PREFÁCIO

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Prezado leitor, antes que leia esse prefácio acho importante que saiba que ele não é essencial para o entendimento da trama. O objetivo dele é trazer um contexto histórico e científico que ajude a aprofundar alguns assuntos tratados na história, portanto, é indicado para aqueles interessados em minúcias.

Este é um livro de mensagem ambientalista, que pode ser taxada de radical, mas no sentido de que possui sua base fortemente enraizada (raiz é a origem da palavra radical). Não segue um ideal cego e desejoso de que a humanidade volte à idade da pedra. Fala de algo relevante e embasado em ciência criteriosa. Todas as tecnologias citadas na história são viáveis. A maioria se encontra em fase de testes. As cidades e lugares são existentes. Todas as informações científicas são verídicas. Todos os personagens históricos são reais. Existe é claro a especulação e o livre fluir de ideias, pois é disto que as ficções se alimentam.

Em síntese fala sobre sustentabilidade, destino, esperança e fé. Tudo entrelaçado no caminho tortuoso da personagem principal. O objetivo não poderia ser mais prazeroso: entretenimento. O desejo é que ao final o leitor se sinta impregnado de reflexões e com a sensação que passou bons momentos de aventura e mistério.

A história é sobre um homem que acorda de um coma em um futuro distante daquele que possui recordações de ter vivido. Com sua memória prejudicada ele irá descobrir um mundo renovado, onde as questões socioambientais são primordiais. Neste novo cenário o Brasil tornou-se o mais admirável país do mundo e as pessoas são profundamente educadas e altruístas. Enquanto recupera sua memória o personagem irá desvendar seus vínculos e segredos implicados nessas modificações desconcertantes. O narrador se encontra no ano de 2333 e suas recordações ficam distribuídas em capítulos que alternam momentos do passado e do presente, numa trajetória de vida de 350 anos.

Mas antes de iniciar a narrativa que revelará a tumultuada vida do protagonista, acho bom situar o leitor sobre a problemática ambiental que vivemos atualmente e que gerou a necessidade de mudança do mundo tratada no romance. Relembrar um pouco da história do planeta e da humanidade ajudará também a contextualizar a visão socioambiental contida neste romance.

O universo tem cerca de 15 bilhões de anos, o planeta terra 4,6 bilhões de anos, a vida surgiu na terra entre 4,1 a 3,5 bilhões de anos, já o homem, devidamente como Homo sapiens, tem sua existência fora da casa dos bilhões, muito menos da dos milhões, existe há apenas aproximados 400 mil anos. De todo esse minúsculo tempo que a humanidade existe, fazem ridículos 10 mil anos que vive em grandes comunidades, o restante do tempo viveu coletando e caçando alimento, como nômades, vivendo em pequenos grupos. Foi só após a descoberta da agricultura e da criação de animais que surgiram as cidades, a economia e as civilizações, pois só assim a humanidade conseguiu se aglomerar em grandes grupos. No final das contas foi a agropecuária que criou a civilização e esse ponto será muito importante no romance.

Somos atualmente cerca de 7,3 bilhões de pessoas e para 2020 as projeções mais otimistas da FAO (Food and Agriculture Organization - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) dizem que seremos 8,3 bilhões. A demanda alimentar mundial saltará de 2,45 para 3,97 bilhões de toneladas de alimentos. Estatística preocupante, pois em nove anos o mundo terá de dobrar a produção agrícola. Apenas 14 países ainda possuem terras férteis e aráveis para a agricultura. O Brasil é um deles, pois tem um potencial enorme para aumentar sua produção de alimentos e sem precisar desmatar ou ocupar áreas de importância ecológica vital. No entanto, essa necessidade de aumentar a produção do agronegócio vem sendo tratada de forma irresponsável. Políticas públicas seguem um ideal de que é necessário desmatar, avançar sobre os ecossistemas remanescentes para que a fome no mundo não aumente. Empresas e governo utilizam-se hoje do medo da falta de alimentos para lucrar rápido e degradar muito. No Brasil o chamado novo Código Florestal, aprovado em 2012, trouxe vários retrocessos em termos de proteção ambiental, colaborando para desmatamentos e a ocupação de áreas que deveriam ser destinadas a conservação da natureza (nascentes, beiras de rios, várzeas, topos de morro...). Muita hipocrisia se espalha pelo mundo. A tecnologia para produção de alimentos evoluiu de forma extraordinária nos últimos 30 anos e alimento não falta, nunca faltou em quantidade. Thomas Malthus, um economista britânico, cometeu um engano nos anos de 1800, quando propôs que o aumento da população cresceria mais que a produção de alimentos, mas a ideia persistiu. Hoje temos variadas formas de produzir alimentos, algumas bastante impactantes em termos ambientais, mas de maneira geral conseguimos ter produção eficiente, ou seja, produzir mais em cada vez menos espaço (graças a biotecnologia e a genética principalmente). A fome e a miséria do mundo sempre existiram devido à má distribuição de renda e outras especificidades e não da ineficácia da produção agropecuária ou da falta de alimentos. O desperdício e o despreparo com os alimentos são os grandes vilões. Por exemplo, na colheita, transporte, e organização nos supermercados e centrais de abastecimento (CEASA) se perde cerca de 50% dos alimentos. O desperdício está por toda parte como nos grãos que se espalham pelas rodovias caídos de caminhões e nas toneladas de restos de comida deixados nos pratos dos restaurantes. No ano de 2014 esses alimentos perdidos dariam conta de conter toda fome anual na América Latina. É fato que, mesmo havendo formas muito viáveis de sanar a fome a humanidade preferiu não se preocupar com ela, por achar um problema difícil demais para se perder tempo. Continuamos com cerca de um bilhão de pessoas passando fome (14% da população humana).

Uma Encomenda para um Novo MundoLeia esta história GRATUITAMENTE!