Capítulo 9

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CAPÍTULO EXTRA DA SEMANA!!! Aproveitem!

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Após terminar mais um dia de ensaio, Elena se sentia derrotada. Não conseguia ter toda a graça e beleza que uma princesa-cisne exigia. Será que conseguiria desempenhar seu papel?

– O que te aflige, Odette?!

Elena deu um pequeno pulo com o susto que levou. Estava sozinha, nos bastidores, relendo o script instantes antes.

– Só pensando em como melhorar – tentou soar o mais profissional que podia.

– Há algo em que eu possa ajudar? – Ronald perguntou com um interesse duvidoso.

Elena levantou o olhar dos papéis para encará-lo com curiosidade. Será que ele estava amolecendo com ela?

– Queria ser mais graciosa, como a Odette da versão ballet. Tenho muito a melhorar nesse quesito. Não concorda?

Ronald coçou o estreito cavanhaque, em seguida sugeriu:

– Acho que posso te ajudar. Vá até a página onde Odette conhece Von Rothbart.

Elena não entendeu muito bem aonde ele queria chegar, mas obedeceu. Ronald foi até o piano e começou a tocar.

– Cante para mim, Odette.

Elena pigarreou para limpar a garganta e só então começou a canção.

Odette cantava à beira do lago que tinha nas imediações do castelo. Só queria se afastar o suficiente para que ninguém a encontrasse, mas lá no fundo, implorava para que alguém escutasse sua súplica.

– Quem me dera ser livre feito passarinho. Voaria para bem longe. Encontraria minha felicidade.

– Sonhos podem se tornar reais, princesa – soou uma voz atrás dela.

Odette se virou assustada. Não reconhecia a voz que acabara de falar com ela. Decerto não era de nenhum dos criados. Sobressaltou-se ao constatar que estava cara a cara com um cavalo preto e seu dono montado nele, bem no alto.

– Quem és tu? Como ousa invadir a propriedade do rei?

O homem sobre o cavalo olhou ao redor antes de concluir:

– Parece-me que a senhorita não se encontra sob proteção de vosso pai. Aqui é lugar de gente da terra, que trabalha e sofre todos os dias para sobreviver.

Não gostou do tom do estrangeiro.

– Se não gosta, podes partir.

– Ah, não, encanta-me muito este lugar. Ao contrário de ti, que enche o lago com teu pranto. Digas-me, queres mesmo ser livre?

– Quem não sonha com a liberdade?

Odette encarou-o vitoriosa. Sabia que, contra aquilo, ninguém tinha palavra. Cada um vive em uma prisão, seja social, moral ou interna.

– Com o brilho da maior estrela, cisne tornar-te-ás. Somente no véu da noite poderás ocultar-te. Teu canto mais esplêndido será teu último. Sem o amor verdadeiro, o feitiço perpetuará.

Ronald sorriu ao terminar.

– Excelente, Elena.

– Obrigada pela ajuda – sorriu com a gentileza do diretor. – Bem, eu vou indo nessa. Amanhã a gente começa cedo. Não é mesmo?

– Até amanhã, Elena. Espero que consiga ter o que quer.

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O Canto do Cisne: Um conto de fadas modernoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora