Capítulo 14

5 0 0

CAI A MÁSCARA

Enquanto uma terrível verdade era contada em sua casa, Alice voltava para seu "cativeiro". Estava exausta pelos dias de viagem e desejava intimamente tomar um banho e dormir. Mas ao mesmo tempo sentia outra coisa. A necessidade de acabar com tudo aquilo. Ela ia cobrar a liberdade que lhe prometeram que viria depois daquela viagem.

O carro desta vez parou em frente a porta principal da mansão. Lipe dormia tranqüilo em seus braços e nem percebeu quando ela se levantou e saiu do carro em direção a casa. Só quando já estava no hall de entrada que Laura voltou a falar.

- Bem Alice imagino que esteja cansada. – A menina a olhou abatida.

- Um pouco sim.

- Receio que não poderá descansar ainda. Chegou a hora de você saber a verdade do seu seqüestro. – A ruiva disse muito tranqüila. Já Alice sentiu as pernas ficarem trêmulas. O coração disparou e a respiração ficou rápida. Não sabia o que dizer por isso não disse nada.

Com seu sorriso costumeiro e cativante, Laura se aproximou dela e pegou Lipe de seus braços. Tudo que ouviu foi uma voz longe dizendo para ela seguir o corredor e virar na primeira porta a direita. Com um suspiro longo ela seguiu o caminho indicado.

Chegou em uma sala grande e acolhedora. A luz era baixa, apenas alguns abajures acessos, dando um tom amarelado a tudo. As cortinas das janelas estavam todas fechadas. Era um cômodo luxuoso sem ser exagerado. Olhando em volta reparou que em uma poltrona, que estava virada de costas para ela, havia uma pessoa sentada. Só podia ser seu seqüestrador, ela pensou. Engolindo em seco e tomando coragem movimentou as pernas lentamente até chegar a frente e poder ver o rosto. Quando isso aconteceu ela apenas se deixou cair em um sofá próximo.

- Surpresa? – A voz dele agora tinha um tom conhecido. Se sentiu idiota. Como não desconfiara dele? Era tão obvio!

- Isso tudo é bem sua cara não é? – A voz dela saíra rouca e rancorosa, ele se preocupou.

- Alice, por favor, você sabe que isso não é uma brincadeira de mal gosto, você entende muito bem o que se passou aqui nesses dois meses. – Ele se inclinou um pouco para frente a fim de olhá-la no fundo dos olhos. Agora suas orbes sustentavam a cor original que possuíam um castanho quase verde, com matizes de marrom escuro.

- Eu entendo? O que você acha que eu entendo? – A voz de Alice saiu meio estrangulada agora, o choro dava seus avisos de que estava para chegar.

- Fiz tudo isso porque era tudo que eu podia fazer. Sempre acreditei que você merecia a chance de ser uma pessoa melhor. Mas o meio em que você nasceu e cresceu não te permitiam isso. Fiz tudo isso porque sempre acreditei em você. – O rapaz estava ficando nervoso, e ela, desesperada.

- Eu não acredito em você. Como poderia? Sei que nunca gostou de mim. Sempre me criticou, me achava superficial e mimada. Nunca nos demos bem! Por Deus, sempre te odiei! – Ele levantou de súbito, passando as mãos em seus cabelos castanho claros lisos. Andou de um lado para o outro algumas vezes, como se isso o fosse acalmar. Alice já tinha lágrimas no rosto.

- É horrível ouvir que você me odeia. Horrível. Eu nunca quis gostar de você. Sim, porque eu realmente achava tudo isso. Você era superficial e mimada. Mas de tanto prestar atenção em seus defeitos eu acabei reparando em suas qualidades. Sempre muito inteligente e de pensamento rápido. Alice, toda a raiva que eu sentia era a máscara que eu usava para esconder a verdade. – Ela sentia que poderia derreter a qualquer momento. Chorava sem nem mesmo poder evitar. Sua cabeça dava voltas e mais voltas e ela simplesmente não conseguia concluir nada.

AliceLeia esta história GRATUITAMENTE!