Capítulo 38 - Aurora

238 35 42



Aurora

Eu não sou uma pessoa sou apenas a sombra de alguém.
Eu sou a sombra de Lexie.


Me deixe respirar


Pouco antes que a mão daquele babaca toque minha perna Rafael o empurra com ambas as mãos contra seu peito para longe de mim e o faz voar. É um lindo voo. Isso claro, se for mesmo Rafael e não uma das minhas caraminholas de gente doida. Isso pouco me importa no momento porque estou concentrada em ficar bem satisfeita em olhar o babaca se desequilibrar depois de ser atingido e andar para trás de maneira atordoada enquanto encara seu agressor e meu mais novo herói como se não pudesse acreditar em tamanha ousadia e eu concordo. Não consigo acreditar também.

Não foi ele quem me disse que não me ajudaria uma segunda vez? Interessante.

Hum, olha! Meu herói está me encarando como se eu merecesse ser mastigada e feita em pedacinhos por essas feras famintas em forma de adolescentes rebeldes com aroma de maconha barata enquanto se prepara para ir novamente para cima do babaca que parte em sua direção depois de se recuperar do choque de ter sido atingido.

É mesmo Rafael Tascione, não tenho dúvidas. Principalmente porque ele faz questão de me defender e mesmo assim se preocupa em me desprezar no processo. Era um misto de enfrentar o babaca e me olhar feio que me deixou fascinada com sua habilidade de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Uma habilidade que eu admito não possuir. Então quando se cansam de dançarem um redor do outro eles partem para a briga.

Eba, pancadaria! Eu adoro uma boa briga de socos e pontapés.

O babaca que eu escutei chamarem de Allan ergue os punhos e parte para cima de Rafael que em contra partida não tem nem mesmo um único fio de seu lindo topetinho cor de areia fora do lugar enquanto acerta um soco no olho do seu oponente fazendo com que Allan caia no chão. Hum, estou escutando barulhos de lágrimas? Rafael parece bem contente com seu feito e penso que comemorou tarde demais porque Allan lhe dá uma rasteira lhe jogando no chão pouco depois.

Olha, mais um olhar mortal em minha direção!

Eu não me lembro de ter pedido a sua ajuda poço de prepotência intrometido! Penso acidamente franzindo meus olhos em um misto de desagrado e desdém junto com um dar de ombros em sua direção e em meio a rolar no chão e me olhar feio Rafael repara em meu gesto pouco educado e se enfurece ainda mais. Sua mandíbula se retesa no mesmo momento em que seu punho acerta o rosto de Allan mais uma vez sem tirar os olhos dos meus e não sei porque, fico com uma leve impressão de que era meu rostinho bonito que ele estava imaginando quando fez aquilo.

— Qual é a porra do seu problema, Tascione? — Berra Allan colocando ambas as mãos sobre o rosto machucado sem conseguir se erguer do chão me dando uma certeza completa e absoluta sobre a identidade do meu herói. — Eu não fiz nada porra! Qual é o seu problema, cara? — Repete. Ele não se dá ao trabalho de responder, apenas se ergue e limpa as roupas com as mãos olhando dentro dos meus olhos de maneira feroz.

Esse cara de fuinha não me parece estar esperando por um agradecimento como fez no dia anterior e sim me encarando duramente para que eu veja o quanto me despreza mesmo que seus atos recentes me mostrem o contrário. Mas se é assim porque saiu em minha defesa? Enfim, antes que eu tenha qualquer reação, como por exemplo, lhe escrever um bilhete lhe mandando para a puta que pariu, o arrogante me dá as costas e se afasta sem dizer uma única palavra.

Para minha surpresa Gon — o menino com os dentes tortos — decide vingar o amigo ainda caído no chão e atacar meu herói de pouco humor pelas costas. Uma atitude que considero abominável porque sou da opinião de que somente os covardes esperar por esse momento para se beneficiarem em uma briga. Primeiro penso que será um bom castigo por me tratar como um carrapato depois me sinto culpada porque embora não parecesse gostar muito de mim havia se dado ao trabalho de me defender.

Enquanto seus pés não tocarem o chão - Aurora & RafaelLeia esta história GRATUITAMENTE!