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Imaginar que eu teria que passar por tudo de novo, tolerar cada madrugada fria nas ruas, cada piadinha de discriminação e deboche jogada pelas pessoas que passavam, cada homem barrigudo e grosseiro, me deixava ainda mais deprimida. Parecia pior que a própria desilusão sofrida e a perda do dinheiro. E desta vez ia demorar ainda mais para juntar uma quantia de dinheiro significativa, pois eu já não era tão jovem quanto antes e nem era mais novidade no pedaço, visto que as novatas são sempre mais requisitadas. Porém, se conseguisse abrir uma lanchonete pequena já estaria bom.

Olhei para o rosto enrugado de Margô, do outro lado da mesa, seus olhos vermelhos devido às muitas noites de sono perdido, seu olhar alternando entre o bar e a rua, a procura de qualquer um que lhe oferecesse uma merreca em troca de sexo e temi amargamente terminar como ela. Margô estava nas ruas há mais de vinte anos, era conhecida e respeitada por todos, entretanto, já quase não conseguia mais clientes devido a idade e aos anos no mesmo lugar, passava a maior parte do seu tempo sentada a mesa daquele bar, bebericando o chop que os homens lhe pagavam por dó, vendendo preservativos só para ter um pretexto para estar ali, servindo de ouvinte para as pessoas desesperadas que queriam desabafar sem serem julgadas, como eu.

— Eu não suporto mais essa vida. — reclamei pelo que me parecia a décima vez desde que sentei a sua mesa, choramingando. — Não vou dar conta de trabalhar mais três anos para juntar o dinheiro que preciso.

— Veja pelo lado positivo: pelo menos você não tem filhos e nem é viciada em drogas como a maioria das meninas. Pode ficar com o dinheiro todo pra você.

— Não tenho mais estrutura pra isto. Estou cansada. — e estava mesmo. Foram três longos anos de noites em claro, suportando tudo em nome do meu objetivo.

Antes de conhecer Fábio eu já fazia programas, mas era bastante seletiva e saía apenas quando precisava comprar uma roupa cara para desfilar nas casas noturnas da cidade, pois naquela época ainda vivia na casa dos meus pais em Volta Redonda, não precisava me sustentar. A coisa ficou séria depois que eles descobriram a verdade e me expulsaram, sem dó nem piedade.

— Por que você não arranja um marido pra te sustentar? — Margô indagou, após dar uma grande tragada no seu cigarro.

— E viver apanhando como as garotas que optam por essa saída? Nem morta!

— Talvez você ache um que não bata. Deve ter um cara bom no meio de tanto lixo.

— Um homem jamais vai tratar bem uma mulher se a tirar dessa vida e não tem como esconder isso. Todo mundo na cidade sabe o que fazemos, porque ficamos expostas na rua. Se tivesse como esconder, seria uma saída.

Margô ficou me encarando em silêncio, até que seus olhos se arregalaram.

— Acho que tive uma ideia. — declarou com entusiasmo, tirando seu smartphone da bolsa. Digitou alguns botões antes de me entregar o moderno aparelho, que certamente comprara de algum ladrão e trocara o chipe. — Olha isso.

Peguei o aparelho de sua mão e vi a imagem de uma cidade que parecia francesa, ou italiana.

— O que tem isso? — perguntei sem entender nada.

— Leia o título do artigo, criatura.

Fiz o que ela disse, o artigo era intitulado; "Montana: A cidade mais rica do Brasil". Espantei-me que fosse uma cidade brasileira, visto que parecia organizada e limpa demais. Continuei lendo o artigo com curiosidade, ao mesmo tempo em que Margô relatava-o com suas palavras.

— Essa cidade fica no interior do Goiás, é rodeada de fazendas riquíssimas. Os fazendeiros fundaram uma faculdade particular, com os melhores professores doutores do país, para formarem os próprios filhos. Desde então a cidade cresceu, é quase uma metrópole e como os primeiros moradores são todos ricos, seus descendentes também são, outros milionário migraram devido ao bom desenvolvimento, ou seja, tem muito homem rico lá.

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