- Espadachim, Garfos & Tortas -

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Apresentando: Arian Castilius, personagem de Os Guerreiros de Alquemena  




O fauno boceja, com as mãos tapando a boca cor de terra, e com seu jeito engraçado puxa mais um conto enrolado dentro da bolsa, esticando o papel velho e limpando-o para enxergar as palavras ali pintadas. Você sente um leve aroma amadeirado e certifica-se de que seus olhos estão bem abertos para que permaneça atento.

A garota de cabelos azuis ali perto da fogueira mexe nas lenhas, o fogo é consumido em demasia pelo ar gélido, mas você não se importa tanto com a temperatura, ainda que seja importante ter mais luz por perto. A visão de Naví, o Fauno, parado diante de si é sombria, apenas o luar o clareia. Logo que a brasa aumenta todos se reconfortam nos seus lugares e uma ouvinte, que havia saído brevemente, retorna. Ela está acompanhada de uma coruja, aninhada entre seus cabelos negros. Silencioso, você pergunta a si mesmo se está delirando, ou se aquele mundo de faunos e fantasias conseguia se tornar mais tátil a cada hora que o Fauno narrava uma nova história.

O Filho do Elemental da Terra estala os dedos, flexionando as pernas para manter o equilíbrio sobe os cascos. Em cima da pedra em que entoava o clímax de cada história, ele fisga sua atenção com o estalo ligeiro, o sono que tentava lhe abraçar se dissipa e seus olhos voltam a observar a criatura:

— Respirem fundo – Naví pediu com a voz suave e um tanto rouca. – E relaxem para entrar na mente de jovens que ainda estão descobrindo o mundo que os rodeia...


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Você fala demais! – tagarelou a garota, seus braços apoiados no balcão da padaria enquanto balançava as pernas vestidas com meias-calças brancas.

Ela era uma pedra no sapato do jovem criado desde o início daquela semana e não lhe restavam muitas alternativas além de suportá-la. Quando suas condições dentro da hierarquia de um Reino lhe favorecem pouco, ou obedece a ordem superior, ou é colocado de castigo. O mais engraçado é que a própria obrigação se assemelhava a uma penitência, como um teste para a sua própria disciplina. Como se fosse difícil piorar, foram os seus próprios pais que o colocaram naquela condição, sequer fora o Conselheiro da Rainha, que era quem costumava dar as ordens em Asgaha até que a princesa Lorenai pudesse ser coroada para assumir o trono dos Sete Reinos. O Conselheiro era muito próximo de sua família, especialmente dele, e dificilmente o incumbiria de uma tarefa que não lhe fosse agradável.

— Perdão, senhorita – respondeu, as maçãs do rosto magras enrubesciam à medida que o misto de timidez e irritação o dominava. – Vamos agora, por gentileza?

A garota virou-se, os ombros desarmados no vestidinho de tons pastéis:

— E educado demais. Você sabe falar alguma coisa além de pronomes respeitosos, ou agir sem seguir regrinhas de comportamento? – O companheiro lhe retribuiu com um olhar impenetrável de ônix. – Que seja. Vai fazer uma torta para mim, ou nem vai? Se não vou levar esta daqui.

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