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Capítulo 1

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Olá leitores, tudo bem? 

Sejam bem-vindos a mais uma história. Espero que gostem de ler tanto quanto estou gostando de escrever. 

Essa história será toda narrada pelo ponto de vista da protagonista, será postada até o final, como sempre. A princípio, postarei um capítulo por semana, (aos sábados) depois passarei a postar os dois (as terças e sábados).

Como podem ver, mudei a capa novamente, optando por uma coisa mais discreta e, acreditem ou não, ainda estou indecisa sobre esta e a capa anterior rsrsrs. 

Vamos à leitura, não esqueçam de me dizer o que estão achando. BEIJOS!! 

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CAPÍTULO I

Bati a cabeça na parede uma, duas, três vezes, com tanta força que cheguei a ver estrelinhas brilhando.

— Pára com isso. Se torturar não vai resolver nada. — Margô falou, sentada do outro lado da mesa no pequeno barzinho na Avenida Atlântica.

O pagode romântico que tocava ao fundo, unido ao fedor de cerveja misturado com cigarro, contribuía para o crescimento da minha nostalgia. Quanto mais pensava no que aconteceu, mais me desesperava.

Eu ainda não podia acreditar no quanto fui tola, me deixando enganar por um cafajeste que desde o início tinha o objetivo único de me extorquir. Aos vinte e cinco anos de idade eu não tinha mais o direito de ser tão ingênua e de ser tão tapada a ponto de não perceber nada mesmo com todo mundo à minha volta me alertando. Na realidade, eu cheguei a acreditar que as pessoas falavam mal do meu relacionamento com Fábio, por inveja. Fui uma anta mesmo.

Foram três longos anos me prostituindo nas calçadas de Copacabana sem gastar nenhum centavo com qualquer coisa que não fosse o básico — como por exemplo o aluguel de uma quitinete, roupas e maquiagem —, a fim de guardar o dinheiro para abrir o meu próprio negócio e sair daquela vida miserável. Durante aqueles anos suportei o frio das madrugadas de inverno, o perigo constante e todo tipo de homem usando meu corpo, para que no final aquele maldito me roubasse.

Todos me avisaram que eu não devia me envolver com o manobrista de um dos restaurantes ali perto, pois um homem jamais levaria a sério uma garota de programas. Todavia, ignorei a todos e o levei para morar comigo; o banquei durante todos aqueles anos porque acreditava que estava apaixonada e que era correspondida. Juntos planejamos abrir um restaurante, nos casarmos e constituirmos uma família. Eu só me dei conta do quanto estava sendo iludida e usada há dois dias, quando Fábio pegou meu cartão do banco para retirar o dinheiro do aluguel e raspou minha conta para desaparecer como poeira em seguida, levando até o último tostão do dinheiro que ganhei sozinha e que seria o nosso futuro, um futuro que sonhei sozinha também.

Depois de esgotar meu estoque de lágrimas, finalmente perdi as esperanças de que ele pudesse ter sido assaltado — o que seria impossível, considerando que um assaltante não o obrigaria a sacar até o último centavo da conta —, me convenci de que fui feita de otária e levantei-me da cama, perguntando-me o que me restava. A resposta era só uma: voltar às ruas e começar do zero, desta vez sozinha, afinal não existe um meio de se sair dessa vida que não por conta própria, principalmente para quem não tem uma formação escolar adequada para arranjar um emprego que pague o suficiente para se ter abrigo e comida.

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