Capítulo 11

9 0 0


A VERDADE SEMPRE ESTÁ PERTO

Quase duas semanas que estava ali naquela casa. Para sua sorte fora instalada em um quarto de hóspedes próximo ao de Alice. Nas madrugadas ia até lá a procura da agenda que senhor Alfredo lhe citava na carta de instruções. Só na noite passada conseguiu encontrá-la. Temeu que a detetive, que todos os dias aparecia por ali, a encontrasse primeiro. Mas deu sorte. Agora o dia já estava amanhecendo e Electra nem havia dormido ainda. Lia com ânsia as linhas daquela agenda em busca do nome e do endereço que precisava. Ainda não havia encontrado. Resolveu tirar um cochilo de uma hora para poder aparecer apresentável ao café da manhã, até mesmo porque essa era a pior hora do dia, pois a senhora Ofélia ficava sempre mais hostil no inicio da manhã.

- Essa garota dormiu aqui Álvaro? – A senhora da casa passou a cultuar o hábito de se vestir de negro todos os dias, como se estivesse de luto.

- Bom dia para você também mamãe.- Álvaro havia acabado de entrar na sala de jantar com a companhia de Dani, a detetive que praticamente não saia mais da casa.

- Sem ironias a essa hora da manhã. – Ofélia viu seu filho se sentar no lugar de sempre e Danielle fazer o mesmo, ao lado do rapaz.

- Então não seja tão indelicada. Dani foi minha convidada. Ficamos ate tarde olhando alguns papeis e achei melhor que ela não fosse embora.

- Me desculpe senhora. – A loira de nariz arrebitado falou baixo. Ofélia a encarava com desagrado.

- Não sei por que Odilon permitiu um desatino desses. Mas acho que seu pai está tendo problemas mentais mesmo. Abrigar aquela mulher que nem nunca ouvimos falar como se fosse da família. Ainda mais nos tempos que estamos passando.

- Você não acha que aquela mocinha seja uma assassina, acredita? Que tolice mamãe. Está assim por ela ser jovem demais e bonita além da conta.

- Não seja infantil. – Nesse momento Electra passara pela porta lançando um bom dia sorridente a todos. – Ótimo, meu café já acabou. – E Ofélia se foi e Electra suspirou, era melhor quando ela saia. Tomou seu lugar a mesa.

- Mamãe não te perdoa mesmo.

- Eu só não sei o que eu fiz para ela não me perdoar.

- E seu pai? – A detetive resolveu quebrar seu silêncio e aquele diálogo.

- Na verdade eu não sei, mas como ele não apareceu ainda com certeza não virá. Já deve ter ido para o escritório. Ah droga! – Álvaro acabara de bater nos bolsos da calça.

- O que houve? – Electra perguntou tomando um suco de laranja.

- Esqueci meu celular. Vou buscar, só um momento garotas. – Se levantou depressa e saiu. Quando ele estava distante o suficiente Dani abriu a boca.

- Você pode enganar a todos eles, mas a mim não. – Electra, que estava de cabeça meio abaixada passando geléia em um pão de queijo levantou o olhar.

- Como? – Ambas tinham um tom de voz baixo.

- Sei que de alguma forma está envolvida nessa história da Alice. Desde o primeiro dia que te vi aqui. Você é educada demais, solicita. Podia ter ido embora, afinal o corpo do senhor Alfredo já até entrou em decomposição. Mas não, continua aqui. – Electra tentava não perder a calma e acabar se denunciando.

- Como eu teria algo com o seqüestro de Alice? Estava na Itália quando tudo aconteceu. Se você não gosta de mim e..

- Não seja tola, isso você não é mesmo. São seus gestos. Eu tenho te observado, afinal estudei para isso. Age como se encenasse, mas é exatamente isso que faz. Qualquer outro em seu lugar já tinha mandando aquela Ofélia para os quintos dos infernos e teria dado o fora daqui. Querendo ou não ela é a dona da casa. Mas você continua aqui, sorrateira. Seus olhos buscam por algo o tempo todo. Você está sempre ansiosa, como se tivesse medo. – Electra se recostou melhor na cadeira quando Danielle parou para respirar.

AliceLeia esta história GRATUITAMENTE!