4-ENIGMAS

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Brasil, Rio de Janeiro, Hospital Tavares de Souza, ano de 2333

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Brasil, Rio de Janeiro, Hospital Tavares de Souza, ano de 2333.

O que você procura está procurando você.

Rumi

Lembro-me que acordei suado de um pesadelo estranho e movimentado. Tentei recordar os detalhes do sonho, mas só me vieram fragmentos sem sentido: uma linda criança sorrindo sendo rodopiada, um crucifixo de vidro caindo e despedaçando-se no chão, um mar revolto com um pequeno barco em meio a enormes ondas, um tubo de ensaio com sangue espatifando-se em uma parede, vândalos quebrando um laboratório de química, a boca de um homem pronunciando a frase "o certo vira o errado, o errado vira o certo" e o rosto de um velho negro, com tantas rugas que geravam espanto e respeito, contendo olhos encovados de um azul intenso, como os meus.

Queria saber se aquele sonho tinha alguma pista sobre mim, sobre minha história. Fiquei olhando o teto perdido em pensamentos, sentia como se houvesse uma pressão em meu peito, tinha a sensação que o teto podia cair sobre mim. Foi quando uma voz surgiu em minha mente.

— Desculpe a ligação, senhor, mas uma pessoa está aqui pedindo para te visitar. Posso deixar subir? — Disse a recepcionista do hospital.

— Quem é?

— Diz ser um amigo seu.

— Ok.

Fiquei intrigado. Seria alguém com respostas? Com minhas cotidianas dificuldades me levantei da cama e cambaleando fui até o banheiro. Acionei a torneira com um sussurro e enxaguei meu rosto várias vezes. De frente para o espelho observava minha face, vendo detalhes de minha pele parda e dos meus contrastantes olhos azuis, tão parecidos com os do velho do sonho. Ouvi a porta do quarto se abrir e da fresta da porta do banheiro, vi um vulto adentrando o quarto, alguém em uma cadeira flutuante. Saí curioso do banheiro e tive uma visão aterradora. Desmaiei.

O ser que ficou diante de mim, naquela cadeira flutuante, era o mesmo velho do sonho, de pele negra e enrugada e com aqueles mesmos olhos implacavelmente azuis.

***

Minhas pálpebras se ergueram cansadas e lá estava Julia me observando. Ela resplandecia de alegria, assistindo meu acordar. Estava atordoado, mas me lembrava do acontecido. Meus braços estavam ligados a mangueiras que traziam soro e medicamentos para minhas veias.

— Doutora Julia?

— Eu mesma — disse ela parecendo um anjo.

— O que aconteceu? Quem era o velho?

— Não sei que pesadelo você teve, mas ele fez você ficar desacordado um bom tempo, chegamos a ficar preocupados.

Com certa rapidez me recuperei do ocorrido. Ficou certo que tive um sonho dentro de outro sonho. Tudo tão real que me levou a um desmaio. Apesar disso eu tinha certeza que já havia me encontrado com aquele velho enrugado. Expliquei minhas preocupações para o doutor Felipe, mas ele me garantiu que ninguém me visitou. Chegou até a me mostrar às gravações holográficas do sistema de segurança, onde nada pude ver fora do normal, nenhuma pessoa incomum pelos corredores.

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