Capítulo 33 - Aurora

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Aurora

Em um primeiro momento eu não sinto dor quando suas mãos pousam sobre mim é algo diferente que eu não saberia nomear nem mesmo se quisesse. Mas a sensação não dura e minha pele começa a se esquentar até que esteja em chamas fazendo com que eu o empurre para longe com força, arfando. Inquieta, assustada e meramente aquecida. Foi infinitamente diferente de ter tocado qualquer outra pessoa muito mais intenso e inebriante e também muito mais assustador e punitivo.

Foi quase... quase como se não fosse a primeira vez.

Garotos e enfermeiras, as maiores pragas da história

Estou olhando para suas costas enquanto se afasta batendo os pezinhos cheios de birra no chão, de maneira estarrecida. Quer sabe? Estarrecida é pouco. Eu estou furiosa! Quem aquele garoto ridículo e diga-se de passagem bonito pra caramba, — não que isso me importe, — pensa que é para falar comigo daquela maneira grosseira e pouco educada e ainda por cima ME TOCAR. ELE ME TOCOU PORRA! Não acredito que o filha da puta ME TOCOU! Eu só queria ficar de boa na minha sem ser interrompida e olhar para um bonito céu azul estatelada naquela porcaria de chão, era pedir demais? Não me lembro de ter desejado um cavaleiro de armadura brilhante!

Ignoro o fato de que eu parecia dar a impressão de estar mesmo precisando desesperadamente de ajuda quando o Mister Arrogância me achou feito uma fruta podre no gramado. Mas nada justifica sua ânsia em estender aquelas mãos enorme e cheias de dedos para cima de mim sem um convite. Entendo perfeitamente que quando se depara com uma aleijada jogada no chão e com sua cadeira de rodas a alguns metros de distância, tombada e com as rodinhas girando no ar, a etiqueta nos manda oferecer ajuda porque era isso que eu teria feito se não fosse a aleijada em questão. Mas essa coisa deveria ter certos limites, com por exemplo, NÃO ME TOCAR!

Eu sabia que ia demorar certo tempo até que conseguisse rastejar de volta para a segurança da gerigonça. Mas eu ia conseguir, quem disse que eu não ia conseguir? Então por mais que seus bons modos sejam louváveis eu gostaria de que o Mister Arrogância os enfiasse em sua bunda, uma boa bunda, — não que isso me importe. — e desse o fora!

Eu não posso nem mais olhar para a droga do céu, penso com amargura ainda sentindo seu toque sobre a minha pele esfacelada sem se quer ousar pensar sobre como me senti quando suas mãos pousam em mim, eu já possuía problemas demais por hora como o fato de a minha nuca estar latejando. Passo minhas mãos por sua superfície apenas para constatar que estou sagrando. Se eu ousei pensar que esse dia de merda não poderia ficar pior me enganei redondamente.

Ele abre as portas de vidro com um chute e passa por elas rapidamente como se sua bunda estivesse em chamas e isso faz com que eu me compadeça de sua situação porque a sensação não é nada agradável. Eu sei do que estou falando porque a minha pegou fogo também e não sentido safadinho da coisa, embora somente de ter admirado aquele garoto babaca e loucamente atraente, — não que isso me importe — hoje a metáfora fosse válida.

E assim que as portas se fecham eu desmorono, por dentro. Sempre por dentro e nunca por fora. Não posso me dar ao luxo de deixar minha fachada ruim, afinal o que seria de mim sem sua proteção? Se todos pudessem ver a devassidão que arrasa minha pele e para além do meu interior marcado eu seria como qualquer outra garota perdida. Mas alguma coisa nos olhos daquele cara me disseram que minha fachadanão foi o bastante para me esconder, não dessa vez. Ele viu o que tinha porbaixo, e fugiu. Eu não o culpava, quem em sã consciência ficaria?

 

Permaneço olhando para a fachada do prédio de tijolinhos por muito tempo depois que o Mister arrogância babaca, bonito para caramba, loucamente atraente e dono de uma bundinha apetitosa me deixa para trás e por mais que eu queria me preocupar com o sangue e com o fato de que já estou absurdamente atrasada só consigo pensar do quanto seu toque me pareceu... Eu acho que a palavra que estou procurando é certo.

Enquanto seus pés não tocarem o chão - Aurora & RafaelLeia esta história GRATUITAMENTE!