PARTE 02 - EM BUSCA DA VERDADE Capítulo 9- O TRAIDOR

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Brasil, Maranhão, Bairro para Viajantes, Hotel, ano de 2333

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Brasil, Maranhão, Bairro para Viajantes, Hotel, ano de 2333.

Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte.

Sigmund Freud

Abri os olhos e de imediato fui surpreendido. Sai de um belo sonho para entrar em um pesadelo sem precedentes. A poucos centímetros do meu nariz vi o cano de uma arma estranha. Um homem com máscara de esqui engatilhava para atirar. Não tive tempo de pensar, agi por puro instinto e logo após o engatilhar movimentei minha cabeça saindo da linha de tiro. Um feixe de luz saiu da arma sem fazer ruído e explodiu a cabeceira do sofá onde eu estava. Surpreendentemente, me movimentei como se já tivesse participado de momentos como aquele. Acertei um belo chute nos bagos do sujeito, me levantei, torci os pulsos e imobilizei o ser desprezível na metade do sofá que ainda existia. A arma permaneceu caída no chão. Me esforçando consegui segurar o corpo agitado do homem e pegá-la do chão. Era um objeto metálico cilíndrico, como um bastão, que possuía um sistema de engatilhamento parecido com uma winchester e com botões em uma das extremidades. Não sabia ao certo como utilizá-lo, mas empunhei-o, engatilhei e fiquei com os dedos firmes no botão que parecia ser o de disparo. Observei a sala e tudo estava quieto, na mesinha ainda estava o frasco do remédio.

— Desgraçado! Quem é você? O que você quer? — gritei enfurecido e quase sufocando aquele assassino.

O homem não conseguia falar, só grunhia.

— Julia? Julia? Está tudo bem? — gritei desesperado.

Ouvi passos vindos do corredor e gemidos de alguém que sufocava. Prendi meu olhar na porta do corredor enquanto a adrenalina dominava o meu corpo. Quase vomitei de desgosto quando vi um corpo feminino cair no chão, batendo secamente perto do vão da porta. Alguém sufocou minha filha e jogou-a no chão. O rosto parecia sem vida. Meu dedo tremeu no gatilho, quase estourei os miolos do filho da puta que eu segurava no sofá.

— Desgraçado! Ele vai morrer — gritei com todo o meu fôlego.

Pressionei o cano da arma com toda a força no crânio do sacana que tentara me matar. De repente surgiu um homem alto e absurdamente forte no vão da porta. A musculatura sobre-humana, as feições contorcidas por crescimento anormal, me fizeram lembrar aqueles bois de exposições rurais, uma aberração hormonal. Fiquei encarando o monstro, que lentamente passou pelo corpo de Julia, vindo em minha direção com uma arma em punho. Virei minha arma para atingir o assassino, apertei o gatilho, mas nada aconteceu. Aquilo causou gargalhadas no gigante, que também apertou seu gatilho para me atingir, mas novamente nada aconteceu. Trocamos olhares de surpresa.

Na porta da cozinha surgiu Scarface tendo em uma das mãos uma arma e na outra um pequeno aparelho com uma luz vermelha piscando. O gigante avançou para deter Scarface, mas ele com um movimento indescritível e simples se desviou do golpe. Percebendo o adversário desnorteado ainda aproveitou para golpear a garganta e empurrar o corpulento homem contra o vidro da janela, que não aguentou a pressão e estilhaçou. A ação da gravidade agiu fazendo justiça e sujou a linda calçada da fachada do hotel de restos mortais e sangue.

Fiquei atônito com toda aquela ação e com a presença inesperada de Scarface. Meu companheiro de hospital veio em minha direção enquanto eu continuava a segurar o outro invasor. Scarface me encarou e clicando no aparelho em sua mão apagou a luz vermelha dando lugar a uma luz verde, o sinal estava aberto. Na sequência apontou a arma para o joelho do homem que eu segurava e, sem me avisar, disparou um tiro inaudível. A perna do sujeito sumiu do joelho para baixo, respingando sangue por todo lado. Meu corpo foi ao chão pela força da explosão. Contorcendo-se de dor, o homem urrava. Scarface foi até o perneta e de leve puxou sua máscara. A barba estranha e os olhos de peixe morto se revelaram. Desanimo e falta de esperança dominaram minha mente. Lembrei de Julia afirmando que Dunga era seu melhor amigo. O asco da traição quase me levou a um transe.

— Oco, o tempo é curto, levante-se — falou Scarface.

Meu inesperado salvador foi até Julia e a pegou no colo.

— Oco, não posso fazer tudo sozinho. Rápido!

Ainda estava me levantando quando outro homem, vindo do elevador da entrada, me acertou um tiro. Pegou de raspão, mas senti minha pele queimar enquanto parte do meu ombro sumia. Girei e caí com força no chão. Antes de apagar pude ver Scarface, com Julia nos ombros, acertar um tiro na testa do novo agressor, que acabou decapitado no chão. Dunga, mesmo sem perna, conseguiu se movimentar, pegar a arma que derrubei na queda e atirar na direção de Scarface. O tiro acertou o batente da porta do corredor e parte da parede caiu sobre Scarface e Julia. Enquanto despencava para o chão o implacável homem de cicatriz ainda conseguiu alvejar o peito do traidor. Um enorme vão se fez em meio ao tronco de Dunga. Um vermelho forte manchava o piso e as paredes do apartamento. Tudo ficou escuro. Apaguei para aquela realidade cruel e viajei de volta para minhas lembranças. Uma fuga não proposital, mas de certa forma bem vinda. Saber que Julia podia estar morta era como morrer, achava melhor ficar para sempre perdido em sonhos do que ali na realidade brutal.

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