Capítulo 8

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OS ÚLTIMOS PRESENTES DE ALFREDO

Os sapatos de Electra batiam forte contra o piso de pedra daquela pequena casa alugada em Trivólzio. Desde que ela trouxera aquele recorte de jornal, que falava de mais uma morte na família, no inicio da manhã do dia anterior, Alfredo começara a sentir fortes dores de cabeça, sendo que na hora do almoço ele desmaiara. Agora estava em seu quarto, completamente no breu. Ele não reclamava, mas Electra sabia que ele estava sofrendo de dores. Correndo pelo corredor que ligava a cozinha até o quarto de Alfredo, sua garganta apertou um pouco, aquele homem bondoso estava morrendo.

- Bom dia senhor Alfredo. – Ao entrar, Electra controlou sua voz e colou um belo sorriso na cara. – Podemos abrir as cortinas hoje? Está um dia muito bonito. – E foi para perto das janelas amplas do quarto.

- Tudo bem Electra, pode ser a ultima vez que eu veja o sol. – A voz dele estava mais baixa do que da ultima vez que ela o ouviu e isso a angustiou mais.

- Não diga isso, é só um mal estar passageiro. – Ela disse segura ao se voltar para ele e encontrá-lo tão branco quanto uma folha de papel.

- Venha, por favor se aproxime. – Alfredo estava meio sentado em sua cama. Respirava com a ajuda de um balão de oxigênio. Seguindo seu pedido, Electra foi para perto e sentou na ponta, aos pés da cama, lhe sorriu terna.

- O senhor deveria tomar seu café, Paola já esta preparando.

- Eu não preciso mais de comida Electra e você sabe, mas preciso de outra coisa. Eu preciso falar com você e peço que enquanto eu estiver falando não me interrompa, tudo bem? – Ela o olhava séria e preocupada.

- Tudo bem.

- Nós dois sabemos que meu prazo nessa vida já acabou. Não passo de hoje, no máximo amanhã. Por isso, preciso acertar algumas coisas que não tive tempo de finalizar. Estou deixando alguns poucos bens para você com o objetivo que você tenha uma renda garantida. É a minha maneira de agradecer todo o carinho, atenção e tempo dispensados a mim.

- Mas senhor Alfredo! – Electra realmente estava sem graça com aquele fato.

- Você concordou em não me interromper. – Ela acenou com a cabeça.

- Me desculpe.

- Eu estou lhe dando isso por agradecimento, mas tem mais um motivo. Gostaria muito que, se lhe for possível, você vá para o Brasil. Você já sabe que quero ser enterrado lá, então poderia ir acompanhando meu corpo. Mas há coisas que eu quero que faça. Preciso que você ajude Alice.

- Alice? Sua neta que sumiu? – Electra tinha o cenho franzido.

- Exatamente. Lembra que andei recebendo uma correspondência sem remetente? É da pessoa que está com Alice. A pessoa me explicou porque seqüestrou Alice e o que está fazendo com ela. Não me olhe assim, se fiquei quieto e tranqüilo é porque sei que está tudo bem com a minha neta e principalmente concordo com tudo. Além disso, eu sei que pelo menos Alice está a salvo desse assassino desvairado que resolveu acabar com a minha família. – Nesse momento, Alfredo teve um acesso de tosse forte e Electra teve que se levantar para acalmá-lo. Ao fim da crise ele estava mais afônico.

- O senhor deve descansar senhor Alfredo, mais tarde conversamos. – O homem segurou com força o braço de Electra.

- Não, por favor, não tem mais tempo, me deixe terminar. – Segurando a vontade de chorar, a moça se sentou mais uma vez, agora ao lado do moribundo.

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