina perfeitamente com a minha jaqueta -, minha calça jeans clara, meu sapato vermelho e preto - ou é preto e vermelho? Afinal, tem mais preto do que vermelho nele -. Por fim, joguei meus cabelos úmidos para trás e desci para a sala. Uma de minhas empregadas veio falar comigo.

- Senhor Lancaster, a senhorita Colt ligou avisando que irá encontrá-lo na festa. Alegou que houve um pequeno problema.

- E o que seria esse problema? - Digo me jogando no sofá.

- Não sei senhor, ela não contou. Provavelmente deve ser coisa de mulher. - A única coisa que consigo pensar quando falam isso é em cólica menstrual, nada além. - Além disso, o detetive ligou mais cedo também, ele disse que tem um suposto endereço da senhorita Crystal.

Ergo a sobrancelha quando ela começa a falar aquilo tudo ao final. Eu não estou entendendo nada do que está me dizendo.

- Acho melhor deixar que o senhor Fernando lhe conte. Deseja que eu ligue para ele pedindo para venha até aqui para conversarem?.

- Certo, amanha irei falar com Fernando. Mas mudando de assunto, como vai a sua família?

- Ah.. Estão bem, a Ketlen está melhorando com os remédios, o Felipe acabou de passar pra faculdade de engenharia e o Antônio... Ele ainda está perdido.

- Entendo, a senhora precisa de mais alguma coisa? Que tal um aumento? Ou um emprego para seu filho na minha empresa?

- Ah senhor, não precisa não. O senhor é tão bonzinho e bonito.

- Ora essa! A senhora trabalha aqui desde que eu era uma bebê, cuida de mim e da casa. Se desejar mais alguma coisa, é só falar.

- Acho que mais duas empregadas, preciso de mais duas.

- Ok, peça para Shirley anunciar no jornal sobre isso. - Digo me levantando do sofá e indo até ela, seguro seu rosto entre minhas mãos e beijo sua testa.

- Sim, permita-me sair agora. Tenha cuidado senhor Lancaster.

Vejo-a sair e sigo para a mesa que contêm bebidas, pego um copo de whisky e viro. Repito diversas vezes, no final, vejo que terminei uma garrafa.

Bufo e pego a chave do carro e vou até a garagem. Entro nele e dirijo até a boate onde irei encontrar a moça do convite.

Está bem, eu sei que é uma enorme imprudência minha mas o que pode acontecer? Diversas coisas! Alguém pode ultrapassar o sinal vermelho, ou andar no meio da rua sem prestar atenção, ou eu mesmo posso mexer no celular enquanto dirijo, ou qualquer outra coisa. Existem diversas formas de morrer em diversos lugares.

[...]

Estaciono o carro na frente da boate, entrego as chaves pro manobrista e entro observando cada detalhe dali. Começo a andar pelo local meio que com dificuldades por algumas pessoas virem me cumprimentar. Me encosto no balcão de bebidas e peço alguma batida.

O local era grande o suficiente para caber cerca de cem mil pessoas, tinha pista de dança, espaço para pegação - um cantinho escuro com sofás para até três pessoas e o local podia ser fechado com a cortina roxa -, um pouco no centro do local tinha algo que parecia um palco pequeno com alguns pole dance e atrás havia os banheiros masculinos, femininos e outro para pessoas com deficiência locomotiva. O piso do local era de pedras que pareciam ser vidros nas cores roxa e preta, e por fim, um globo girava no teto iluminando o ambiente.

Cerca de trinta minutos depois, vejo uma moça aproximar-se de mim. Ela trajava um mini vestido vermelho extremamente justo ao seu corpo destacando as curvas que tinha. Seus cabelos estavam soltos e ondulados, a boca marcada com um belo batom vermelho-sangue e seus olhos continham apenas um rímel, lápis de olho e uma leve sombra clara passada.

Engulo um seco!

Puta merda!

Golpe Da Barriga - CompletoLeia esta história GRATUITAMENTE!