- Eu não acredito que esteja aqui Alice, eu não acredito! – Alice sorria enquanto era rodopiada pelo irmão.

- Nem eu estou acreditando. Se acalme e pare de me rodar! – Ela riu e ele também. A colocou de volta no chão e ficou olhando cada pedacinho do rosto dela.

- Como isso é possível? Aparecer assim? – Alice passou os dedos no rosto do irmão limpando o rastro de lágrimas. O puxou pela mão para se sentarem. Electra tinha se retirado.

- É uma história incrível. Mas antes quero saber do papai. Soube que ele está no hospital. – Alice parecia preocupada e Álvaro tirou o sorriso do rosto.

- É verdade. Ele foi gravemente ferido e o encontraram inconsciente. Ele está em coma Alice. Em uma UTI. Nem pude vê-lo ainda. – Álvaro abaixou a cabeça e Alice suspirou.

- Mamãe está com ele? Ou está dopada e por isso não ouviu meus gritos? – Não que tivesse uma grande ligação com a mãe, mas depois de dois meses sem nem mesmo ouvir falar dela estava sentindo saudade. Álvaro levantou a cabeça e a encarou. Não deu resposta alguma. – Álvaro? O que aconteceu? Onde ela está? – Ele apertou os olhos antes de respirar fundo e responder.

- Está presa. – Um fio de voz saiu de sua garganta. Alice franziu o cenho não entendendo nada.

- Como assim presa? O que está acontecendo?

Álvaro se viu sem saída. Alice deveria e merecia saber de tudo, por pior que fosse a verdade. Munido de uma coragem nova, contou em um fôlego só, tudo que ele ouvira ainda no fim da tarde anterior. Como sua mãe armara e planejara os assassinatos da família e a justificativa dela para tanta atrocidade. Alice, desde que o irmão começara a falar ficou estática. Como sua mãe era a culpada por tudo aquilo? Tentar matar até o marido? Como tudo aquilo era possível?

Abraçou o irmão e ficou deitada em seu peito por minutos seguidos. Nenhum dos dois emitia algum som. Cada um sentindo sua dor e sua revolta. Ela esperava muitas coisas quando voltasse para casa, mas aquilo era mais que a sua imaginação poderia criar, além de ser cruel demais.

- Você parece cansada. – Álvaro levantou o rosto da irmã. Ela deu um pequeno sorriso.

- E estou realmente muito cansada.

- Então vou conter a minha curiosidade e preocupação mais um pouco e deixar você descansar. Depois quero saber cada detalhe de tudo. – Um sorriu para o outro.

- Você é o melhor irmão do mundo!

Álvaro se levantou e estendeu a mão para Alice que a pegou e de mãos dadas os irmãos subiram para o andar superior da casa. Andar por aqueles corredores a consolou de uma maneira intensa. Estava em casa. Tudo era igual ao mesmo tempo em que era completamente novo, afinal ela tinha um novo olhar.

- Seu quarto está como da última vez que esteve nele. Boa noite linda. – O moreno deu um beijo na testa da irmã. Abriu a porta para ela e se retirou silenciosamente. Imaginava como ela gostaria de saborear aquele momento.

E ela saboreou. Olhava cada pertence seu. Seus trabalhos incompletos que deixara em cima de sua mesa de vidro. Sua cama grande com a sua colcha preferida. A sua foto mais bonita. Foi até o closet e apreciou suas roupas. Sentira tanta falta delas, das opções. Seus perfumes e sapatos. Sorriu. Aquelas coisas já tinham sido as mais importantes em sua vida, mas agora, eram só um complemento.

Foi até seu banheiro e apesar do cansaço e adiantado da hora, abriu a água da banheira. Aquele capricho ela não abriria mão. Enquanto o banho não ficava pronto, escolheu sua camisola de seda, suas pantufas e seus cremes. Ela tinha mudado sim, mas nem por isso deixaria de se cuidar.

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