14- CONQUISTANDO TERRITÓRIOS

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  Brasil, Itaiópolis, Santa Catarina, ano de 2015

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  Brasil, Itaiópolis, Santa Catarina, ano de 2015.   

Quando o sangue começa a ferver é tolice desligar o coração.

Nelson Mandela



Seguindo o fluxo de memórias, fui parar no alto de uma montanha, contemplando uma paisagem estupenda. O ano era 2015. Finalmente, havia achado o lugar ideal para continuar nossa saga e deixar nosso legado. Agora eu sabia que havíamos fundado uma organização, eu, Mariana e Scarface. Com minhas incríveis informações colocávamos em prática nosso plano para mudar o mundo. Um plano mirabolante, baseado no que Hugh Everett havia me passado. Salvar áreas naturais era uma de nossas missões. Observava aquela imensa massa de floresta, espalhada entre enormes montanhas. Nela existiam riquezas escondidas e por muitos desprezadas. Eu sabia só de olhar. No local havia árvores centenárias, lindos córregos de água translúcida, cachoeiras vertiginosas, animais raros e, claro, uma exuberância de plantas inigualável. Olhei para o guia que me acompanhava e com um sorriso disse que era isso que procurava.

O caminho até àquele mirante natural não havia sido fácil. Eu e o experiente guia atravessamos áreas íngremes, rios, várzeas, taquarais e uma densa área de floresta. Sofri, pois meu preparo físico não era mais o mesmo. Depois dos trinta já pode-se sentir a decadência física. Disfarcei meus limites, só expressei cansaço na chegada ao mirante, onde tive que me sentar, beber muita água e descansar observando a magnífica paisagem. A volta seria árdua, mas não como a vinda, pois voltaria em companhia da sensação de vitória, mais uma etapa de nosso plano estava se concretizando.

Durante a volta quase não conversei com o guia, fiquei preso em reflexões. A sensação de bem estar, de conquista, era tão grande que durante o caminho inteiro meu sorriso não se desmanchou. Muito tempo havia sido necessário para conseguirmos identificar áreas como aquela. Uma vida inteira. Eu estava tão reflexivo que volta e meia batia a testa em um galho, escorregava em um talude, me arranhava em espinhos, era a floresta pedindo minha atenção.

Minha memória era privilegiada naqueles tempos. Lembrava com facilidade milhares de nomes científicos de plantas e animais; conhecia todas as constelações celestes; e fazia contas mentalmente com uma agilidade invejável. Era um profissional da engenharia florestal, mas tinha um conhecimento geral e científico amplo, conseguindo atuar como pesquisador em áreas bem diferentes como a geografia e a astronomia. Ganhava a vida fazendo pesquisas com recursos próprios de nossa sociedade, nossa instituição era cheia de segredos.

Algumas horas se passaram até que eu e o guia conseguimos chegar à estrada rural em que tínhamos deixado à camionete. O último trecho que transpassamos era um taquaral denso e em declive. Eu mais que o guia fiquei arranhado e visivelmente cansado. Assim que saímos na estrada o guia perguntou:

— O dotô vai querer produzi o que na propriedade? Não sei se é bom negócio não! — o sotaque do guia denunciava de imediato que se tratava de um catarinense da área rural.

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