Editoras #5 - As obras que as editoras querem

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A quantidade de livros vendidos (e sua evolução no tempo) é o grande indicador de uma editora. As demais medidas por mais importantes que sejam, são intrinsecamente acessórias. Em última instancia, se uma editora não conseguir vender seus livros, tudo o que a mais drástica redução nos custos pode trazer é uma sobrevida. O mesmo vale para quase todas as empresas tradicionais: falta de receita é igual à falência. Simples assim.

Dessa forma, o grande esforço da editora é vender. Vender rápido (livro parado é custo) e bem (por um bom preço seus livros – com o mínimo de desconto). Só que vender bem não é trivial. Não existe uma fórmula pronta. O que existe é um conjunto de experimentos que deu certo ou teorias que podem dar. Cada uma com sua peculiaridade e seu trade-off (sacrifício para atingir determinado ganho).

E isso se considerarmos que a empresa descobriu qual é o motivador de vendas, o que, na minha opinião, é a parte mais nebulosa. Mesmo gigantes do marketing erram com frequência nesse diagnóstico. E com ainda mais frequência, existe um conjunto de motivadores que afeta cada pessoa em um grau diferente.

Nada simples. Nada fácil. E como é comum nos mais diversos empreendimentos humanos, ao invés de buscarmos soluções ótimas e complicadas (que custam tempo, esforço e dinheiro para serem elaboradas), opta-se por saídas imediatas que tem risco limitado. No caso das editoras, por livros que vendam milhares de exemplares com baixo investimento de publicidade – ou os que se "vendem sozinhos".

Lógico que qualquer editor se preocupa com a qualidade dos seus livros – sendo ele elitista ou não nesse critério. E num mundo perfeito, eles escolheriam apenas os "melhores livros", em suas opiniões. Porém, esses livros com frequência não vendem bem. E a principal meta de um editor é produzir livros que vendam bem.

Também é evidente que algumas editoras são grandes o suficiente para se dar ao luxo de empregar editores tão preocupados com a qualidade que relevem a vendagem. Alguns desses profissionais trabalham apenas com grandes clássicos tentando produzir uma edição que traduza mais fielmente a grandeza das obras. Mas, mesmo nessas empresas, os demais profissionais têm que compensar o custo adquirido com o "investimento em qualidade".

É importante ressaltar que não há garantias de que um livro irá vender. Vários "número um na lista de best-sellers do NY Times" foram lançados no Brasil sem sucesso. E na falta de critérios definitivos, os grandes recursos do editor (ou comprador de direitos) são sua experiência e sensibilidade. São fatores subjetivos que fazem o profissional acreditar que o livro dará certo.

Em outras palavras, o editor precisa ser seduzido pela obra. Seguem as características que enchem os olhos dos editores:


Plataforma do autor

O alcance e o poder da plataforma são os primeiros atributos que um editor investiga em um escritor, estreante ou não. A plataforma pode ser resumida na capacidade de o escritor acessar o seu público-alvo e ser lido. É o montante de publicidade que o escritor consegue gerar sem a ajuda da editora. Nessa conta, entram seguidores das redes sociais, views em posts, relevância no seu nicho, acesso à mídia, entre outros.

Essa é a razão porque celebridades e subcelebridades têm tantos livros publicados – boa parte deles escritos com o auxílio de ghost-writers. Eles têm uma plataforma eficiente que gera além da publicidade intencional, a espontânea – compartilhamento e views por não seguidores.

Grandes plataformas (com milhões de seguidores) ou com alto grau de viralização são enxergados como vendagem quase garantida. Para dar uma ideia do quanto a plataforma é importante, recentemente um youtuber afirmou que foi procurado por grandes editoras brasileiras lhe oferecendo R$ 150 mil para "escrever qualquer coisa".

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