— Aguarde um instante que o doutor virá falar com você - despediu-se. Assim que ele passou pela porta essa fechou-se automaticamente.

Uma mesa flutuava no ar e hologramas com fotos do doutor e família movimentavam-se lentamente pela parede. Aquilo me fascinava, uma loucura, pois era estranhamente inédito para mim. Essa flutuação dos objetos era causada por eletromagnetismo. Tratava-se de um sistema parecido com aqueles trens magnéticos do Japão do século XXI. Praticamente toda a estrutura do piso do hospital, assim como, mesas, camas, estantes, cadeiras e macas, eram feitos com material magnético. Quando a lei de atração e repulsão dos polos atuava essas coisas levitavam. Pelo menos foi o que me disseram.

As fotos mostravam um homem beirando os cinquenta anos, austero. Palavras holográficas dançavam sobre a mesa informando: Psiquiatria avançada - Hospital Tavares de Souza - Doutor Felipe Mendes. Ouvi a porta se abrir e alguém entrar, mas não conseguia me virar, ainda não havia entendido o funcionamento daquela cadeira. O doutor apareceu em minha frente e me estendeu a mão. Parecia mais alto do que nas fotos.

— Olá! Prazer em te ver acordado.

— Oi! - falei balbuciando.

A mão do médico continuava estendida e com muita concentração consegui levar minha mão até a dele. Ele esperou pacientemente com um sorriso e ao final deu um aperto forte. Em seguida foi até a mesa e sentou-se em uma cadeira, que também flutuava, que de tão transparente quase não se enxergava. Fez um gesto para que eu me aproximasse. Inclinei de leve a cabeça para frente e com isso a cadeira se movimentou até bem próxima da mesa. Ela parecia entender onde eu queria ir.

— Como se sente?

— Confuso e com dor de cabeça — minha voz saiu mais audível, porém, tremida e rouca.

— Sabe onde está?

— Hospital Tavares de Souza — disse lendo o holograma sobre a mesa e notando que havia impressionado o doutor.

— Sabe quem eu sou?

— Doutor Felipe — falei deslumbrando ainda mais meu interlocutor. Com dificuldade movi a cabeça indicando as letras que esvoaçavam sobre a mesa. O médico percebeu o truque e sorriu.

— Preciso saber seu nome e endereço para avisarmos sua família.

— Não sei dizer. Nem sei se tenho família. Não faço a mínima ideia de quem eu sou. Nem mesmo em que época estamos. Pelo que vi estamos em 2333, mas não faz sentido — falei vagarosamente, achando os meus dizeres a coisa mais estranha do mundo.

— Normal! É como eu previa. Você está com uma amnésia, nesses casos costuma ser breve. Vou tentar te atualizar um pouco, se prepare, pois serão notícias fortes — limpou a garganta e continuou — Você foi encontrado em coma há cerca de vinte anos, estamos cuidando de você neste hospital há cerca de cinco anos, ninguém conseguiu te identificar, não sabemos seu nome e não temos pistas. Suas digitais e íris não constam no sistema da polícia e você não possui um chip de identificação. Provavelmente você vai demorar para se lembrar de tudo, pois esteve em coma por um longo período. No geral seus exames mostram uma saúde perfeita. Fique tranquilo e se alegre, pois um milagre aconteceu.

Aquele homem era direto e não escondia o jogo. Eu gostei daquilo. Apesar de tê-lo entendido, precisei de mais informações.

— Como assim?

— Você acordou, voltou para vida. — sorriu — Por enquanto você vai ter dificuldades para se movimentar, mas será por pouco tempo, pois seus músculos estão bem. Você recebeu tratamento fisioterápico intenso e de alta tecnologia enquanto esteve em coma. Aparentemente é seu cérebro que ainda não acostumou a estar acordado. Fique tranquilo, você receberá toda a atenção necessária e aos poucos vai melhorar.

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