Capítulo 37 - Rafael

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RECADINHO BÁSICO: Quem acompanha os Garotos sabe que eu não costumo fazer um mesmo capítulo duas vezes com narradores alternados. Eu acho super chato ficar repetindo capítulo com o mesmo assunto e acho que deixa o livro menos dinâmico e toma muito espaço. Mas eu PRECISAVA dar o ponto de vista do Rafa da cena do capítulo anterior. Primeiro porque vamos combinar, ele está fofo demais e também porque eu quero que vocês vejam o quando a Madison pode ser cretina, vai ser importante mais para frente. No mais é isso, espero que curtam o capítulo e a fofurice da última frase do Rafa. 


Rafael

— ACORDA! — meu grito ensandecido não é o suficiente para que acorde. Ela continua deitada confortavelmente entregue ao sono enquanto a morte se espreita ao seu redor. E eu sei, simplesmente sei que ela vai tirá-la de mim. Não posso perde-la novamente, então tento alertá-la outra vez. — VOCÊ TEM QUE ACORDAR! — imploro vendo o fogo subir por suas pernas como se quisesse acaricia-la. As barras de seu vertido vermelho são consumidas pelas chamas e então quem acorda sou eu.

.Pesadelos, brigas e dinossauros

Naquela manhã me sentei na cama me sentindo um lixo. Nauseado. Encharcado de suor e sendo consumido por uma saudade sem fim e uma culpa desoladora depois olhar para minha ladra viva diante dos meus olhos e perdê-la mais uma vez sem poder fazer nada impedir. Quantas não foram as noites em que pedi a Deus mais uma chance. Só mais uma chance de segurar as suas mãos prometendo a Ele que nunca mais as soltaria se a condesse para mim. Eu faria qualquer coisa por aquela chance.

Eu tinha o mesmo maldito pesadelo desde que ela desapareceu e sempre imaginei que essa era a forma que minha própria mente criou para me punir. Uma forma ardilosa infalível e cruel de nunca me deixar esquecer o que lhe fiz. Mas esse pesadelo não se fazia mais presente nas minhas noites a muito tempo e imagino que tenha sido aquela garota quem o trouxe de volta quando apareceu sozinha. Essa seria apenas uma das muitas coisas que Aurora mudaria em mim a começar por aquele dia em que eu faria bem mais do que me propus quando soube de sua volta.

No dia em que eu a defenderia.

Estaciono o carro no estacionamento do colégio e caminho pelo bosque de Eucaliptos ainda me sentindo quebrado ao pensar nela. Eu nunca mais abraçaria minha pequena ladra. Nunca mais a beijaria. Eu nunca mais seria inteiro e a culpa era minha e era de Aurora também. Merecíamos nossas punições e quanto mais cedo eu aceitasse meu fardo mais cedo poderia começar a viver minha vida pela metade. Esse era meu único pensamento quando saí do bosque. Depois a única coisa em que eu consegui pensar era na menina sentada de frente para uma rampa com um olhar assustado em sua face contorcida que chamou minha de imediato e por mais impossível que fosse aquele olhar fez com que eu me sentisse inteiro outra vez.

Inteiramente tomado por uma sensação de proteção que me surpreendeu e cegou na mesma medida porque alguns caras permaneciam perto demais de Aurora e isso me pareceu um problema.

Parei de frente para Jessi e Madison sem conseguir desgrudar os olhos de Aurora no mesmo momento em que Tommy e Lauren se juntaram a nós. Tommy me disse alguma coisa que não me importei em escutar porque em seguida presencie uma cena que terminou de foder com a minha consciência já perturbada. Os mesmos caras que me incomodaram tinham se posicionaram ao redor de Aurora e pareciam estarem tentando falar com ela e isso fez com que meus punhos se cerrassem sem a minha permissão.

Isso também me pareceu um problema.

— O que está acontecendo ali? — Perguntou Lauren olhando para o mesmo lugar que meus olhos se grudaram desde o momento em que cheguei. Uma pergunta para a qual eu adoraria ter uma resposta. Onde está a porra do Tristan era uma pergunta ainda melhor. Olhei ao redor e não o encontrei em canto algum. Foi mais ou menos naquele momento em que eu decidi que ia matar o filho da puta!

Enquanto seus pés não tocarem o chão - Aurora & RafaelLeia esta história GRATUITAMENTE!