Ladrão Toru - parte 3

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          Poderia eu, Hamada Hasumaru, estar apenas estranhando o lugar onde nasci? Seria extremamente conveniente, até irônico.

          Neste momento, abro um espaço para refletir.

          — Seria errado imaginar o quanto me afastei deste lugar a ponto de me encontrar sozinho nele?

          Exatamente.

          É uma...

          — Idiotice.

          Quem falou isso?

          De onde veio?

          Virei minha cabeça para os dois lados, além de uma árvore e a esquina que ao fim dela me levaria até em casa, nada estava diferente, não havia ninguém, então me virei para trás, como um lobo faminto, procurando a origem da voz, e além de casas e a calçada, nada havia.

          — Então...

          — Então, olhe para frente.

          Aquela voz, necessitei escutá-la uma segunda vez para acreditar de quem era.

          Exato.

          Eu conheço o dono desta voz, esta postura, este tom de exclamação, e até mesmo o comentário sarcástico até poucos segundos.

          — V-Você...

          — Parece ter visto um fantasma, Hamada.

          A única pessoa que, antes de Koa, testava minha paciência me chamando dessa forma, nesse tom.

          — K-Kirishima...

          Um jovem com minha mesma idade, cabelos claros, um olhar calmo, boas vestimentas e, claro, um jeito horrível de se dirigir às pessoas.

          Parece que hoje é o dia de me reencontrar com pessoas do passado — mesmo que Imai seja de um passado de apenas duas semanas atrás.

          — Hum? Não ouvi direito, esperava ouvir um "Oh, meu deus, é você mesmo, Kirishima Toru-kun? Por acaso não é alguém se passando por você? Por acaso não é alguém que consumiu seu corpo e agora está se passando por você? Por acaso não é alguém que o matou e o enterrou em seu quintal e está se passando por você?", ou algo do tipo, Hamada.

          Isso quase foi uma referência forçada de algo que ainda não veio.

          — H-Hm... não, só esbanjei minha surpresa em ver justamente você quando eu disse para mim mesmo que não havia encontrado ninguém conhecido.

          — Ho... então não está contente em encontrar um amigo? Não está contente em reencontrar alguém que o conhece nesta cidade? Não está feliz?

          — B-Bem... eu...

          — Não seja estúpido, Hamada, estou apenas brincando com você, é claro que sei o quão surpreendente é me encontrar aqui.

          Na verdade, é confuso.

          — Mas, diga-me, há quanto tempo que voltou para cá? O que esteve fazendo? Onde esteve?

          Muitas perguntas.

          Tentar evitá-las apenas acenderia sua curiosidade, então as responderei vagamente para acelerar o passo.

          — Voltei hoje. Estive por aí, apenas andando e vendo alguns lugares.

          — Ho... entendo, você realmente se aventurou em muitas coisas.

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