Quando o OTP faz a gente morrer...

1.4K 105 30

- Você sabe Rafael, que essa não é a melhor das ideias certo? - tentei convencer mais um vez o meu namorado que não era uma boa ideia a coisa que ele tinha em mente.

- Lia, por uma vez nesse longo ano de namoro, você confia em mim? - bufei, aquilo não era justo. Não era justo ele me acordar as quatro da manhã de uma segunda feira. Também não era justo ele usar argumentos totalmente dentro dos conceitos de qualquer companheira de relacionamento. 

"É o final de um de nossos primeiros anos juntos, e como um casal, precisamos fazer uma coisa especial", foi o que ele proferiu a mim, quando estava completamente descabelada e com cara de psicopata por ter sido acordada aquele horário. Mas eu já deveria estar preparada para situações desse tipo quando aceitei o pedido de namoro, aquele era Rafael Lange e a gente não pode esperar nada menos louco para comemorar um ano de relacionamento.

- Relaxa amorzinho, você sabe que não é uma coisa muito séria. - encarar aqueles olhos azuis refletindo a luz dos postes próximos era golpe baixo, ainda mais quando esses olhos pareciam reparar em cada característica facial sua. O encaro com a expressão fechada. - Lia amorzinho. Amorzinho da minha vida...

- Para Rafael! - comecei a rir descontroladamente. Eu não sei o porquê, realmente não sei, mas toda vez que ouvia a palavra "amorzinho" me dá uma enorme vontade de rir. Sinceramente? Não sei o que tinha de tão cômica na palavra, devo estar sendo contaminada pela loucura de Rafael.

- Só se você não ficar com essa cara de Felps quando estou atrasado para algum compromisso. - revirei os olhos enquanto sentia sua mão na minha cintura. Nossos corpos extremamente próximos ainda me faziam perder a noção das coisas ao redor e ele sabia disso. 

- Tudo bem, vamos seguir logo seu plano logo. - tirei os braços de seu ombro e me afastei de seu corpo quente. A madrugada amena de São Paulo sempre me deixava arrepiada. Mas dessa vez, tinha certeza que não era só a madrugada amena a causa disso.  

Olhando ao redor para ver se tinha alguma pessoa de olho em nós, Rafael jogou a mochila do outro lado da grade e logo escalou a mesma. A essa altura, eu, Lilian Kutcha, estava totalmente cagada de medo. Vamos reparar que eu não sou uma das pessoas mais indicadas pra escalar e pular uma grade, total certeza disso.

- Vai Lia, sua vez. - do outro lado da grade, dentro do possível parque, Rafael já havia se estabilizado e me encarava com expectativa. - Eu te ajudo a descer,  fica calma. 

- É a única coisa que você pode fazer, Lange. 

Escalei com um pouco de dificuldade a grade, com um super medo de rasgar a leggin ou o moletom - roubado do meu namorado, óbvio - que eu usava nessa super aventura. "Vai dar merda, vai dar merda, vai dar merda..." era a única coisa que ecoava pela minha cabeça enquanto dava um jeito de descer dali. 

- Rafael, acho que não consigo descer. - quando meu cagaço estava em seu extremo auge, resolvi me pronunciar.

- Claro que consegue Lia, cê subiu né... - lhe joguei um dos meus tênis antes que ele completasse a frase. Eu só precisava de um namorado compreensivo nesse momento, é pedir muito carinha ai de cima? - Tudo bem, olha pra mim. 

- 'Tô olhando. - respondi emburrada. 

- Você consegue Lia, você sabe disso. Eu conheço minha namorada, e sei que apesar de ter uma porcentagem cagona - ameacei jogar o meu outro par de tênis - que eu também tenho, inclusive, você também é corajosa.

Nos segundos seguintes, pude aterrissar novamente no chão e me senti super aliviada por isso. Peguei o par do sapato jogado no chão e encaixei no pé. 

- Agora só temos que caminhar um pouquinho... 

- E nesse caminho meu lindo namorado conquistador de minas vai me carregar. - parei em sua frente observando suas feições mudaram para incredulidade.

- Lia, você ganhou uns quilinhos ultimamente...  

- E você era pra ser o namorado que me apoia em tudo né. - revirei os olhos. 

- Gente, ela ta meio magoada hoje... - continuei com a cara fechada enquanto Lange me dava inúmeros selinhos. Céus, como ficar brava com esse garoto desse jeito? Apesar de ser poucos o momento de extremo afeto, todos eles faziam meu coração derreter lentamente. 

   Passaram-se minutos que caminhávamos abraçados. Estávamos subindo um morrinho de grama, e eu já me sentia no ápice do cansaço. Não sabia qual exatamente era a ideia de Rafael, com todos os "obstáculos" já esperava que fosse uma coisa bem grandiosa.

– Vamos Lia, só mais um pouquinho. – percebendo minha expressão, ele me puxou pela mão dando o apoio necessário para que eu não ganhasse uns arranhões a mais rolando aquele morro.

Quando eu já achava que não tinha mais forças para subir, finalmente chegamos no topo daquele morro. Cercados de algumas árvores e com a vista do parque inteiro, a vista apesar de não ser a das mais belas, ainda sim valia a pena.

Rafael abriu a mochila e de lá tirou uma manta, onde cobriu o chão com a mesma. A curiosidade me atingiu e cutucando a mochila dele, achei diversos pacotes de M&M. Um sorriso automaticamente tomou conta de meu rosto, ele me conhecia tanto.

– Eu não sou um namorado tão imprestável, sabia? – Rafael comentou atrás de mim. Já de frente para ele, enlacei meus braços em volto de seu pescoço.

– Até que dá pro gasto. – gargalhei de sua cara de indignação.

– Vou tentar não levar isso para o lado pessoal. – dei um beijo em sua bochecha enquanto ele observava algo atrás de mim.

– Agora olha isso. – suas mãos firmes seguraram minha cintura e me rodaram, quando parei, ofeguei com a vasta paisagem.

– Uau!

O pôr do sol era uma das coisas que me faziam entorpecer adiante da paisagem. Pensar que esse fenômeno acontece todos os dias e em todos os esses dias temos a chance de o vivenciar me fazia delirar. Entretanto, hoje, o motivo que me fez delirar foi um completamente diferente.

Rafael me fez delirar de uma das formas mais bonitas e talvez desesperadoras possíveis.

Os olhos azuis fizeram eu me apaixonar pelo o que continha dentro de si, o que é extremamente clichê considerando que eu corra longe de clichês.

Mas os clichês correram atrás de mim e sem perceber, me entreguei. Me entreguei de todas as formas possíveis e impossíveis, o que era desesperador.

Amar era desesperador para mim.

delirar
verbo

2.

intransitivo
experimentar exaltação extrema; sair de si; desvairar.

Olá pessoinhas do meu core!!!! Eu sou muito vacilona, assumo isso para vcs.
Primeiramente, queria agradecer vocês pela chance que ainda dão a Clouds. Em agosto a história fez um ano e eu esperava conseguir preparar um especial para vocês só que, bem, na minha vida um cronograma nunca dá certo.
Provas, escola, preocupações, doenças, pressão, meu pai fazendo cirurgia, crises de ansiedade, tratamento de RPG e extremas dúvidas, além de claro, o clássico: uma paixonite não correspondida e que só me fez mal. Tudo isso chegou nos últimos meses e revirou minha vida de uma forma que eu achava impossível.
Tenho grandes esperanças de voltar a escrever minhas histórias direitinho e organizar minha vida.
Não sei porque estou falando tudo isso, mas acho que vocês merecem uma explicação.
Me desculpem a demora, não desistam de mim :(
Amo tanto vocês, estou literalmente morrendo de saudades.
All the love,
Ana


Clouds → Rafael Lange | CellbitOnde as histórias ganham vida. Descobre agora