6- A VERDADE DENTRO DE MIM

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Brasil, Estado do Maranhão, Cerrado Brasileiro, ano de 2333

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Brasil, Estado do Maranhão, Cerrado Brasileiro, ano de 2333.

O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz.

Aristóteles

Dunga estacionou a picape em frente a uma casa rústica, toda feita de bambus, mas de uma beleza arquitetônica única. Era bem dimensionada e parecia ser arejada. Havia um velho na varanda, deitado em uma rede. Descemos todos do veículo e o calado Dunga resolveu tentar comunicação com o velho.

— Boa tarde, senhor.

O velho parecia estar dormindo na rede, pois não demonstrou ter ouvido, e não fez nenhum movimento. Dunga tentou mais algumas vezes, mas tudo em vão. Ficamos nos entreolhando, mais uma situação estranha. Elas não cessam. Tenho certeza que quando chegar ao meu destino nesse deserto encontrarei mais delas.

Julia foi se aproximando da varanda e do velho, um vento forte batia e fazia esvoaçar seus cabelos o que deixou aquela cena bonita de se ver. Após olhar bem para o rosto do velho Julia ficou espantada.

— Os olhos dele estão abertos.

— Deve estar morto — falei tendo quase certeza de minha suposição.

O velho então se levantou, ficando sentando na rede a nos observar. Estava sem camisa e parecia estar nu, pois a rede escondia o discreto shorts que vestia. Seus olhos oblíquos, a testa baixa, a cor da pele misturando o marrom com o vermelho, a ausência de pelos e o cabelo muito liso denunciavam suas origens. Olhou bem nos olhos de cada de um de nós. Um velho índio encarando três estranhos que buscavam uma coordenada geográfica escrita em uma agenda. Parecia um sonho.

— É aqui mesmo, meu povo, por incrível que pareça é aqui. Vamos entrar. Seja bem-vindo Thomas e companhia.

Inacreditável! O velho sabia meu nome. Não tivemos coragem de argumentar e o acompanhamos para dentro da casa.

A mesa da cozinha do índio estava farta com guloseimas: bolo de milho, doce de buriti, castanha de caju, pão caseiro e geleias. Com certeza ele estava a nos esperar. Nosso anfitrião pediu que sentássemos e foi preparar um café. O cheiro da bebida aos poucos foi tomando o ambiente, na mesma velocidade que minha angústia aumentava. Quando concluiu a tarefa, voltou servindo todos com uma térmica. Após sentar-se a mesa rompeu o silêncio.

— Quase não te reconheci, Thomas. Disseram-me que você está com um problema de memória, o que é compreensível, já que a carga de lembranças que você tem foge de qualquer padrão. O que você não lembra?

Era uma situação estranha, mas tentei ao máximo fingir que achava tudo normal.

— Não sei se posso te responder. Basicamente me lembro de como falar algumas línguas, de coisas culturais e até de política em um passado distante, de forma geral tenho boa noção de muita coisa, porém, não me lembro de nada a respeito da minha vida particular, de meus amigos e família.

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