Capítulo 47 - Rafael PARTE II

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— Madison e Jessica a prenderam em um armário hoje. Imagino que Aurora te ligou porque demoramos para encontrá-la. — O rosto de Finn abandona a palidez ao ganhar tons distintos de vermelho conforme minha palavras passam a fazerem sentido. Sua boca se abre e apenas um palavrão escapa por ela. — Por falar nisso me dá o seu celular. — Ordeno cutucando Aurora que o coloca em minhas mãos. Eu anoto meu número e devolvo.

— Elas... — Finn faz uma pausa parecendo atordoado. — Elas te trancaram em um armário? — Aurora morde os lábios, me olha feio e assente, nessa ordem, depois me olha feio novamente. — Porque fizeram isso?

— Por minha causa. — Murmuro me sentindo péssimo.

— Entra Encrenca! — Ordena duramente dando um passo para o lado. — Eu vou até seu quarto em um minuto. — Ela me olha e faz um aceno de despedida obedecendo Finn que fecha a porta assim que Aurora passa, se recostando sobre ela. — Porque foi culpa sua, Rafael? — Pergunta cruzando os braços me parecendo pouco amigável.

— Porque eu me sentei com Aurora no refeitório. — Dou de ombros. Finn parece confuso. — Madison ficou com ciúmes do tempo que estou passando com Aurora. — Noto que a cada segundo Finn parece mais irritado e acabo ficando desconfortável com o julgamento que vejo em seu olhar, embora eu saiba que sou o culpado pelas atitudes de Madison e sua ajudando sem vida própria.

— Eu fico feliz que você tenha aceitado ajudar Aurora com suas lembranças, Rafael. — Murmura não me parecendo feliz. — Mas não quero que ninguém a machuque mais do que já está machucada, você entendeu? Ninguém. — Frisa duramente me dando um aviso. — Então eu quero que você cuide pessoalmente para que esse tipo de coisa não se repita e coloque uma porra de coleira na sua namorada antes que eu tenha que ir pessoalmente ter uma palavrinha com Madison e com os pais dela porque isso não será divertido.

— Eu vou cuidar de Aurora e prometo que não saio mais de perto dela, Finn. — Juro arrependido por não ter sido mais cauteloso. — Era obrigação minha ter imaginado que algo assim pudesse acontecer.

— Ótimo! — Resmunga abrindo a porta. — Se você me dá licença eu tenho uma adolescente para consolar e outra para degolar. — Resmunga. — Se Jessica não aparecer na escola amanhã, você pode espalhar a notícia.

— Vai em frente, eu tenho um namoro para terminar. — Ele para com a mão na maçaneta como se houvesse sido congelado. Respira fundo e se volta lentamente para olhar dentro dos meus olhos com um brilho de reconhecimento no olhar.

— Por causa dela? — Uma pergunta simples, mas com uma importância sem tamanho. Eu poderia lhe contar uma mentira, mas sou sincero.

Por causa dela.

— Não consigo lidar com isso — Murmura de maneira torturada e infinitamente engraçada falando sozinho ao me dar as costas e entrar em casa. — É demais pra mim, demais! — Pouco antes que a porta bata escuto seus gritos. — JESSICA DESCE AQUI AGORA! — Uma já foi, agora falta a outra, penso enquanto caminho para casa.

Enquanto seus pés não tocarem o chão - Aurora & RafaelLeia esta história GRATUITAMENTE!