Capítulo 15

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DE VOLTA

Eram tantas as coisas no que pensar e sentir que Alice resolveu fechar os olhos e respirar fundo. Não sabia quanto tempo ainda ia demorar a chegar a sua casa. Descobrir que Oliver gostava dela a ponto de fazer tudo o que fez parecia até uma grande piada. Lembrar das pessoas que conheceu, tanto nas histórias que leu como através da viagem que fez. Seu coração ficou mais quente ao pensar em Lipe. Lembrou também do pai hospitalizado. Do avô que morreu, dos tios e primo assassinados. Como em dois meses tanta coisa podia acontecer? Como em dois meses tanta coisa podia mudar? Não conseguiu dormir e ficou prestando atenção na estrada escura e as vezes iluminada por onde passava. Quando reconheceu o bairro por onde entrou suas mãos começaram a suar, agora estava bem próxima de casa.

Um barulho de carro fez com que Electra abrisse os olhos. Já estava na sala a mais de uma hora na expectativa da chegada de Alice. Àquela hora da madrugada a rua ficava muito quieta e qualquer barulho já fazia diferença. Teve quase certeza de que se tratava da garota que a fez vir para o Brasil. Sorriu. Suas obrigações estavam chegando ao fim.

Se levantou desamassando as dobras de sua blusa. Com ansiedade foi para a porta e desceu as escadas de pedra que levavam até o portão social. Antes de abrir, respirou fundo. Girou a maçaneta e deixou seu olhar cair em um carro parado bem à frente. Os vidros eram bem escuros e não a deixava ver quem estava em seu interior, mas ela sabia de quem se tratava. Ficou esperando.

Alice sentia as pernas tremulas e por isso ainda não tinha conseguido se mover para fora do veiculo. Esperou tanto por aquele momento que agora que estava ali mal acreditava que fosse verdade. Foi quando viu o portão se abrindo e dele surgir uma mulher que nunca tinha visto antes. Achou aquilo estranho. A moça parecia que a aguardava. A olhou ainda por um ou dois minutos antes de tomar coragem de abrir a porta e finalmente descer do carro.

Electra, apesar da pouca iluminação da rua, achou Alice mais bonita pessoalmente do que nas fotos. Apesar do cabelo parecer pouco tratado, ainda emitia um pouco de brilho dourado por causa de sua cor clara. Os olhos verdes da garota a sondavam silenciosamente e então ela se lembrou que a Alice jamais a vira na vida. Quebrou o silêncio.

- Olá Alice. Sou Electra Nadezhda. Cuidei de seu avô na Itália e vim para cá quando ele faleceu. – Ela já sabia que a menina estava informada de todos os acontecimentos, por isso fez um pequeno resumo. Alice deu dois passos a frente se aproximando do portão.

- Com soube que eu estaria aqui? – Ela tinha outras mil perguntas, mas aquela era a mais urgente.

- É uma longa história que terei o prazer de lhe contar detalhadamente. Mas antes acredito que o melhor a ser feito seja a senhorita entrar em sua casa. – Electra sorriu agradavelmente e com um aceno de cabeça Alice concordou com ela.

Passar por aquele portão parecia algo surreal. Quantas vezes fizera aquele movimento sem nem dar importância? Parou um pouco antes de subir as escadas que dariam na porta principal. Quis olhar cada pedaço do jardim e detalhe da construção da casa. Até aquele momento não tinha reparado o quanto sentira falta daquele lugar. Deu um sorriso e subiu as escadas.

Ao entrar na sala não se surpreendeu muito ao ver que nada tinha mudado. Os pais eram tradicionais a ponto de evitarem grandes transformações. Olhou tudo em volta antes de tomar fôlego e começar a gritar.

- Mãe! Álvaro! Estou de volta! Acordem! Sou eu! Alice! – Uma lágrima escorreu por seu olho esquerdo. Olhava em expectativa as escadas esperando alguém vir recebê-la. Não demorou muito ouvir passos apressados.

Álvaro descia pulando alguns degraus. Pensou que estivesse sonhando, mas resolveu conferir. Quando chegou ao pé da escada e viu sua irmã parada ao meio da sala sorrindo e chorando ficou congelado. Em meio a tantas noticias ruins, ela ali, parada, era a melhor coisa do mundo. Correu de encontro a ela e abraçou mais forte que poderia.

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