Capítulo 12

13 0 0


A VIDA É BEM REAL

Enquanto em Belo Horizonte as coisas avançavam, no Rio de Janeiro não era diferente. Na verdade Alice não ficara muito tempo no trânsito. Pararam em frente a uma construção grandiosa e antiga. Desceram e se dirigiram até a porta que parecia principal. Para Alice aquilo parecia um hospital e logo teve a confirmação.

- Aqui é a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. A primeira do Brasil. Não se tem uma data correta de sua fundação, mas se sabe que foi em meados do século XVI. E não mudou de endereço. Sempre foi aqui na Rua Santa Luzia, 206, Centro do Rio. – Laura sorriu e entrou sendo seguida por Alice.

- Por que estamos em um hospital? – Aquilo não fazia sentido algum para ela.

- A Santa Casa de Misericórdia não é só um hospital por assim dizer. Aqui são realizados muitos trabalhos de ajuda comunitária. Tenho amigos que contribuem com as finanças e por isso tenho livre acesso em algumas partes daqui. Venha comigo. – Como não tinha outra escolha Alice a seguiu. Passaram por um pátio até chegarem em outra ala do hospital. Ela agradeceu, por ali o ambiente estava mais fresco.

- Vai me explicar?

- Claro. Aqui existe um serviço de ajuda aos pobres e mendigos. Comida e roupa são doadas além de uma assistência médica. Vamos dar uma olhada por ai.

Laura parecia muito a vontade naquele lugar, era como se sempre estivesse por ali. Andaram em corredores abertos e ventilados até chegarem em um salão grande onde havia várias pessoas sentadas. Primeiro sentimento que se apossou dela foi medo. Coisa infantil, ela se repreendeu, afinal eles não iriam lhe fazer algum tipo de mal. Depois sentiu pena. Eram tantos homens e mulheres, mal vestidos e até com mal cheiro. Crianças magras e imundas. Teve vontade de dar banho em cada um deles e lhe dar um bom prato de sopa.

- Esses com certeza chegaram faz pouco tempo. Mas quero que conheça Eliza. Ela está bem ali. – A pessoa em questão era uma mulher franzina, de cabelos enrolados em um coque mal feito e grisalho. Estava vestida com varias camadas de roupa o que era completamente inlógico se julgar o calor que estava fazendo. Estava sentada em uma cadeira olhando a todos com um ar de superioridade.

- Sejam bem vindas minhas caras senhoras. Em que posso ajudar? – Se levantou sorrindo mostrando dentes amarelados.

- Olá Eliza! Lembra-se de mim? Laura. – A mulher parou de sorrir e ficou encarando a ruiva.

- Acho que sim, me desculpe. Seus cabelos são tão bonitos. Mas essa ai tenho certeza que não conheço. – Olhava para Alice como se pudesse ler sua alma.

- Está certa. É a primeira vez que vem aqui e está muito curiosa em saber sua historia. – Eliza sorriu mais abertamente. Pelo jeito gostava de contar a sua biografia.

- Mas isso é ótimo. Estava mesmo entediada. Sente-se aqui. – Ela indicou a cadeira em que estivera minutos atrás para Alice se sentar, que sem graça e confusa aceitou.

- Obrigada.

- Sabe menina já fui linda como você. Não era loira, mas meus cabelos eram sedosos e minha pele limpa e macia. Foi o dinheiro que me deixou assim e me trouxe até aqui. - Os olhos de Eliza ficaram opacos e Alice teve certeza que ela era louca. Como o dinheiro poderia deixar uma pessoa naquele estado?

- Explique melhor para ela. – Laura a encorajou.

- Claro. Nasci em uma família muito rica. Fui filha única e tive tudo que eu poderia desejar. Festas, viagens, casas, carros. Enfim. O que o dinheiro pode dar. Mas ele não dá amigos e nem amor. Mas eu pensava que sim. Achei que poderia comprar essas coisas. Acreditei que estava imune dos males da vida por ter dinheiro. Eu era a melhor! Nada e nem ninguém poderia me atingir. Certo? Errado. Eu foi atingida. Consegui comprar amigos e até um marido. Fui traída e roubada. Meu filho foi tirado de mim quando o pai alegou que eu estava louca. Levou todo meu dinheiro e me jogou na rua. Ainda disse que era isso que eu merecia por ter feito mal a muitas pessoas por causa do dinheiro. Nunca aprendi a fazer nada porque sempre tive alguém que fazia tudo por mim. Não aceitava a idéia de trabalhar. Quando vi estava morrendo de fome. Comecei a mendigar por ai. Até o dia que bati na porta de um carro. Quando abriram vi aquele homem com meu filho e a suposta amiga que eu comprei. Meu menino a chamava de mamãe. Me olharam frios e seguiram o caminho deles. E eu tomei remédio de rato.

AliceLeia esta história GRATUITAMENTE!